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Rose Nogueira será homenageada com o Prêmio Vladimir Herzog Especial 2017

Rose Nogueira será homenageada com o Prêmio Vladimir Herzog Especial 2017


Diretora do Sindicato dos Jornalistas e histórica militante dos direitos humanos, ela recebe a premiação em solenidade no próximo 31 de outubro

Com mais de 50 anos de jornalismo, Rose Nogueira será homenageada especial do Prêmio Vladimir Herzog 2017 por suas décadas de dedicação à profissão e à luta pelos direitos humanos. O anúncio foi feito pela Comissão Organizadora do evento e a solenidade de premiação ocorre no próximo 31 de outubro, a partir das 20h, no Tucarena, na Rua Monte Alegre nº 1024, em Perdizes, zona oeste da capital paulista.

Jornalista profissional desde a década de 1960, ela está entre as poucas mulheres que iniciaram a carreira quando as empresas jornalísticas eram majoritariamente masculinas. Desde então, passou pela redação dos principais jornais e emissoras de TV do país.

Pioneira, Rose está entre as criadoras e foi diretora da TV Mulher, programa exibido pela Rede Globo na década de 1980 que se tornou referência no jornalismo ao inovar na linguagem e por tratar de temáticas, como o feminismo e sexualidade, de uma forma inédita na televisão brasileira.

Mesmo aposentada das redações, aos 73 anos ela mantém a rotina de escrever, está sempre ligada nos noticiários e, como toda repórter que se preza, segue curiosa e questionadora. Rose é conselheira fiscal do Sindicato dos Jornalistas e continua militando pelos direitos humanos como membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e do Grupo Tortura Nunca Mais-SP.

“Para quem viveu intensamente esses últimos 50 anos, fica cada vez mais claro que a história é um processo e não eventos num espaço de tempo. Isso nos dá uma visão muito clara e, ao mesmo tempo, muito emocional de tudo”, diz a jornalista.

Nessa trajetória, Rose também viu e viveu na pele o golpe de 1964. Apoiadora da Aliança Libertadora Nacional (ALN), ela chegou a abrigar em sua residência, na capital paulista, o líder Carlos Marighella. Acabou sendo presa em 1969, cerca de um mês depois de dar a luz ao seu único filho, Carlos Guilherme Clauset, o Cacá, que hoje segue os passos da mãe no jornalismo.

Depois de ser vítima de tortura física e psicológica no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), passou nove meses no Presídio Tiradentes, na chamada “Torre das Donzelas”, tendo entre as companheiras de cela a jornalista Edith Negraes e a então militante Dilma Rousseff. Em 1971, foi julgada e absolvida pela Justiça, mas a jornalista nunca deixou a luta pela condenação dos torturadores e pela verdade e justiça às vítimas do regime repressivo.

Poesia informativa

Rose Nogueira trabalhou na TV Cultura, na década de 1970, ao lado de Vladimir Herzog. Emocionada, recorda o aprendizado com o saudoso jornalista e afirma o jornalismo brasileiro na televisão deve muito ao trabalho de Herzog, sobreduto pela preocupação de Vlado com a abordagem das pautas e o direito à informação pelo telespectador.

“Vlado foi nosso professor de jornalismo cinematográfico e televisivo. Ensinou a cortar matéria, o que é uma arte na televisão e no cinema. Hoje a filmagem digital banalizou tudo, mas fiquei conhecida por não usar efeito, só corte seco. Com o Vlado aprendi a fazer da imagem uma poesia informativa e fui muito, muito amiga dele. Por isso, receber esse prêmio é tão importante”, conclui.

Leia também a entrevista exclusiva concedida pela jornalista ao jornal Unidade:  Rose Nogueira: “Nosso trabalho é informar”

Homenagem in memorian

Na solenidade de entrega da premiação, serão homenageados in memorian ao cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, que morreu aos 95 anos, em dezembro passado, na capital paulista, e ao jornalista Tim Lopes, da Rede Globo, assassinado por traficantes  enquanto investigava a exploração sexual de menores na região da favela Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, em junho de 2002.

A edição 2017 recebeu 634 inscrições em seis categorias ( leia mais), um record desde o surgimento da premiação. A divulgação dos resultados é em 9 de outubro, em sessão na Câmara Municipal de São Paulo com transmissão ao vivo pela internet, e no dia 31 de outubro é a solenidade de premiação no Tucarena.

Além do Sindicato dos Jornalistas, a Comissão Organizadora do 39º Prêmio é formada pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – ABRAJI; Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil – UNIC Rio; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP; Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB Nacional; Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo, coletivo Periferia em Movimento, Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo e Instituto Vladimir Herzog.

Serviço

39º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos
Divulgação dos resultados:
9 de outubro de 2017 (segunda-feira), das 10h às 14h, com transmissão ao vivo pela internet
Câmara Municipal de São Paulo – Sala Oscar Pedroso Horta

Roda de Conversa com os Ganhadores:
31 de outubro (terça-feira), das 14h às 18h

Solenidade de premiação:
31 de outubro (terça-feira), a partir das 20h
Tucarena – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes – São Paulo/SP

Texto e foto: Flaviana Serafim – Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

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