A cada dia, a conduta genocida de Israel na Palestina produz novas vítimas em Gaza e na Cisjordânia, a despeito de enérgicos protestos internacionais e de repetidos pronunciamentos de tribunais internacionais e de comissões da Organização das Nações Unidas (ONU), e apesar de diversos relatórios contundentes sobre as atrocidades cometidas por Israel, divulgados por respeitadas entidades e grupos de direitos humanos, a exemplo da Anistia Internacional, da Médicos Sem Fronteiras (MSF) e da organização israelense B’Tselem.
Também o Líbano, em especial, tem sido alvo frequente de bombardeios israelenses, assim como Síria e Iêmen. O Exército israelense destruiu cidades inteiras e milhares de residências no sul do Líbano, tal como procedeu e ainda procede em Gaza e na Cisjordânia.
Embora um “cessar-fogo” tenha sido declarado em outubro de 2025, o Exército de Israel continua matando palestinos e palestinas em Gaza, inclusive grande número de crianças e jovens. O número total de pessoas assassinadas em Gaza por Israel desde 7 de outubro de 2023 subiu para 73.388. Destes, 1.259 foram mortos desde 11 de outubro de 2025, primeiro dia completo do chamado cessar-fogo. O total de feridos chega a 174.259 — 4.148 desde o início do “cessar-fogo”.
Os grupos profissionais mais perseguidos por Israel, com táticas que, conforme o caso, envolvem agressões, detenção ilegal, tortura e eliminação física, são os médicos, resgatistas, trabalhadores humanitários e trabalhadores de mídia, notadamente jornalistas. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Palestinos (PJS, na sigla em inglês), até este momento foram assassinados por Israel 264 jornalistas de Gaza (inclusive mais de 30 mulheres jornalistas) — número sem precedentes na história mundial, qualquer que seja o parâmetro adotado.
Além disso, ainda segundo o PJS, 572 jornalistas sofreram ferimentos decorrentes de ataques israelenses, quarenta e um se encontram atualmente presos por Israel (e dezenas de outros já estiveram presos e foram libertados) e 150 organizações jornalísticas palestinas tiveram suas instalações destruídas por ações militares israelenses. Como os demais prisioneiros, vários jornalistas palestinos sofrem torturas e abusos nos cárceres de Israel. E o governo israelense continua a impedir a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza.
Na Cisjordânia e em Jerusalém, Israel está expandindo velozmente seu controle e presença militar e de colonos, apoderando-se de mais e mais terras pertencentes a moradores palestinos. Colonos israelenses, quase sempre protegidos por forças militares e policiais de Israel, atacam moradias e aldeias palestinas, cometem agressões e assassinatos, destroém oliveiras, roubam a produção agrícola e animais de criação de camponeses e fazendeiros palestinos. Israel está construindo o “Fio Carmesim”, uma muralha que pretende retirar os palestinos das ricas terras do Vale do Rio Jordão e entregá-las definitivamente a assentamentos ilegais de colonos israelenses.
A mídia empresarial brasileira oferece uma cobertura deficiente e enviesada dos acontecimentos no Oriente Médio e especialmente do genocídio e da “limpeza étnica” cometidos por Israel na Palestina. Designa como “terroristas” os grupos armados Hamas e Jihad Islâmica, que integram a resistência palestina (e o libanês Hezbollah), mas preserva Israel apesar de todas as atrocidades que esse estado colonialista perpetra, evitando usar os termos “genocídio” e “ocupação” para descrever a realidade dos fatos em Gaza e na Cisjordânia.
A maior parte dos grandes veículos jornalísticos do país omite as massivas manifestações de rua realizadas quase diariamente contra Israel na Europa e em diversos pontos do mundo. O sequestro em águas internacionais do Mediterrâneo, prisão e tortura de centenas de ativistas da Global Sumud Flotilha, realizados em duas ocasiões pela Marinha de Israel, foi apenas esporadicamente noticiado pelas grandes emissoras e jornais brasileiros.
Por fim, a mídia brasileira, que habitualmente recorre ao discurso da “liberdade de expressão” e da “liberdade de imprensa” para se esquivar de qualquer regulação e para defender suas próprias prerrogativas, raramente cita a carnificina de jornalistas promovida por Israel na Palestina, no Líbano e em outros países, sem falar na prisão de dezenas de jornalistas palestinos e nos abusos por eles sofridos. Sintomaticamente, sempre reservou maior espaço aos reféns israelenses do que aos milhares de palestinos e palestinas encarcerados em Israel — atualmente, cerca de 9.400, incluindo crianças.
Para aprofundar o debate sobre estas questões, nesta quinta-feira, 13 de agosto, a partir das 19 horas, será realizada a mesa “A Palestina sangra, a mídia se cala”, promovida pelo Coletivo Shireen Abu Akleh de Jornalistas Contra o Genocídio, Frente Palestina de São Paulo e Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP).
Está prevista a participação, como expositores, de Alex Delouya (Vozes Judaicas por Libertação), Kais Hussein (Federação Árabe-Palestina do Brasil), Leila Salim Leal (correspondente no Líbano), Nataniel Braia (Sindicato dos Escritores), Pedro Estevam da Rocha Pomar (SJSP), Rafael Domingos Oliveira (Unifesp) e Soraya Misleh (Frente Palestina). Dani Avelar (Coletivo Shireen Abu Akleh) fará a mediação.
O evento ocorrerá no Auditório Vladimir Herzog do SJSP, à rua Rêgo Freitas 530 (Vila Buarque), sobreloja, com entrada livre. Haverá também transmissão online (acesse aqui).


