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Greve dos jornalistas da IstoÉ Publicações completa uma semana. SJSP busca liquidante para tentar desbloqueio de verbas para pagamento aos trabalhadores

Sem qualquer manifestação por parte da empresa, jornalistas da IstoÉ permanecem em greve e lutam pelo pagamento dos salários atrasados
Redação - SJSP

A revista IstoÉ já foi um dos principais semanários do Brasil. Do alto de seus 50 anos de existência, a publicação vive hoje o seu ponto mais crítico. Fora do ar há mais de uma semana e com seus trabalhadores em greve, o veículo aparenta ter sido abandonado por seus próprios donos, como um ativo que perdeu seu valor.

Jornalistas da IstoÉ Publicações, empresa dona das marcas IstoÉ, Dinheiro, Gente, Motor Show, Planeta, Menu e Dinheiro Rural entraram em greve na última quinta-feira (14), após assembleia realizada de forma híbrida pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP). A greve foi deflagrada após constantes atrasos de salários e da falta de pagamentos de benefícios por parte da empresa.

Apesar da greve, o colapso era iminente. Na quarta-feira (13) o bloqueio das contas da empresa impediu com que os trabalhadores acessassem os serviços das plataformas Google e WordPress. Os e-mails profissionais e outras ferramentas essenciais para o desenvolvimento do trabalho diário também ficaram bloqueadas por falta de pagamento. Os sites permanecem sem atualização, e alguns estão fora do ar desde então.

Os jornalistas decidiram na última assembleia (18) pedir uma reunião emergencial diretamente com o liquidante extrajudicial, Dr. Cássio Haig. O objetivo do encontro seria buscar informações e tentar avançar no desbloqueio de verbas para o pagamentos dos trabalhadores, explicando o caráter emergencial do pedido. A reunião sobre a situação foi agendada para hoje (20), com a presença do departamento jurídico do Sindicato.

A atual situação dos jornalistas das publicações beira o insustentável. Os trabalhadores em regime de CLT estão há 13 dias com os salários atrasados. Para os Pjs, a situação é ainda mais alarmante: o último ordenado caiu em março. Acumulam-se ainda a falta de pagamento dos benefícios, como o vale alimentação, atrasado há um mês, férias e do depósito do FGTS.

O colapso da IstoÉ Publicações acontece na esteira da liquidação extrajudicial, decretada pelo Banco Central, da Entrepay Instituição de Pagamentos, do empresário Antônio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, e de outras duas empresas: a Acqio e a Octa. As empresas não têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que obrigou o Banco Central a bloquear todos os ativos ligados às instituições financeiras, inclusive contas de seus atuais e antigos administradores. Não houve bloqueio nas contas da IstoÉ Publicações. Contudo, o que se supõe é que o bloqueio de contas ligadas às empresas em solvência tenha afetado diretamente a IstoÉ, impedindo o pagamentos de seus trabalhadores.

A briga agora é contra o tempo. Após semanas sem comunicação com os sindicatos, a direção da editora se pronunciou. Desde o dia 12 de maio representantes da empresa se comprometeram a liberar dos fundos bloqueados uma parte para os salários e benefícios atrasados. A promessa inicial era que os pagamentos seriam regularizados na sexta-feira (15), o que não aconteceu. Deste então, absolutamente nenhuma comunicação oficial foi realizada pela empresa, deixando os trabalhadores e o Sindicato sem perspectiva sobre a situação.

Uma nova assembleia dos trabalhadores está marcada para hoje (20), às 18 horas, após a reunião com o liquidante. O principal sentimento entre os envolvidos é de completo abandono, por parte da empresa, da marca, com mais de 50 anos de história no jornalismo, e de seus trabalhadores, as principais vítimas nesse processo até o momento.

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