O número total de palestinos e palestinas assassinados por Israel em Gaza desde 7 de outubro de 2023 subiu para 73.470, havendo também 174.540 pessoas feridas. Desde 11 de outubro de 2025, o primeiro dia completo do chamado “cessar-fogo”, Israel matou pelo menos 1.334 palestinos e palestinas em Gaza e feriu 4.429, enquanto 815 corpos foram recuperados dos escombros.
Nesta quarta-feira, 2 de setembro, um menino palestino foi morto e outra pessoa ficou ferida em um ataque israelense na área de Al-Hawja, no campo de refugiados de Jabalia, no norte de Gaza, segundo a WAFA. No centro de Gaza, uma mulher de 51 anos morreu em decorrência de ferimentos decorrentes de um ataque de Israel realizado no dia anterior.
Na área de Al-Katiba, no oeste da Cidade de Gaza, outro ataque matou quatro pessoas, incluindo duas crianças e uma mulher, e feriu oito, na terça-feira. Famílias estavam reunidas na área para coletar água. “O caminhão-pipa chegou e começamos a encher nossos recipientes, nós e nossos filhos”, disse Faiza Al-Bahtini, tia de uma das crianças mortas, a Mohamed Ahmed, de Drop Site. “Então ouvimos tiros vindos de todas as direções. Depois disso, chegaram os veículos, os israelenses começaram a bombardear e o massacre aconteceu”.
Os militares israelenses alegaram que estavam visando o chefe do aparato de segurança interna do Hamas em Gaza e que os ataques foram realizados para “eliminar ameaças”. Abu al-Abd, uma testemunha ocular que estava enchendo um reservatório de água com seus quatro filhos, disse: “Qual o crime de uma criança encher um recipiente de água? Porque uma criança estava enchendo um recipiente de água, Netanyahu atirou nela. O que essas crianças fizeram para você?”.
Netanyahu vai à “linha amarela” em Gaza e faz provocações
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visitou um posto militar israelense perto da “linha amarela” em Gaza nesta quarta-feira, 2. Em uma publicação na rede social X acompanhada de um vídeo em hebraico, Netanyahu afirmou: “Hoje controlamos a área e mantemos esta linha. Temos mais trabalho a fazer e o faremos — até que o Hamas seja desarmado e Gaza seja desmilitarizada. Gaza não representará mais uma ameaça para Israel!”.
“Controlamos 60% da Faixa e não vamos parar, porque estamos eliminando os terroristas que nos ameaçam, e fazemos isso dia após dia. Ontem capturamos o chefe da segurança interna do Hamas”, acrescentou Netanyahu em comunicado divulgado por seu gabinete, em referência a Muein al Arabid, segundo informou a agência SWI.
O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou nesta quarta-feira que o governo tem planos para remover os habitantes de Gaza, mas está esperando que os Estados Unidos decidam para onde levá-los. “Em última análise, não existe uma verdadeira solução para Gaza sem esta migração”, declarou o ministro durante uma conferência organizada pelo site de notícias israelense Ynet e pelo jornal Yedioth Ahronoth. O governo israelense “está organizado e preparado para retirá-los de lá, por mar, por ar, por qualquer meio possível”, completou Katz.
O Hamas, por sua vez, afirmou que realizou negociações com mediadores e com Nickolay Mladenov, Alto Representante do Conselho de Paz, e condenou os ataques israelenses a Gaza que mataram e feriram palestinos. O grupo palestino instou os mediadores e garantes do cessar-fogo a “exercerem a máxima pressão” sobre o governo israelense para que cesse os ataques, alegando que Israel está adotando “medidas deliberadas de escalada” com o objetivo de minar o cessar-fogo e os esforços para concluir sua implementação.
Nesta terça-feira, 1o de setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a aproximação da estação chuvosa pode agravar a crise de saúde pública em Gaza, com inundações ameaçando espalhar esgoto, lixo e água contaminada pelos campos de deslocados superlotados. A contaminação microbiológica em amostras de água testadas quase triplicou este ano, enquanto os casos de diarreia aquosa aguda aumentaram de cerca de 27 mil em março para mais de 48 mil em agosto.
