Reunidas e reunidos em assembleia no último dia 31 de agosto, segunda-feira, profissionais que trabalham nas empresas de Rádio e Televisão do estado de São Paulo discutiram e aprovaram a pauta de reivindicações para a Campanha Salarial 2026.
O documento consiste em uma proposta de Convenção Coletiva de Trabalho que busca garantir avanços nos direitos da categoria, com o aprimoramento de cláusulas já existentes e a inclusão de novas garantias. Entre elas está o retorno da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). Caso não estabeleçam o programa referente ao exercício de 2026, a categoria reivindica que as empresas deverão pagar multa de um salário nominal aos jornalistas.
Na questão salarial, a categoria aprovou a reivindicação de reajuste correspondente à inflação acumulada no período, a ser divulgada pelo IBGE, acrescida de 7% de ganho real. A mesma fórmula foi aplicada à proposta de atualização do piso salarial, apresentado de maneira unificada e sem distinção de valores salariais entre municípios.
Entre as demais reivindicações aprovadas estão o aumento do vale-refeição para R$ 45, com fornecimento de 26 unidades mensais, inclusive durante férias, afastamentos e para profissionais em teletrabalho. Empresas que contam com restaurante próprio também devem disponibilizar o benefício, segundo o texto enviado.
Outro eixo importante é a jornada de trabalho. A proposta estabelece regras mais claras para o controle de horários e veda a implementação de banco de horas por acordo individual. A pauta busca ainda ampliar direitos: pela proposta, a cada final de semana completo trabalhado, o jornalista terá direito à folga de três finais de semana completos subsequentes. Com a discussão sobre a PEC do fim da escala 6 por 1, o debate sobre a diminuição da jornada de trabalho, sem redução de salário, será um dos temas centrais desta Campanha Salarial.
A categoria propõe também a criação de um grupo de trabalho específico sobre inteligência artificial, a ser instalado em até 30 dias após a assinatura da Convenção Coletiva, para discutir a utilização dessas ferramentas nas empresas e garantir que sua adoção não resulte em prejuízos aos empregos, aos direitos dos trabalhadores ou à qualidade da informação jornalística.
“Nossa pauta sintetiza as principais lutas das e dos profissionais de Rádio e TV, tanto no aspecto econômico quanto nas condições concretas de trabalho. Queremos avançar nos direitos e abrir uma discussão sobre aquilo que impacta as redações, como o aumento da pressão por resultado e a precarização causada pela redução de postos de trabalho e pelo avanço de ferramentas como a IA. É fundamental que as empresas iniciem as negociações desde já, para que possamos construir uma Convenção Coletiva que represente avanços para toda a categoria”, afirma Thiago Tanji, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.


