As forças israelenses e os colonos continuam intensificando os ataques à Cisjordânia ocupada, com 504 atentados relatados somente na última semana, segundo a Comissão de Colonização e Resistência ao Muro. Nesta terça-feira, 11 de agosto, por exemplo, na cidade de Hebron, autoridades israelenses ordenaram a demolição de uma escola primária e de várias casas em Masafer Yatta. Na comunidade beduína de Yatta, as forças israelenses demoliram uma casa palestina e aterraram um poço de água.
Também nesta terça-feira, em Ramallah, um ataque israelense à aldeia de Al-Mughayyir deixou seis palestinos feridos, dois deles mulheres e três crianças. O Exército de Israel disparou gás lacrimogêneo contra os moradores da aldeia enquanto estes lavravam seus campos.
Autoridades israelenses demoliram sumariamente 12 armazéns em Anza na terça-feira, informou a Agência de Notícias da Palestina (WAFA). Na segunda-feira, um tribunal militar israelense condenou Ata Rmeilat-Abu Rmeileh, um oficial do Fatah de 67 anos de Jenin, a 42 meses de prisão e o multou em mais de US$ 1.650, após mantê-lo detido sem acusação por quase 3 anos e com sua saúde debilitada.
Na cidade de Nablus, as forças israelenses feriram seis palestinos durante uma incursão em Burqa na manhã de terça-feira. Em Tal, as forças de Israel realizaram uma operação na segunda-feira antes de demolir a casa de Farouq Ramadan, o palestino que, ao ser atacado no final do mês passado, conseguiu pegar a arma de um colono antes de ser morto a tiros por colonos israelenses.
O Exército israelense declarou a vila cristã palestina de Taybeh, na Cisjordânia ocupada, como zona militar fechada, alegando que a medida visa impedir a escalada dos ataques de colonos na área, segundo a emissora israelense KAN. A ordem proíbe israelenses e estrangeiros, incluindo ativistas e jornalistas, de entrarem na área. No dia 7 de agosto, sexta-feira, colonos israelenses atacaram Taybeh, uma das poucas vilas palestinas de maioria cristã restantes na Cisjordânia ocupada.
Nesta segunda-feira, 10 de agosto, o Governo de Jerusalém denunciou planos das autoridades israelenses para construir 650 novas unidades habitacionais em um terreno de 27 dunams (aproximadamente 1,6 hectare) em Jerusalém Oriental. O chamado “Comitê Distrital de Planejamento e Construção”, instituído pelas autoridades de Israel, apresentou o projeto de um novo assentamento colonial, denominado “Nofey Rachel”, situado na entrada principal do bairro de Umm Tuba, ao sul da Jerusalém ocupada, “em uma ação que ameaça restringir ainda mais o bairro e seus moradores e reforçar o controle colonial sobre a área”.
O governo local acrescenta que a ameaça do plano vai além do número de unidades habitacionais coloniais que propõe construir, já que sua localização na entrada principal do bairro deverá afetar diretamente o cotidiano dos moradores e seus deslocamentos de e para Umm Tuba, além de restringir ainda mais a expansão e o desenvolvimento urbano do bairro. Isso ocorre em um momento em que as autoridades de ocupação israelenses continuam a impor restrições rigorosas à construção palestina em Umm Tuba e a endereçar aos moradores avisos de demolição e despejo, bem como medidas relacionadas à propriedade da terra e licenças de construção, ao mesmo tempo em que facilitam projetos coloniais de grande escala que compreendem centenas de unidades habitacionais.
Netanyahu rejeita formalmente o roteiro para Gaza apoiado pelos EUA
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou formalmente um roteiro de 15 pontos para Gaza, apoiado pelos EUA e anunciado pelo presidente Trump no final de julho, afirmando que as forças israelenses não se retirarão até que o Hamas esteja “totalmente desarmado” de armas pesadas e leves.
Ele afirmou que as forças israelenses continuariam as “operações” militares em Gaza e descartou a criação de um Estado palestino tanto na Cisjordânia ocupada quanto em Gaza. “Ao contrário de todos aqueles que nos dão lições, fazemos o que precisa ser feito pela segurança de Israel, e podemos e sabemos como defender nossa posição, mesmo contra nossos melhores amigos quando necessário”, disse Netanyahu, em referência aos Estados Unidos.
Na semana passada, ministros e chefes de segurança israelenses discutiram a retomada dos ataques a Gaza para sinalizar que Israel rejeita o roteiro de 15 pontos da Fase 2, apoiado pelos EUA e aceito pelo Hamas, segundo o Times of Israel. A reportagem surge após uma pausa nos ataques aéreos israelenses nos últimos dias, embora os disparos das tropas israelenses tenham continuado, matando e ferindo palestinos. Durante a reunião, um ministro teria descrito o roteiro como um “7 de outubro diplomático”.
