Logo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo
Logo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Logo da Federação Internacional de Jornalistas
Logo da Central Única dos Trabalhadores
Logo da Federação Nacional de Jornalistas

Cineclube exibe “Cidadão Boilesen”

Cineclube Vladimir Herzog abre ciclo “Cinema e Tortura” e apresenta “Cidadão Boilesen”

O Cineclube Vladimir Herzog exibe, na última terça-feira de janeiro (29), às 19h, “Cidadão Boilesen” (2009). Dirigido por Chaim Litewski, o premiado documentário conta a vida do ex-presidente da Ultragaz, Henning Boilesen, empresário dinamarquês naturalizado brasileiro, morto pela guerrilha em 1971.

O filme mostra como o empresariado financiou a Operação Bandeirante (OBAN), principal órgão de repressão da ditadura civil-militar brasileira, destaca a participação de Boilesen nesse processo, e revela a ligação política e econômica entre civis e militares no combate à luta armada.

A sessão faz parte do ciclo Cinema e Tortura, que já tem programado os seguintes filmes: “Pra frente Brasil”, de Roberto Farias (fevereiro); “Torre das Donzelas”, de Susanna Lira (março); “Corte Seco”, de Renato Tapajós (abril); “Actas de Marusia”, de Miguel Littín (maio – exibição em 16 mm); e “Auto de Resistência”, de Natasha Neri e Lula Carvalho (junho).

Da primeira ideia ao documentário, filme levou 40 anos para ser realizado

Foi a partir de uma reportagem na TV Tupi, em 1968, em que o presidente da Ultragaz, o dinamarquês Henning Boilesen aparecia ao lado de militares, em um momento político de extrema tensão no Brasil, que começou o interesse do diretor Chaim Litewski pelo personagem. Quando Boilesen foi morto em 1971, o diretor guardou os obituários pensando em escrever algo sobre o assunto – à época, havia comentários sobre uma possível associação entre o empresariado e a ditadura. Em 1977, Litewski soube do lançamento, na Dinamarca, do livro “Likvider Boilesen”, de Henrik Kruger, um dos entrevistados de “Cidadão Boilesen”.

Em 1993, o diretor decidiu fazer um documentário, motivado pelo interesse em entender os mecanismos que ligaram os empresários aos militares, no auge da repressão política no Brasil. “Cidadão Boilesen” levou 16 anos para ser finalizado, sem patrocínios, o filme foi realizado com recursos próprios.

Na medida em que economizava algum dinheiro, Chaim Litewski investia na produção e realização, com mais pesquisas e entrevistas. Para compor o documentário, o diretor entrevistou Dom Paulo Evaristo Arns, Celso Amorim, Fernando Henrique Cardoso, Jarbas Passarinho, Erasmo Dias, Hélio Bicudo, entre outros.

“Cidadão Boilesen” foi selecionado para o “Festival Internacional Del Nuevo Cine Latinoamericano”, de 2009, em Cuba; foi exibido na mostra “Première Brasil – Hors Concours”, no “Festival do Rio”, de 2009; ganhou o prêmio de Melhor Documentário da Competição Brasileira, no Festival “É Tudo Verdade” de 2009; Melhor Documentário no Prêmio do Público, no “Cinesul”, de 2009; e o seu diretor Chaim Litewski ganhou prêmio de Melhor Direção no “Recine”, de 2009.

Debatedores

Após a exibição haverá debate com Aton Fon Filho e José Luís del Roio.

Aton Fon Filho filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1964. Depois engajou-se na resistência armada contra a ditadura e, no final de 1969, foi preso e torturado por sua atuação na Ação Libertadora Nacional (ALN). Passou quase dez anos no cárcere. Ao ser liberado, em 1979, dedicou-se aos estudos, formou-se em Direito e se tornou advogado de causas e movimentos sociais, tais como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), especializando-se em conflitos agrários e direitos de populações tradicionais, atuou também como advogado de militantes e presos políticos.

José Luís del Roio foi membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) nos anos 1960 e, após o golpe de 1964, fundou, com Carlos Marighella, a Ação Libertadora Nacional (ALN), abraçando a luta armada como forma de resistência à ditadura. Por causa da repressão, Del Roio exilou-se no Peru, onde trabalhou durante o governo de Juan Velasco Alvarado, e depois no Chile, com a administração de Salvador Allende. Testemunhando outro golpe militar, o do general Augusto Pinochet, Del Roio transferiu-se para a Argélia. Em 1975 foi a Moscou e retomou os contatos com o PCB e Luís Carlos Prestes.

Para mais informações, visite a  página do Cineclube Vladimir Herzog nas redes sociais.

SERVIÇO
Exibição do documentário “Cidadão Boilesen” (2009, Chaim Litewski)
 + Debate com Aton Fon Filho e José Luís del Roio.
Dia/hora: 29 de janeiro (terça-feira), às 19h.
Local: Audtitório Vladimir Herzog – Sede do Sindicato dos Jornalistas
Rua Rêgo Freitas, 530 – República, São Paulo – SP – Sobreloja
Exibição gratuita. Mais informações: (11) 3229-7989

Confira a programação do ciclo:

Cineclube Vladimir Herzog está com nova identidade visual

O Cineclube Vladimir Herzog é uma iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP), do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP) e tem o apoio de militantes cineclubistas do cineclube Baixo Augusta. A proposta do grupo é resgatar um espaço importantíssimo na resistência à ditadura e na luta pela redemocratização do país. Naquele tempo, filmes como “O Homem que Virou Suco”, de João Batista de Andrade, chegaram a um imenso público a partir das sessões realizadas por este cineclube. As sessões são sempre nas últimas terças-feiras de cada mês, seguidas por debates com realizadores dos filmes e/ou convidados.

Para o ciclo “Cinema e Tortura” o cineclube Vladimir Herzog resolveu refazer sua identidade visual e convidou o designer gráfico, chargista, ilustrador e colaborador do cineclube, Marcos Madalena, a apresentar uma proposta e que resultou nessa nova cara. “Criei peças gráficas com visual limpo e moderno. O “V” e o “H” do nome do Cineclube Vladimir Herzog viraram um símbolo, um projetor estilizado. A paleta de cores escolhida, o amarelo e o preto, têm um contraste elegante e alegre, que ajudam a expressar a personalidade, conceito e valores do cineclube hoje. Esses elementos trazem uma linguagem clara e acessível e se adéqua a todo tipo de aplicação, principalmente às redes sociais”, explica Madalena.

Desde 1985, Madalena atua em diversas áreas do design gráfico e do cinema. Participou ativamente do Cineclube Oscarito e do Cineclube GV, como membro da comissão de programação e diretor de arte para publicações e divulgação. Em cinema, foi diretor de produção em filmes publicitários, curtas e longas metragens como “El Viaje”, de Fernando Solanas,”A Causa Secreta”, de Sergio Bianchi, “Anjos do Arrabalde”, de Carlos Reichenbach, entre outras produções. Atualmente, na área do design gráfico, cria identidade corporativa, editorial, embalagem, webdesign, sistemas de informação e sinalização, produção gráfica de impressos, ilustrações e charges.

veja também

relacionadas

mais lidas

Pular para o conteúdo