Israel prossegue na escalada de ataques aéreos em Gaza, assassinando sete civis e ferindo 14 em café à beira-mar

Drop Site News e The Palestine Chronicle*

Um ataque israelense a um café à beira-mar na Cidade de Gaza nesta terça-feira, 18 de agosto, matou sete palestinos e feriu 14, numa contagem preliminar. Após o ataque, enquanto uma criança segurava aberta uma sacola plástica preta, um homem recolhia partes de corpos e as colocava dentro. Sangue podia ser visto pingando da borda elevada do café diretamente para o mar abaixo. Mohamed Ahmed, de Drop Site, enviou reportagens em vídeo do local do ataque ao porto, disponíveis aqui e aqui.

O Exército de Israel alegou que visou “vários comandantes do Hamas” que “planejavam realizar ataques terroristas”, mas não forneceu nomes ou evidências que sustentassem sua alegação.

A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) condenou o que descreveu como “massacre do porto”, afirmando que o ataque demonstrou o desrespeito de Israel pelo acordo de cessar-fogo e representou uma tentativa israelense de impor novas realidades tanto no terreno quanto na arena política.

A FPLP argumenta que a cobertura política dos EUA e a ausência de pressão internacional significativa estão encorajando o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a continuar com as operações de bombardeio e assassinato, violar acordos e impor medidas que servissem aos objetivos israelenses em Gaza.

Pelo menos nove palestinos foram mortos e 15 ficaram feridos na quarta-feira, 19, num ataque aéreo israelense contra a sede da polícia civil na Cidade de Gaza, segundo o Ministério do Interior de Gaza. O ataque ocorreu em horário de pico, no meio do dia, e próximo a um parque municipal movimentado. Imagens de Mohamed Ahmed mostram o ataque ao prédio da polícia, com ambulâncias chegando e pessoas correndo para socorrer mortos e feridos, incluindo uma mulher e uma criança.

“Todos os dias dizemos: ‘Amanhã há esperança. Ainda há esperança’, enquanto o número de mártires continua a aumentar. Que as pessoas se compadeçam de nós. Ontem foi o porto. Hoje, o parque municipal, cheio de crianças. Todos os dias, eles se vingam de nós”, disse Abu Al-Baha, que testemunhou o bombardeio israelense. No campo de refugiados de Nuseirat, o ataque a uma motocicleta matou um palestino.

O Ministério do Interior de Gaza afirmou que os ataques israelenses contra a polícia civil têm como objetivo enfraquecer a força policial e “espalhar o caos na sociedade palestina”.

O Hamas rejeitou a alegação do Exército israelense de que líderes da resistência foram alvejados, classificando-a como “infundada”. O grupo afirmou que o ataque — ocorrido após recentes reuniões do Hamas com mediadores e com Jared Kushner, membro do “Conselho da Paz”, com o objetivo de avançar no acordo de cessar-fogo — demonstra que o governo Netanyahu está deliberadamente tentando minar esses esforços.

O Hamas pediu aos mediadores, em especial ao governo Trump, que tomem medidas imediatas para conter a escalada do conflito e pressionar Israel a cumprir o acordo.

Desde o início do cessar-fogo, Israel permitiu a entrada de apenas 35% da ajuda humanitária mínima acordada, com uma média de 211,8 caminhões por dia, contra os 600 exigidos, conforme documento compartilhado pelas autoridades palestinas com mediadores no domingo. No dia 18, uma menina palestina morreu devido à desnutrição grave.

De acordo com a Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), 74.200 crianças na Faixa de Gaza precisam de tratamento para desnutrição aguda até abril de 2027, incluindo mais de 11.400 casos graves. Sem ajuda contínua, quase 1,9 milhão de palestinos poderão enfrentar insegurança alimentar aguda até dezembro.

Gaza permaneceu o lugar mais perigoso do mundo para trabalhadores humanitários em 2025 pelo terceiro ano consecutivo, com 186 mortos em ataques israelenses, apesar do cessar-fogo declarado em outubro, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em um comunicado para marcar o Dia Mundial da Ajuda Humanitária. 68% dos mortos em Gaza faleceram em bombardeios aéreos.

Mohamed Awad, jornalista de Drop Site, está sob prisão administrativa

Forças israelenses e colonos realizaram pelo menos 467 ataques contra palestinos na Cisjordânia ocupada em uma semana, segundo o gabinete do primeiro-ministro palestino. Pelo menos 75 casas e estruturas palestinas foram demolidas, informou o gabinete, classificando os ataques como uma “escalada implacável de violência, desapropriação e destruição”.

O jornalista Mohamed Awad, colaborador de Drop Site, foi colocado em prisão administrativa pelas autoridades israelenses, segundo o jornalista Mutassem Saqf Al-Hait. Awad foi preso em sua casa na vila de Beitunia, perto de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, em 12 de agosto, pelo Exército israelense. A detenção administrativa é um mecanismo legal que permite às autoridades israelenses prender palestinos indefinidamente, sem acusação formal ou julgamento.

As forças israelenses detiveram pelo menos 30 palestinos em incursões realizadas em toda a Cisjordânia ocupada entre a noite do dia 18 e a manhã de 19, de acordo com a Sociedade de Prisioneiros Palestinos, enquanto as autoridades israelenses e os colonos realizavam apropriações de terras, expansão de postos avançados e o cerco contínuo a casas palestinas. Entre os detidos estava o jornalista Abdulrahman Hassan, de Belém, enquanto as forças israelenses prenderam separadamente o ministro palestino de Assuntos de Jerusalém após invadirem sua casa em Silwan.

Forças israelenses balearam e feriram gravemente um palestino durante uma incursão na noite de terça-feira no campo de refugiados de Al-Amari, em Al-Bireh, na região central da Cisjordânia, segundo o Centro de Informação Palestino.

As autoridades israelenses declararam aproximadamente 1.152 dunams (285 acres) de terra em Sinjil, Al-Lubban al-Sharqiya e Qaryut como “propriedade do Estado” para expandir o assentamento de Karmei Oz, informou a Comissão de Colonização e Resistência ao Muro.

Pelo segundo dia consecutivo, colonos israelenses bloquearam estradas em Beit Imrin, a noroeste de Nablus, isolando famílias e impedindo o acesso de agricultores às suas terras, em meio a uma tentativa de construir um novo assentamento nas proximidades. Os colonos, apoiados pelas forças israelenses, também continuaram a sitiar três casas palestinas na área de Ras Al-Ain, em Qusra, pelo 11º dia consecutivo.

O palestino Ahmed Al-Hatnawi, de Jenin, disse à Rádio Al-Shams que as forças israelenses gravaram o número “44” em sua testa e braço após detê-lo durante uma operação em Qabatiyah, informou o jornal israelense Haaretz. “Como se fôssemos animais e feras”, disse ele, descrevendo a prática como uma humilhação deliberada. Al-Hatnawi afirmou que as forças israelenses o levaram para um local improvisado de interrogatório, o interrogaram por cerca de duas horas e o ameaçaram.

*Resumo das respectivas edições de 19 de agosto (confira aqui) e de 18 de agosto (aqui).

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