O Hamas afirmou em comunicado que mantém seu compromisso com o roteiro de 15 pontos para Gaza, acordado com mediadores e supervisionado pelos EUA. Reiterou que suas prioridades são o fim dos ataques israelenses, a retirada de Israel da Faixa de Gaza, a reabertura das passagens de fronteira e a entrada de ajuda humanitária e materiais para abrigo.
Basem Naim, alto funcionário do Hamas, disse sobre a posição do grupo que este “espera que os mediadores e o garante americano pressionem Netanyahu e seu governo a aderirem ao roteiro e a não obstruírem o processo por razões políticas e eleitorais internas”.
Nickolay Mladenov, Alto Representante do Conselho de Paz de Gaza, afirmou no domingo, 9 de agosto, que as forças israelenses iniciarão uma retirada gradual somente após todas as armas em todos os setores de Gaza — incluindo armas pesadas, leves, policiais e pessoais — serem entregues e “tornadas inutilizáveis”, contradizendo o plano originalmente divulgado pelo Conselho e aceito pelo Hamas. O plano inclui um processo paralelo de armazenamento de “armas pesadas” pela resistência palestina, em paralelo a uma retirada gradual por parte de Israel.
“Ninguém é obrigado a fazer nada, muito menos Israel”, antes que isso aconteça e seja verificado, disse ele. Nas mesmas declarações, Mladenov afirmou falsamente que, “atualmente”, Israel não tinha território “além da Linha Amarela”. A demarcação original deixou Israel controlando aproximadamente 52% de Gaza. Autoridades israelenses agora dizem abertamente que seu Exército controla cerca de 70%.
Israel aprova projeto “Rafah Verde”, zona de “moradia temporária”
O primeiro-ministro Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, aprovaram discretamente as obras de infraestrutura para “Rafah Verde”, uma zona residencial no lado controlado por Israel da Linha Amarela de Gaza, informou a Rádio do Exército israelense nesta segunda-feira.
“Rafah Verde” foi anunciado como um projeto piloto apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, afirmando que ele oferecerá moradia temporária para palestinos “livres” da influência do Hamas. Os trabalhadores palestinos no local estarão sujeitos a intensa vigilância do Shin Bet, e regras rígidas foram anunciadas para as residências no local.
Drop Site já havia relatado planos para uma zona “residencial” para palestinos em Rafah, que conteria e controlaria seus moradores por meio de vigilância biométrica, postos de controle, monitoramento de compras e outras medidas. Leia aqui.
Israel mantém os restos mortais de aproximadamente 1.700 palestinos para possível uso em futuras trocas, apesar de nenhum israelense estar sendo mantido em cativeiro por grupos de resistência palestinos. A informação foi publicada pelo jornal israelense Haaretz, que citou duas fontes de segurança. O chefe do Shin Bet, David Zini, e os militares israelenses supostamente apoiam a retenção dos corpos como forma de lidar com a eventual captura ou desaparecimento de israelenses. Muitos dos corpos de palestinos estão armazenados em congeladores em instalações militares. Pelo menos 13 dos corpos são de cidadãos palestinos de Israel, observou o jornal.
Craig Mokhiber, ex-funcionário de direitos humanos da ONU, afirmou que a ONU precisa “limpar a casa”, depois que uma investigação de Drop Site revelou que Yahav Lichner, alto funcionário do Unicef, compartilhou repetidamente informações confidenciais da ONU com autoridades israelenses durante o período em que atuou no Fundo de População das Nações Unidas, em 2014 e 2015.
Mais tarde, Lichner atuou como assessor sênior de Sigrid Kaag enquanto ela coordenava a ajuda humanitária a Gaza. Kaag, por sua vez, liderou a presença da ONU na Palestina e atualmente integra o conselho executivo do “Conselho de Paz” EUA-Israel. Segundo informações, Lichner foi afastado administrativamente após a publicação da investigação de Drop Site.
James Smith, médico da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) que trabalha em Gaza, descreveu o “efeito lento e cumulativo da privação fabricada” na Faixa de Gaza ao Channel 4 do Reino Unido na segunda-feira, enquanto Israel continua a restringir a entrada de itens essenciais em Gaza. “Ainda assim, cerca de 3.000 crianças são admitidas mensalmente em programas de tratamento de desnutrição aguda”, observou Smith. A entrevista completa está disponível aqui.
Mohamed Ahmed, colaborador de Drop Site, conversou com parentes de Saba Al-Hashash, uma menina palestina de 13 anos morta em Khan Younis no último sábado, 8 de agosto. “Na quinta-feira passada foi o aniversário da morte da irmã dela, e hoje a segunda irmã foi martirizada”, disse um deles a Ahmed. A mãe de Al-Hashash disse que a filha foi baleada quando ia recitar o Alcorão. “Todos na mesquita eram crianças, não mais velhas que 15 anos, assim como a professora”, disse ela. “Por que atacar crianças? Eles não sabem para onde estão atirando?” Assista às reportagens em vídeo de Ahmed aqui e aqui.
*Texto resumido e adaptado das edições de 10 e 11 de agosto de Drop Site News (confira aqui e também aqui).


