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Três brasileiras entre mais de 300 ativistas sequestrados por Israel em novo ataque ilegal à Global Sumud Flotilha; irmã da presidente da Irlanda é prisioneira da Marinha israelense

Redação SJSP*

Ariadne Teles, organizadora e coordenadora da Global Sumud Flotilha (GSF) Brasil; Beatriz Moreira de Oliveira, militante do Movimento Atingidos por Barragens (MAB); e Thainara Rogério, brasileira com cidadania espanhola, estão entre as mais de 300 pessoas aprisionadas ilegalmente e sequestradas por Israel nesta segunda-feira, em águas internacionais do Mar Mediterrâneo, próximas ao Chipre.

Inicialmente acreditava-se que o médico pediatra Cassio Guedes também tivesse sido capturado, mas depois a GSF informou que ele se encontra a bordo da embarcação “Cabo Blanco”, que não havia sido abordada e continuava a seguir em direção a Gaza.

Os organizadores da GSF afirmam que 38 navios com 319 ativistas a bordo estavam a cerca de 250 milhas náuticas da costa de Gaza quando foram interceptados e abordados por contingentes armados da Marinha de Israel. O jornal israelense Haaretz divulgou imagens nítidas captadas por câmeras instaladas nas embarcações da flotilha que registram as abordagens.

A médica Margaret Connolly, irmã de Catherine Connolly, presidente da Irlanda, está entre as pessoas capturadas ilegalmente por Israel. A presidente Connoly afirmou estar “muito orgulhosa” da irmã, “mas preocupada com ela”, acrescentando que é “bastante perturbador” que tenha sido detida de forma tão truculenta. “Estou muito preocupada com seus colegas a bordo”, apontou.

Acredita-se que, a exemplo do que ocorreu duas semanas atrás, os ativistas sequestrados seriam “transferidos” para um navio-prisão e, de lá, transportados para o porto de Ashdod, em Israel.

“Este confronto naval ativo é uma continuação direta do ataque militar israelense ilegal lançado há apenas duas semanas, na costa de Creta. Durante a interceptação anterior, a mais de 650 milhas náuticas de Gaza, dentro da zona de Busca e Salvamento (SAR) da Grécia, as forças militares israelenses abordaram, sabotaram e sequestraram ilegalmente 181 defensores pacíficos dos direitos humanos em 21 embarcações civis, submetendo os participantes a detenção documentada, bem como a violência física e sexual”, comentou a coordenação da GSF.

“Ao interceptar a flotilha hoje [18], a um perímetro de 250 milhas náuticas e na zona SAR do Chipre, o regime israelense continua a demonstrar um desrespeito sistemático pelo direito marítimo internacional, pela liberdade de navegação em alto-mar e pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM)”, prossegue a declaração dos organizadores da flotilha.

“Esta interceptação militar é consequência de uma campanha de propaganda coordenada, com duração de uma semana, veiculada por veículos de comunicação controlados pelo Estado israelense, incluindo o N12, e amplificada por seu próprio autoproclamado ‘iate da propaganda’, repleto de influenciadores que disseminam as mentiras do regime israelense. Essa estratégia estabelecida busca fabricar consentimento para a prática de crimes de guerra e crimes contra a humanidade contra uma missão da sociedade civil desarmada e não violenta, composta por médicos, jornalistas e humanitários”.

Ainda segundo a GSF, sua equipe jurídica “notificou formalmente a comunidade internacional de que os participantes estão completamente desarmados e que qualquer violência executada nessas embarcações permanece sob a exclusiva responsabilidade legal do regime israelense e dos líderes do país que a permitem”. Investigações criminais estão em andamento em vinte países, acrescentou, “e a responsabilidade individual também será buscada em tribunais internacionais para todas as forças que impõem esse cerco genocida”.

Na avaliação da coordenação da flotilha, “ao lançar um enorme destacamento naval contra um punhado de pequenas lanchas, o regime de Netanyahu expôs seu próprio desespero estratégico”, uma vez que esse uso desmedido da força “revela um profundo medo da sociedade civil independente e do regime legal, incluindo as leis marítimas e humanitárias”.

Os governos de dez países — Brasil, Espanha, Turquia, Indonésia, Paquistão, Jordânia, Líbia, Colômbia, Bangladesh e Maldivas — emitiram nota conjunta sobre o novo crime cometido por Israel, na qual “condenam, nos mais fortes termos, os renovados ataques israelenses contra a Flotilha Global Sumud, iniciativa humanitária civil e pacífica, destinada a chamar a atenção internacional para o catastrófico sofrimento humanitário do povo palestino”, e lembram que a atual e anteriores ações de ataques contra embarcações e detenção arbitrária de ativistas “constituem violações flagrantes do direito internacional e do direito internacional humanitário”.

Os ministros de Relações Exteriores signatários da nota “expressam séria preocupação com a segurança e a integridade dos participantes civis da flotilha e demandam a libertação imediata de todos os ativistas detidos, assim como pleno respeito a seus direitos e a sua dignidade”.

Em artigo publicado no Haaretz, a jornalista Nagham Zbeedat informou que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu “parabenizou pessoalmente as tropas por rádio por frustrarem o que descreveu como um ‘plano malicioso’ destinado a ‘romper o bloqueio ao Hamas’”, mas um “detalhe importante da manobra”, destacou ela, “é que o alvo eram embarcações civis”.

A relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, descreveu o novo ato de pirataria de Israel como “terrorismo marítimo”.

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