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“Descobri a violência da opressão quando a Polícia me prendeu 8 vezes”; debate online com jovens de Israel que se recusam a prestar serviço militar está disponível em vídeo

Redação - SJSP

Está disponível no canal do SJSP no YouTube a gravação do envolvente, emocionante evento “Jovens israelenses recusam servir ao Exército e explicam por quê”, realizado no Auditório Vladimir Herzog no último dia 12 de março, com a participação online de Yuval Peleg e Yona Roseman, ativistas do grupo Messarvot, e do escritor brasileiro de origem judaica Nathaniel Braia.

O Messarvot reúne refuseniks, jovens israelenses em idade de prestar o serviço militar, mas que se recusam a servir às forças armadas de Israel por não compactuarem com o genocídio em Gaza, com a ocupação ilegal dos territórios palestinos e com o sistema de apartheid mantido pelo regime sionista.

Além dos 17 jovens israelenses que foram presos desde 7 de outubro de 2023 por se recusarem publicamente a prestar o serviço militar obrigatório, há dezenas de outros que se negam a servir, mas o fazem sem alarde e por isso não cumprem penas de prisão.

“Realizar esse debate é muito importante neste momento, ouvir esses jovens que se recusam a servir a um Exército que massacra um povo, que comete crimes continuados, que comete genocídio”, declarou, na abertura do encontro, o presidente do SJSP, Thiago Tanji. “Ouvir cidadãos israelenses que se defrontam com o Estado genocida, que historicamente causa tanta dor não apenas ao povo palestino, mas talvez ao seu próprio povo”.

Na conversa online, Yona, que é jornalista, relatou haver tomado consciência do grau de violência e opressão do Estado israelense ao envolver-se, desde os 16 anos de idade, em atividades de solidariedade à população palestina na Cisjordânia e nas cidades árabes de Israel. “Descobri a violência da opressão também como manifestante, quando a Polícia me prendeu oito vezes”, comentou.  

Na tela, Yuval (à esquerda) e Yona (no centro) em diálogo online com o tradutor
Na tela, Yuval (à esquerda) e Yona (no centro) em diálogo online com o tradutor

Depois que foi libertada da prisão militar, Yona tem se dedicado a lutar contra o apartheid e contra a guerra. “Especificamente, como jornalista, eu trato de assuntos como direitos de prisioneiros. Vale lembrar que há 10 mil prisioneiros palestinos em Israel”.

Yuval, por sua vez, revelou que estava se preparando para servir ao Exército. Porém, uma vez iniciada a retaliação israelense ao ataque desfechado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, depois que passaram a chegar imagens da destruição provocada em Gaza, “não consegui mais pensar nessa opção”, contou. O rapaz citou ainda a “retórica nazista” empregada por Netanyahu e outras lideranças do governo israelense: “Entendi que eu não tinha como fazer parte disso”.

Ambos entraram em contato com o Messarvot, separadamente, e ingressaram no grupo. Em julho de 2025, após recusarem-se a prestar serviço militar, Yuval e Yona cumpriram pena inicial de vinte dias de cadeia, seguida de penas sucessivas.

No caso de Yuval foram cinco períodos, num total de 130 dias de prisão. “Recebi ameaças, mas não sofri tanto como a Yona”, disse. “Estou tentando me manter ativo, militando, mas está difícil por causa da guerra [com o Irã]”, explicou.

Nathaniel Braia, que em 1973, quando morava em Israel, negou-se a servir ao Exército, esteve no SJSP para contar pessoalmente sua experiência. “Eu estava em Israel e tinha pouco antes recebido a cidadania israelense. Quando estourou a guerra [do Yom Kippur], eu fui chamado para servir no Exército de Israel”, relembrou. Ele também foi preso na ocasião.

“A sociedade israelense está num estágio em que a ideologia sionista é predominante. Quando você se rebela contra ela, quando você se coloca contra a agressão ao povo palestino, isso é visto de forma invertida lá dentro de Israel, é como se fosse uma agressão aos israelenses”, observou Braia. “Mas quando adquire essa consciência, a gente resolve enfrentar”.

Assista a integra do debate, que foi mediado por um tradutor e incluiu diversas perguntas e comentários do público:

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