JORNAIS E REVISTAS DA CAPITAL

NOSSAS RAZÕES PARA ENTRARMOS EM ESTADO DE GREVE NO PRÓXIMO DIA 17

Carta aberta das e dos jornalistas de jornais e revistas da capital às empresas

Reunidas e reunidos em assembleia no dia 13 de agosto, jornalistas do segmento de jornais e revistas da capital, após tomarem ciência da atitude de intransigência e insensibilidade da bancada patronal na mais recente negociação referente à atual campanha de data-base, decidiram:
1) entrar em estado de greve a partir de segunda-feira, 17 de agosto; e
2) dirigir a presente carta aberta às empresas para reafirmar, uma vez mais, as reivindicações — que acreditam ser justas e necessárias — de valorização salarial e de dignidade das condições de trabalho.

Sabemos que o modelo de negócio do jornalismo passou por profundas transformações nos últimos anos. Mas também sabemos que as empresas se adaptaram e estão conseguindo encontrar formas de estabilizar suas contas. Algumas delas chegaram a firmar parcerias multinacionais no tocante à inteligência artificial generativa, abrindo novas possibilidades de receita. Nessas transformações, são os trabalhadores que estão na linha de frente, produzindo em novos formatos, não raramente acumulando funções e tarefas, e garantindo que o conteúdo jornalístico continue sendo o principal patrimônio de suas empresas.

E 2026 é um ano em que o jornalismo terá um papel fundamental. A população precisará de informação de qualidade para acompanhar o processo eleitoral que se aproxima. As redações e seus jornalistas, portanto, terão responsabilidade ainda maior perante a sociedade.

É nesse contexto que consideramos imprescindível que o reajuste do piso salarial da categoria seja maior que a inflação. Uma parcela expressiva de trabalhadoras e trabalhadores jornalistas, especialmente jovens, chega às redações recebendo o piso, e depois permanece durante anos nessa condição. Valorizar o piso, portanto, significa reconhecer quem está na base das redações — e garantir que o jornalismo seja uma profissão com perspectiva de futuro e dignidade.

Nesse sentido, também é justo e necessário garantir que todos os salários sejam reajustados sem cortes por faixas. Não podemos aceitar que uma parte da categoria acumule perdas salariais pelo simples fato de receber salários mais altos, pois tais vencimentos apenas refletem sua trajetória profissional nas respectivas empresas. Afinal, a inflação ataca o poder aquisitivo da totalidade do segmento de jornalistas de jornais e revistas da capital. Assim, impor cortes por faixa achata os salários, desestimula as redações, e enfraquece a perspectivas de construção de carreiras na profissão.

A categoria já demonstrou disposição para o diálogo em inúmeras ocasiões. Porém, diante da postura intransigente das empresas, que insistem em apenas repor o índice de inflação — e mesmo isso somente para uma parte da categoria, pois ainda pretendem impor perdas para salários maiores —, a assembleia realizada neste 13 de agosto deixou uma mensagem contundente: a categoria está organizada e disposta a lutar.

Tanto é que, por decisão unânime, foi aprovado o estado de greve a partir do dia 17 de agosto. Se não houver avanços concretos nas negociações, trabalhadoras e trabalhadores jornalistas de jornais e revistas da capital voltarão a se reunir para deliberar sobre uma eventual paralisação.

Esperamos que as empresas compreendam a robustez e a legitimidade dessas reivindicações e que apresentem uma proposta que permita avançar para um acordo justo, que valorize o trabalho jornalístico e garanta dignidade profissional para toda a categoria.


AUMENTO REAL NOS PISOS!
CHEGA DE FAIXAS SALARIAIS DE REAJUSTE!

Jornalistas de jornais e revistas da capital de São Paulo
14 de agosto de 2026

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