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Tortura Nunca Mais: Nova direção reforça a luta pelos direitos humanos diante do golpe

Tortura Nunca Mais: Nova direção reforça a luta pelos direitos humanos diante do golpe


A emoção pelo falecimento de Dom Paulo Evaristo Arns e a recordação das histórias de luta do arcebispo emérito de São Paulo marcaram a posse da nova diretoria do Grupo Tortura Nunca Mais, em cerimônia no último dia 16 de dezembro, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP).

Arns foi um dos apoiadores do Tortura Nunca Mais, registrado em 1987 como entidade da sociedade civil, mas que atua desde 1976, então clandestino, contra a violência, a tortura e a impunidade. Arns também foi decisivo para a publicação do livro “Brasil, Nunca Mais”, lançado em 1985 expondo os métodos de tortura e crimes cometidos há mais de 20 anos durante a ditadura militar no país.

“Dom Paulo foi generoso até na morte porque, depois de meses de um discurso de ódio, de uma retirada de direitos quase como uma guerra aos pobres, ouvimos no noticiário palavras como bondade, solidariedade, amor ao próximo, pensamento no humano. Querendo ou não, os meios de comunicação foram obrigados a escrever a palavra fraternidade e sabemos como ela é forte quando escrevemos”, disse a jornalista Rose Nogueira, dirigente do SJSP e membro da direção do Tortura Nunca Mais. Além de Rose, a jornalista Vilma Amaro, da Regional ABCD, representa o Sindicato no grupo.

A nova direção do grupo também criticou o conjunto de retrocessos nos direitos humanos, sociais e trabalhistas, resultado da conjuntura de golpe na democracia consumado com a ascensão ilegítima de Michel Temer (PMBD) à presidência da República.

Os dirigentes alertaram, ainda, para a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, aprovada em segunda votação no Senado no último dia 13 de dezembro e que limita o teto de gastos públicos, engessando investimentos em áreas como educação e saúde por 20 anos. A medida afeta diversos programas de promoção de direitos humanos e até a Organização das Nações Unidas alertou para a gravidade da medida, sobretudo pelos impactos sociais pelas próximas duas décadas.

Embate contra a tortura, ontem e hoje

Presidente do SJSP, Paulo Zocchi ressaltou a atuação e o engajamento históricos do Sindicato nas lutas pelos direitos humanos e pela democracia e que, na atual conjuntura de golpe que levou Michel Temer ilegitimamente

As heranças do período militar continuam presentes, agindo, e uma das que se enfrenta no dia a dia é a Polícia Militar, responsável pelo aumento da violência que atinge os manifestantes e também os jornalistas por denunciarem esses abusos contra a população, avalia Paulo Zocchi, presidente do SJSP.

“A PM foi criada pela ditadura e, em certa medida, se identifica com a tortura que era cometida pelo Exército, e o fato do Brasil não ter sido capaz de avançar, para apurar e punir, de maneira cabal, os torturadores, faz com que os assassinatos e torturas prossigam pelas mãos da polícia de maneira aberta, escancarada. É necessário acabar com a tortura, é necessário acabar com a Política Militar”, frisou o sindicalista.

Zocchi também lembrou a estreita relação de Dom Paulo com o Sindicato no caso da morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nos porões do Doi-Codi, em 1975. Diante da morte de Vlado, forjada como suicídio pelos militares, cerca de oito mil pessoas lotaram a catedral e a Praça da Sé num culto ecumênico pelo jornalista que se tornou um ato de resistência, liderado por Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo reverendo presbiteriano Jaime Nelson Wright.

“Depois do sepultamento do Vlado, no Cemitério Israelita do Butantã, os jornalistas vieram para cá, lotaram esse auditório, decidiram que se chamaria Vladimir Herzog e que esse espaço seria aberto para o conjunto dos movimentos sociais e sindical, de resistência e democráticos. Esse momento teve a colaboração do Dom Paulo, que ajudou a realizar o ato ecumênico na Sé. Desde então, o auditório é um espaço de resistência e de luta pela a democracia e contra a ditadura, sempre aberto para todos os atos que expressem esse embate”, concluiu.

 

Redação e foto: Flaviana Serafim – Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

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