Logo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo
Logo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Logo da Federação Internacional de Jornalistas
Logo da Central Única dos Trabalhadores
Logo da Federação Nacional de Jornalistas

Na próxima semana, Parlamento de Israel poderá instituir pena de morte, por enforcamento, para palestinos da Cisjordânia; ONU pede retirada do projeto

Redação SJSP*

O Comitê de Segurança Nacional do Parlamento de Israel (Knesset) aprovou na última terça-feira, 24 de março, um projeto de lei — que avançará para a votação final na próxima semana — que impõe a pena de morte a prisioneiros palestinos acusados ​​de cometer assassinatos classificados como “atos terroristas”. O projeto de lei determina a execução — por enforcamento em até 90 dias — sem a necessidade de aprovação judicial unânime e elimina qualquer possibilidade de indulto, tornando as sentenças definitivas e irreversíveis.

A proposta, apresentada por Limor Son-Harmalk e apoiada pelo extremista Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, estabelece um sistema geograficamente diferenciado que torna a execução a principal punição na Cisjordânia ocupada e permite sentenças de prisão perpétua apenas em casos excepcionais sob autoridade militar. O Escritório de Mídia dos Prisioneiros classificou a medida como “uma escalada sem precedentes”, alertando que ela viola o direito internacional e pode abrir caminho para execuções sistemáticas de prisioneiros.

A legislação atraiu fortes críticas da oposição, que alerta para uma escalada significativa na política penal de Israel. Membros do Otzma Yehudit, partido liderado por Ben-Gvir, têm usado broches em forma de forca em apoio ao projeto de lei. Segundo a proposta, os condenados à morte seriam mantidos em uma instalação separada, sem visitas, exceto de pessoal autorizado, e as consultas jurídicas seriam realizadas apenas por videoconferência.

A medida permite que os tribunais imponham a pena de morte sem um pedido do Ministério Público e sem exigir unanimidade, permitindo, em vez disso, uma decisão por maioria simples. Os tribunais militares na Cisjordânia ocupada também seriam autorizados a proferir sentenças de morte, podendo o ministro da Defesa apresentar um parecer. Para os palestinos sob ocupação, o projeto de lei eliminaria as possibilidades de apelação ou clemência, enquanto os prisioneiros julgados dentro de Israel poderiam ter suas sentenças comutadas para prisão perpétua.

Ben-Gvir, um dos mais fervorosos apoiadores do projeto de lei, usou repetidamente um broche em forma de laço — um símbolo do método pelo qual os palestinos poderiam ser executados sob a lei proposta. Ele descreveu o enforcamento como “uma das opções” para a aplicação da pena de morte, acrescentando que as alternativas poderiam incluir a cadeira elétrica ou a “eutanásia”.

Autoridades militares e ministérios do governo têm alertado repetidamente que a lei proposta pode violar o direito internacional e expor comandantes israelenses a mandados de prisão no exterior. Os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores reiteraram essas preocupações nos últimos meses, à medida que o projeto de lei avançava nas discussões das comissões. Apesar das crescentes preocupações legais, o projeto de lei deverá ser votado no Knesset na próxima semana, provocando acusações de opositores de que o governo Netanyahu está aprovando uma medida com sérias implicações morais e legais.

“Israel já mata palestinos regularmente — em centros de detenção e em campo, onde o uso de força letal é generalizado por colonos israelenses e pelos militares, com quase nenhuma responsabilização”, disse Yuli Novak, diretora executiva do grupo israelense de direitos humanos B’Tselem. “Esta lei é mais uma ferramenta nesse arsenal”.

Especialistas da ONU instaram Israel no mês passado a retirar o projeto de lei, afirmando que ele violaria o direito à vida e discriminaria os palestinos no território palestino ocupado. “Ao eliminar a discricionariedade judicial e do Ministério Público, impedem que um tribunal considere as circunstâncias individuais, incluindo fatores atenuantes, e que imponha uma pena proporcional ao crime”, afirmaram. “O enforcamento equivale a tortura ou outras punições cruéis, desumanas ou degradantes, de acordo com o direito internacional”, advertem.

“A pena de morte é uma violação do direito à vida e não pode ser executada sem violar o direito absoluto de não ser submetido a tortura e outros maus-tratos”, adverte o serviço diplomático da União Europeia, que também condenou o projeto de lei.

A pena capital em Israel é atualmente reservada para casos excepcionais e foi aplicada apenas duas vezes contra prisioneiros condenados. A última vez foi em 1962, quando foi enforcado o notório criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann, sequestrado por um comando israelense na Argentina e depois julgado em Israel.

Relatores da ONU pedem libertação imediata do médico H. Abu Safiya

Relatores Especiais da ONU sobre tortura, saúde e os territórios palestinos ocupados pediram na terça-feira a libertação imediata do médico Hussam Abu Safiya, ex-diretor do Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza, citando novos relatos de “tortura severa” e negação de atendimento médico apesar da deterioração de sua saúde.

Detido desde dezembro de 2024 sob a lei israelense de “combatente ilegal”, sua detenção é arbitrária e viola o direito internacional, disseram os especialistas, instando os Estados com influência sobre Israel a agirem para garantir sua libertação e tratamento. Leia a cobertura da Drop Site sobre o Dr. Hussam Abu Safiya aqui.

Vítimas fatais em Gaza já chegam a 72.265, com quase 172 mil feridos

O número total de palestinos assassinados por Israel em Gaza desde 7 de outubro de 2023 subiu para 72.265, com 171.959 feridos. Desde 11 de outubro de 2025, o primeiro dia completo do chamado cessar-fogo, Israel matou pelo menos 689 palestinos em Gaza e feriu 1.860, enquanto 756 corpos foram recuperados dos escombros, segundo o Ministério da Saúde palestino.

*Este texto é um resumo de matérias publicadas pelo jornal The Guardian e pela Drop Site News.

veja também

relacionadas

mais lidas

Acessar o conteúdo