A OMS apelou à “entrada desimpedida e célere de suprimentos humanitários” para evitar uma maior deterioração da situação, uma vez que Israel continua a restringir a entrada de bens essenciais em Gaza.
O Departamento de Justiça dos EUA anunciou nesta quarta-feira que o FBI apreendeu mais de US$ 560 mil em doações em criptomoedas que, segundo o departamento, eram destinadas ao Hamas. Afirmou ainda que as autoridades assumiram o controle de domínios da web e plataformas de comunicação supostamente usadas para arrecadação de fundos e recrutamento, e obtiveram informações sobre milhares de pessoas que, segundo o departamento, entraram em contato com o Hamas buscando doar dinheiro.
Israelenses continuam a devastar implacavelmente a Cisjordânia
Demolições, destruição de terras, detenções e ataques de colonos israelenses continuam por toda a Cisjordânia ocupada. Em Hebron, as forças israelenses demoliram cerca de 10 estruturas na vila de Al-Tabban, em Masafer Yatta, incluindo casas de lata, quartéis, currais de ovelhas e poços de água, informou a WAFA. Os moradores foram impedidos de retirar seus pertences antes do início das demolições.
O Exército de Israel deteve o prefeito de Deir Ballut e outros três palestinos enquanto estavam em terras agrícolas a oeste da cidade, nesta quarta-feira, 2. Há quatro dias consecutivos, tratores israelenses vêm arrasando terras e arrancando centenas de oliveiras na área para construir uma estrada para um assentamento. Também em Arraba, a sudoeste de Jenin, militares israelenses continuaram a arrasar terras agrícolas e a arrancar árvores pelo segundo dia consecutivo. O prefeito de Arraba disse que cerca de 223 dunams (55 acres) estão sendo devastados por tratores.
Colonos israelenses atacaram a área leste de Beita, ao sul de Nablus, na madrugada de quarta-feira e incendiaram dois veículos palestinos estacionados em frente a residências.
As autoridades israelenses demoliram, na quarta-feira, um prédio residencial de três andares no bairro de Al-Bustan, em Silwan, Jerusalém Oriental. O edifício, com aproximadamente 500 metros quadrados, abrigava quatro residências.
Israel intensificou as restrições a locais sagrados islâmicos em agosto, com 26 incursões na Mesquita de Al-Aqsa e 155 bloqueios de chamados à oração na Mesquita de Ibrahimi, em Hebron, segundo o Ministério de Doações e Assuntos Religiosos da Palestina. O ministério também documentou restrições a fiéis, incursões de colonos em Al-Aqsa e ataques a mesquitas e santuários islâmicos em outros locais da Cisjordânia ocupada.
Professores de escolas particulares e cristãs na Jerusalém Oriental ocupada iniciaram uma greve por tempo indeterminado na terça-feira, 1o de setembro, no início do ano letivo, em protesto contra a exigência de Israel de que todas as novas turmas do primeiro e sétimo ano em escolas municipais de maioria palestina utilizem exclusivamente o currículo israelense, segundo a Al Jazeera. A mudança afetará mais de 45.000 estudantes, ou um em cada três estudantes palestinos na cidade.
Israel também bloqueou, sem aviso prévio, as autorizações de entrada de mais de 70 professores e funcionários da Cisjordânia, de acordo com a Secretaria Geral para Instituições Educacionais Cristãs em Jerusalém, que classificou a reversão abrupta como “sem precedentes”. Uma lei do parlamento israelense aprovada no início deste ano, que proíbe a contratação de professores portadores de diplomas emitidos pela Autoridade Palestina, agrava a crise, uma vez que cerca de 60% dos educadores árabes de Jerusalém Oriental possuem tais diplomas.
*Resumo da edição de Drop Site News de 2 de setembro de 2026 (acesse aqui a publicação original em inglês).


