O Exército israelense afirmou na quarta-feira ter matado um palestino “que cruzou a linha amarela” no norte da Faixa de Gaza. Tiros e bombardeios israelenses feriram quatro palestinos no bairro de Zeitoun e no campo de refugiados de Jabalia, na Cidade de Gaza, nesta quarta-feira, 15 de abril, segundo informações da WAFA. Ataques posteriores em Zeitoun destruíram várias casas no bairro.
Pelo menos 11 palestinos foram assassinados em ataques israelenses distintos na terça-feira, 14, incluindo pelo menos duas crianças, segundo a Al Jazeera. Quatro pessoas morreram, incluindo uma criança de três anos, em um ataque a um veículo policial na Cidade de Gaza. Mais tarde, a Defesa Civil informou que outro ataque israelense matou várias pessoas perto de um cruzamento no campo de refugiados de Shati, também na Cidade de Gaza. Outra pessoa foi morta por disparos israelenses em Beit Lahia.
Ainda na terça-feira, forças israelenses mataram a tiros Adam Ahmed Khalaa, de 14 anos, perto do campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza.
Na Cisjordânia, ataques israelenses a moradores e a jornalistas
Na manhã de quarta-feira, as forças israelenses demoliram uma casa e várias estruturas residenciais em Silwan e Issawiya, em Jerusalém Oriental, e agrediram diversos moradores e jornalistas estrangeiros em uma incursão no bairro de Al-Bustan.
Colonos israelenses atacaram uma família beduína perto de Jericó, na quarta-feira, na comunidade de Halq al-Rumman, tentando invadir a casa da família e causando pânico generalizado.
Na quarta-feira, as forças de segurança israelenses invadiram a sede da Associação Islâmica de Caridade de Hebron e prenderam um ex-diretor da entidade. Outros três palestinos foram detidos em Bal’a, perto de Tulkarm, durante uma incursão de 15 horas realizada pelo Exército israelense na vila, segundo a WAFA. Soldados israelenses teriam realizado extensas buscas na cidade, algemando e vendando os olhos dos jovens antes de levá-los a um “centro de interrogatório de campanha”.
Um ataque de colonos israelenses à aldeia de Tuqu’, perto de Belém, deixou três palestinos feridos na terça-feira. Segundo relatos, os colonos usaram spray de pimenta nos rostos dos palestinos enquanto tentavam roubar suas ovelhas. Outro ataque de colonos israelenses, realizado tarde da noite perto de Nablus, resultou na destruição da estrada que liga a aldeia de Duma a Khirbet al-Marajem. E em um ataque ao subúrbio de Al-Ram, em Jerusalém, uma escavadeira, supostamente pertencente às forças militares israelenses, arrasou um estábulo palestino.
Marwan Barghouti é agredido por guardas prisionais israelenses
Ben Marmarelli, advogado do prisioneiro político palestino Marwan Barghouti, relatou três agressões violentas cometidas por guardas prisionais israelenses contra seu cliente em um período de duas semanas, incluindo uma agressão brutal em 8 de abril na prisão de Ganot, durante a qual Barghouti ficou sangrando por mais de duas horas e teve atendimento médico negado, após um ataque anterior durante uma transferência de prisão e um ataque de cachorro na prisão de Megido.
Marmarelli afirmou que as agressões “configuram um padrão de abuso que se intensifica rapidamente” e colocam Barghouti “em risco iminente de ferimentos graves ou morte”, e pediu sua libertação imediata.
Apesar das negociações, Israel continua a atacar o Líbano
Pelo menos 14 civis libaneses foram mortos por ataques aéreos israelenses na quarta-feira, 15 de abril, incluindo quatro membros de uma família em Jbaa e cinco em Ansariyeh, com relatos adicionais de vítimas em Qadmus, segundo a Agência Nacional de Notícias. Um ataque com drone contra uma motocicleta em Zahrani matou uma pessoa. Bombardeios de artilharia atingiram o distrito de Bint Jbeil; e ataques foram relatados em cidades do sul do país, nas áreas entre Hallousiyeh e Zrariyeh.
O Exército israelense renovou na quarta-feira a ordem de deslocamento em massa de todos os residentes libaneses nas áreas ao sul do rio Zahrani. Intensos combates foram relatados em Bint Jbeil na terça-feira, com o avanço das forças israelenses em direção ao centro da cidade, segundo o jornal Al Mayadeen. Tiros de metralhadora e bombardeios foram ouvidos em toda a área, com as tropas agora a cerca de 500 metros do mercado principal, informou o jornal L’Orient.
Segundo a Al Jazeera, ataques aéreos em Tiro e Al-Abbasiyya na terça-feira mataram pelo menos duas pessoas. O exército israelense afirmou na quarta-feira ter atingido mais de 200 alvos no sul do Líbano nas últimas 24 horas.
Líbano e Israel realizaram suas primeiras negociações diplomáticas diretas em décadas na terça-feira, 14 de abril, em Washington (EUA). O encontro trilateral foi convocado pelo Departamento de Estado, com a participação de Marco Rubio, secretário de Estado; do embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter; da embaixadora do Líbano nos EUA, Nadeh Hamadeh, e de outras autoridades.
Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que as duas partes tiveram “discussões produtivas sobre medidas para o início de negociações diretas entre Israel e Líbano”. Os EUA também disseram que qualquer acordo de cessar-fogo “deve ser alcançado entre os dois governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não por meio de qualquer via separada”, apesar de o Líbano ter sido especificamente mencionado como parte do acordo de cessar-fogo EUA-Irã.
O Hezbollah se opôs veementemente às negociações, uma vez que Israel não cessou de matar civis libaneses em ataques indiscriminados. Os EUA fizeram questão de reiterar seu apoio ao “direito de Israel de se defender dos ataques do Hezbollah”. A delegação libanesa enfatizou sua soberania, pediu a plena implementação do cessar-fogo de novembro de 2024 e solicitou ajuda humanitária urgente.
*Resumo de matéria publicada em inglês na edição de 15 de abril da Drop Site News (confira aqui).


