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Israel assassina a jornalista libanesa Amal Khalil, que já havia sido ameaçada de morte pelo Exército israelense em 2024

Redação SJSP*

A jornalista Amal Khalil morreu nesta quarta-feira, 22 de abril, após ficar presa sob escombros em decorrência de ataques aéreos israelenses no sul do Líbano, segundo a emissora libanesa Al-Jadeed TV.

O ataque atingiu a estrada que liga al-Tiri a Haddatha, bloqueando o acesso de resgate a Khalil e a outra jornalista, Zeinab Faraj. Zeinab foi posteriormente resgatada e levada a um hospital, onde passou por cirurgia. A Cruz Vermelha Libanesa recuperou o corpo de Khalil, confirmando seu falecimento.

As duas jornalistas, Amal e Zeinab, estavam “ilhadas” após os ataques aéreos israelenses, apesar do cessar-fogo em vigor. De acordo com a Agência Nacional de Notícias do Líbano e um apelo amplamente divulgado por jornalistas nas redes sociais, um bombardeio aéreo de Israel atingiu a principal estrada que liga al-Tiri a Haddatha, para bloquear o acesso de ambulâncias.

As forças israelenses impediram que tanto a Cruz Vermelha Libanesa quanto o exército libanês chegassem até elas. Tudo isso ocorreu apesar de um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano, que entrou em vigor à meia-noite entre quinta e sexta-feira (16 e 17 de abril), após semanas de intensificação dos combates transfronteiriços em meio à guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.

Reportando de Tiro, no sul do Líbano, Heidi Pett, da Al Jazeera, disse que as duas jornalistas do veículo de comunicação local Al Akhbar viajaram até o local do primeiro ataque em At-Tiri.

“Amal Khalil e Zeinab Faraj foram ao local de um ataque anterior com drone israelense contra um carro, que teria matado dois civis na cidade de At-Tiri”, relatou Pett. “Durante várias horas… a Cruz Vermelha e equipes de resgate tentaram entrar em contato com as duas jornalistas. Não conseguiram por um longo período devido aos contínuos ataques israelenses na área”.

O Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), entidade sediada em Nova Iorque, revelou-se alarmado com relatos de que Amal havia recebido do Exército de Israel uma ameaça de morte direta em setembro de 2024, “o que levanta sérias preocupações sobre um possível ataque deliberado”.

O último contato com Khalil foi por volta das 16h10, segundo notícias e colegas com quem o CPJ conversou, quando ela ligou para sua família e para o exército libanês.

“A Cruz Vermelha teve acesso limitado ao local, que permanece sob fogo ativo, mas conseguiu evacuar Faraj, que teria sofrido ferimentos graves na cabeça, e outros dois civis que morreram, antes de ser forçada a se retirar devido aos bombardeios contínuos e aos disparos diretos contra as equipes e veículos de resgate, de acordo com notícias”, relatou o CPJ durante a tarde, antes que se soubesse da morte de Amal.

Em entrevista à Al Jadeed TV, a presidenta do Sindicato dos Jornalistas do Líbano, Elsy Moufarrej, acusou as forças israelenses de alvejarem Amal Khalil deliberadamente, considerando a ameaça de morte enviada por mensagem de texto em setembro de 2024 contra ela.

Elsy Moufarrej apelou ao governo libanês e aos organismos internacionais para que tomem medidas urgentes contra o que ela chamou de “crimes de guerra israelenses não investigados e repetidos contra jornalistas”.

A diretora regional do CPJ, Sara Qudah, também responsabilizou Israel: “Os ataques repetidos no mesmo local, o direcionamento a uma área onde jornalistas estavam abrigados e a obstrução do acesso médico e humanitário constituem uma grave violação do direito internacional humanitário”.

*Com informações da Agência Xinhua, Al Jazeera e CPJ.

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