O Exército israelense lançou uma invasão terrestre no Líbano na segunda-feira, enquanto continuava a bombardear o país. O número de mortos desde a retomada dos ataques de Israel ao Líbano, em 2 de março último, cresceu para pelo menos 850, incluindo 107 crianças e 32 profissionais de saúde, com 2.105 feridos, segundo o Ministério da Saúde do Líbano.
O exército israelense caracterizou a ofensiva como “operações terrestres limitadas e direcionadas”, “com o objetivo de reforçar a área de defesa avançada”. No entanto, Israel Katz, ministro da Defesa israelense, comparou a operação ao ataque genocida contra Gaza e afirmou que, por tempo indeterminado, os moradores do sul do Líbano não poderão retornar às suas casas.
“Centenas de milhares de moradores xiitas do sul do Líbano que evacuaram e estão evacuando suas casas não retornarão à área ao sul do rio Litani até que a segurança dos moradores do norte [de Israel] seja garantida”, disse Katz, segundo o jornal Times of Israel. Katz afirma que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenaram que os militares destruam a infraestrutura do grupo resistente Hezbollah perto da fronteira, “assim como foi feito contra o Hamas em Rafah, Beit Hanoun e nos túneis terroristas em Gaza”.
Nos últimos dois dias, ataques aéreos israelenses atingem vários locais no Líbano. Um ataque contra uma casa em Kfar Sir matou uma pessoa nesta segunda-feira, 16. Quando uma ambulância da Organização Islâmica de Saúde chegou, um segundo ataque matou dois paramédicos e feriu outro, segundo a Agência Nacional de Notícias estatal. Outros ataques aéreos atingiram Khiam, Qantara, Sawana, Burj Qalawiya, Sultaniyeh, Shaqra e Yater.Equipes da Defesa Civil recuperaram os corpos de Youssef Al-Saghir, de sua esposa e de seus dois filhos sob os escombros de uma casa na cidade de Qantara, dois dias após o ataque aéreo.
No domingo, um ataque em Sharhabil, perto de Saida, matou uma pessoa — identificada como Wissam Taha — e feriu três crianças, enquanto outros ataques israelenses com drones, aviões e artilharia atingiram áreas ao redor de Nabatieh, Tiro, Zawtar Sharqieh, Al Sawaneh, Touline, Majdel Selm e a estratégica cidade fronteiriça de Khiam.
O Hezbollah afirmou ter respondido aos ataques israelenses com múltiplos disparos de foguetes na manhã de domingo, visando locais como a base aérea de Balmakhim, ao sul de Tel Aviv, um sistema de defesa aérea em Ma’alot-Tarshiha e a cidade costeira de Nahariya.
Na sexta-feira, 13, bombardeios israelenses e ataques aéreos mataram dezenas de pessoas no sul do Líbano e nos subúrbios ao sul de Beirute. Entre os mortos, estavam pelo menos 12 profissionais de saúde em um ataque a um centro de saúde em Burj Qalawiya, enquanto outros ataques em Nabatieh, Al Sawaneh, Bint Jbeil e Ghazieh mataram civis, incluindo uma menina e dois meninos.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano relatou que projéteis de artilharia atingiram um complexo da UNIFIL (força internacional estabilizadora, mantida pela Organização das Nações Unidas) que abriga o batalhão nepalês em Mays al-Jabal, ferindo soldados da paz.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou neste sábado que ataques israelenses no sul do Líbano mataram 14 profissionais de saúde nas últimas 24 horas, incluindo 12 médicos, enfermeiros e paramédicos mortos em um ataque ao centro de saúde primária Burj Qalawiya, perto de Bint Jbeil, e dois paramédicos mortos anteriormente em uma unidade de saúde na cidade fronteiriça de Al Sawaneh.
A OMS afirmou ter verificado 27 ataques israelenses contra instalações de saúde no Líbano desde 2 de março, deixando pelo menos 30 profissionais de saúde mortos e 35 feridos. Posteriormente, Israel sugeriu que continuaria atacando ambulâncias e instalações médicas no Líbano, alegando, sem provas, que o Hezbollah usa ambulâncias “para fins militares”.
*Informações retiradas da edição da Drop Site News desta segunda-feira, 16 de março (confira aqui).


