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Em defesa da cartunista Marília Marz

Redação SJSP

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) vem a público manifestar seu apoio e solidariedade à cartunista Marília Marz, alvo de diversos ataques nas redes sociais desde o último sábado, dia 9, em razão da publicação, no jornal Folha de S. Paulo, de uma charge de sua autoria que faz alusão aos supersalários recebidos por magistrados.

Nas postagens em questão, a charge foi retirada de contexto e indevidamente relacionada à trágica morte da jovem juíza Mariana Francisco Ferreira, ocorrida no dia 6, durante um procedimento médico de coleta de óvulos. Baseando-se em julgamentos precipitados, figuras públicas e entidades profissionais de magistrados desfecharam uma série de ataques à cartunista, antes que ela tivesse oportunidade de se manifestar.

A charge de Marília Marz foi publicada na mesma página em que constava um editorial da Folha crítico aos supersalários recebidos por magistrados — ou seja: às remunerações adicionais ilegais e abusivas, eufemisticamente chamadas de “penduricalhos”. A mesma edição do jornal publicou uma reportagem sobre o tema. A charge se insere, portanto, nesse contexto. Mas as postagens efetuadas  nas redes sociais leram o trabalho da chargista como uma zombaria e um desrespeito à morte da juíza.

Montagens nas redes posicionaram a charge ao lado de uma notícia sobre o falecimento da magistrada, como se tivessem sido publicadas juntas, o que contribuiu para a desinformação e os ataques à profissional. Marília foi obrigada a trancar suas redes, um prejuízo à visibilidade de seu trabalho.

Jovem cartunista negra, Marília Marz é também ilustradora e quadrinista. Sua obra é marcada pela defesa da dignidade humana e pelo combate ao racismo e ao machismo. Mas a informação central neste episódio é que a charge em questão foi elaborada antes da morte da magistrada, o que por si só isenta a artista gráfica de qualquer intenção de debochar de um falecimento.

Trata-se de uma infeliz coincidência, que favoreceu uma reação em grande parte alimentada por uma percepção enviesada, apressada e desproporcional de sua charge, em meio à comoção provocada pela morte da juíza, e à dinâmica das redes sociais, muitas vezes marcada por reações massivas e virulentas e pelo discurso de ódio.

Desse modo, o SJSP reforça a solidariedade à cartunista Marília Marz frente às críticas e ataques recebidos por ela, vindos inclusive de integrantes do poder judiciário. O SJSP lamenta profundamente a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, reiterando que a associação entre essa tragédia pessoal e a charge elaborada por Marília Marz é totalmente descabida e injusta.

Por fim, o SJSP destaca a necessidade de defesa do livre exercício do jornalismo e da liberdade de expressão, sem qualquer constrangimento, cabendo sempre, evidentemente, o direito à crítica fundamentada e ao contraditório.

São Paulo, 14 de maio de 2026


Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

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