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SJSP participa de ato em memória das vítimas da ditadura

SJSP participa de ato em memória das vítimas da ditadura

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A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) participou de ato em memória dos mortos e desaparecidos da ditadura militar (1964-1985), no Dia de Finados, no cemitério do Araçá, em São Paulo, onde se encontram os restos mortais dos assassinados pela repressão que tiveram seus corpos jogados em valas clandestinas no cemitério de Perus. O ato teve a participação de líderes religiosos, representantes, centrais sindicais, sindicatos e comissões da Verdade Estadual e Municipal e ligadas a diversas entidades. Pelo SJSP participou o dirigente Douglas Mansur.

O cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, disse que a ocasião era para renovar a fé em Deus e a convicção na justiça divina. “Nem sempre na terra há justiça; nosso coração clama por justiça e, por isso, alguém a garante. Isto faz parte da nossa Fé, não só cristã, mas de todas as religiões”.

Uma das reivindicações do Ato, segundo Nivaldo Padilha, do Comitê Paulista da Memória, Verdade e Justiça, foi exigir que o poder público, principalmente a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, acelere o processo de identificação dos restos mortais. “Há uma paralisia inexplicável; está faltando mais vontade no processo de reconhecimento destes ossos”.

Há mais de 20 anos, cerca de 1040 ossadas foram achadas e ainda não passaram por exames que as identifiquem. Muitas delas presumem-se ser de heróis da luta contra a ditadura que marcou negativamente o país. Na época, os assassinos os enterravam anonimamente, com o objetivo de ocultar seus crimes. Sem contar os desaparecidos, 180 por perseguição política, além de um número inestimável de cidadãos que moravam no campo, na periferia, e que constantemente desapareciam. Suas famílias, humildes e com medo, não reivindicavam, pois tinham de proteger os outros parentes.

José Luis Del Roio, do Comitê Paulista da Memória, Verdade e Justiça, se emociona ao recordar que havia uma extrema vontade de muitos setores da juventude em participar de manifestos contrários ao regime, pautando-se num “amor profundo pelo Brasil, pela liberdade e igualdade, pois se vivia num país terrivelmente desigual”. Do mesmo Comitê, Antonio Carlos Fon reiterou que o dia era importante para lembrar a todos sobre o que ocorreu no país; “um momento muito triste, escuro, nublado da nossa história e que nós precisamos resgatar a verdade e fazer justiça, porque não se constrói o futuro em cima de mentiras”.

O senador Eduardo Suplicy (PT/SP) disse que acha importante o trabalho que as comissões da verdade das três esferas governamentais e de outros setores, realizam com o objetivo de apresentar à sociedade o que de fato ocorreu durante os anos de ditadura militar “para que saibamos em profundidade qual a natureza dos abusos cometidos e para que eles não se repitam em nossa nação”.

Ivan Galvão, representante da comunidade muçulmana de São Paulo, falou que fez questão de estar no Ato devido à sua relevância para todos os que lutam por paz e justiça. “É importante fazer memória àqueles que, lutando por justiça, por uma sociedade mais livre, soberana e que sonharam com um país independente, foram barbaramente torturados e assassinados”. Ele conclui falando que “independentemente da Fé que professamos, é preciso fazer com que estes mortos não sejam esquecidos, possam ser sepultados por seus familiares dignamente e que sirva de exemplo à nossa juventude”.

Antonio Carlos Fon, do Comitê Paulista da Memória, Verdade e Justiça (e ex-presidente do SJSP) reiterou que o dia era importante para lembrar a todos sobre o que ocorreu no país; “um momento muito triste, escuro, nublado da nossa história e que nós precisamos resgatar a verdade e fazer justiça, porque não se constrói o futuro em cima de mentiras”.

O Evento foi organizado pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Comissão da Verdade da PUC; Conselho Nacional de Igrejas Cristas (CONIC); Rede Ecumênica de Juventude (REJU); Movimento de Fraternidade de Igrejas Cristãs (MOFIC); Comitê Paulista pela Memória, Justiça e Paz; Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura do Município de SP; Comissão Nacional da Verdade Rubens Paiva; Comissão Municipal da verdade Vladimir Herzog; Subcomissão Memória, Verdade e Justiça da Câmara Federal; Associação Cultural Nelson Werneck Sodré; Conselho Latino Americano de Igrejas (CLAI); CUT Nacional – Secretaria de Políticas Sociais; CUT – SP; Fórum Ecumênico ACT Brasil; Frente de Esculacho Popular; Grupo Tortura Nunca Mais SP; KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço; Levante Popular da Juventude; Sindicatos dos Bancários SP; Sindicatos dos Jornalistas SP; Sindicato dos Químicos SP; Sindesp e União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Da redação com informações da Arquidiocese de São Paulo

Foto de Douglas Mansur

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