Ataque dos EUA e Israel ao Irã é criminoso e repugnante

Nossa categoria deve reafirmar seu compromisso com a livre circulação de informações diante das posições editoriais unilaterais dos donos dos meios de comunicação
SJSP

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vêm a público para manifestar seu mais veemente repúdio aos brutais e covardes ataques militares que vêm sendo desfechados por Israel e pelos EUA, desde o último sábado, 28 de fevereiro, contra a República Islâmica do Irã.

Entre as centenas de vidas humanas perdidas, destroçadas pelos bombardeios perpetrados pelas forças armadas israelenses e estudunidenses, destacam-se as de mais de 150 meninas alvejadas numa escola feminina da cidade iraniana de Minab, bem como a do líder Ali Khamenei, morto em seu gabinete de trabalho, a do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad e a de outras importantes lideranças do Irã.

A política adotada por Israel e EUA de ataques deliberados a alvos civis, bem como a de assassinatos seletivos de lideranças políticas, são particularmente repugnantes. A alegação de que o ataque foi “preventivo” é inteiramente infundada, pois não havia qualquer evidência de que o Irã estava prestes a atacar qualquer desses países. Muito ao contrário, o Irã estava participando de negociações com os EUA a respeito do programa nuclear iraniano.

SJSP e Fenaj chamam a atenção das e dos jornalistas para o fato de que é totalmente hipócrita a justificativa para essa guerra frequentemente apresentada por EUA, Israel e aliados seus — nos governos e na mídia — de que o regime iraniano é ditatorial e opressivo.

Primeiro porque diversos desses aliados são, eles próprios, ferozes ditaduras. Segundo, porque nos EUA o governo Trump vem atacando a democracia diariamente, e a própria agressão militar ao Irã deixou de ser submetida à aprovação do Congresso, como apontam vários parlamentares dos partidos Democrata e Republicano. Terceiro porque Israel é um estado sionista delinquente, colonial e terrorista, responsável pelo pavoroso genocídio em Gaza e pela ilegal anexação e limpeza étnica em curso na Cisjordânia e em Jerusalém.

O Irã foi atacado e tem o direito de se defender, inclusive, à luz do direito internacional. Por essa razão, não são aceitáveis nem razoáveis certas declarações contrárias às ações militares do Irã contra Israel e contra países da região que abrigam bases militares dos EUA.

Além de injusta e covarde, a guerra comandada por Trump e Netanyahu — por sinal, na sequência da criação do suposto “Conselho de Paz” — agrava as tensões mundiais e pode acarretar uma conflagração regional devastadora, de consequências imprevisíveis. Ela revela o grau de irresponsabilidade e banditismo do imperialismo norte-americano e de seu principal cúmplice no Oriente Médio, que é Israel, que desacata sistematicamente as decisões da ONU e dos tribunais internacionais.

Nesse contexto, é fundamental que jornalistas reafirmem seu compromisso profissional com a livre circulação de informações e com o direito da sociedade de conhecer os fatos em sua complexidade. Não é aceitável que empresas de comunicação, guiadas por interesses econômicos ou alinhamentos políticos de seus donos, imponham linhas editoriais que silenciam vozes, ocultam informações relevantes ou desconsideram deliberadamente o outro lado do conflito. A cobertura jornalística não pode se transformar em instrumento de propaganda de guerra nem em mera reprodução de versões oficiais difundidas por governos e potências militares.

O SJSP e a Fenaj aplaudem a resistência do Irã e de seu povo em sua luta por dignidade e soberania diante do ataque imperialista-sionista, e esperam que as pressões internacionais contribuam para que EUA e Israel recuem em seus propósitos e suspendam as agressões militares em curso.

São Paulo, 2 de março de 2026

SJSP
Fenaj

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