Neste sábado (6), evento com Norman Finkelstein busca desmascarar instrumentalização, por Israel e sionistas, do antissemitismo e do Holocausto

“Nunca mais sem exceção: racismo, islamofobia e antissemitismo em tempos de genocídio”, o “megaevento” que será realizado neste sábado, 6 de junho, na Casa Carlito Maia (Armazém do Campo), no centro da capital, organizado e promovido por diversas entidades engajadas na luta em defesa da Palestina, promete enriquecer o debate sobre o Oriente Médio praticado hoje em certos meios culturais, intoxicados pela desinformação e pelo viés pró-sionismo (ou pró-Israel) da maior parte da mídia empresarial.

O grande convidado do evento é o cientista político Norman Finkelstein, um dos mais destacados intelectuais norte-americanos da atualidade. Judeu, Finkelstein é um pensador antissionista que vem denunciando o uso político do Holocausto, pelas lideranças políticas israelenses, como pretexto para perpetrar limpeza étnica e genocídio na Palestina.

“Diante do genocídio em Gaza, da limpeza étnica no sul do Líbano, da ofensiva militar contra o Irã e do avanço, no Brasil, de iniciativas que buscam equiparar a crítica ao Estado de Israel ao racismo, convocamos a sociedade civil para um encontro de reflexão e articulação política em defesa de um antirracismo universal, sem instrumentalizações que silenciem a solidariedade ao povo palestino”, dizem os organizadores no convite para o evento.

Uma das “iniciativas” a que o texto faz alusão é, sem sombra de dúvida, o projeto de lei 1.424/2026, da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP), que pretende igualar o antissemitismo ao crime de racismo, com pena de reclusão de dois a cinco anos e multa, e sem possibilidade de fiança. O PL 1.424/2026 é oficialmente apoiado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), uma das principais organizações sionistas em atividade no país.

Às 13h30, Finkelstein dará sua aula magna, com duração prevista de uma hora e meia. A apresentação caberá à professora Arlene Clemesha, coordenadora do Centro de Estudos Palestinos da USP (CePal). A mediadora será Melina Manasseh, da Federação Árabe-Palestina do Brasil (Fepal).

Às 15h00 será lançado um Manifesto elaborado pelos organizadores e apoiado por outras entidades. Às 15h30 deverá ocorrer o lançamento do livro A indústria do holocausto (Autonomia Literária, 2026), de autoria de Finkelstein, com sessão de autógrafos.

Antes da aula magna haverá três mesas de debate. Às 10h será realizada a mesa “Islamofobia, racismo antiárabe e o direito à crítica”, com a participação da professora Francirosy Campos Barbosa, do Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias-USP), de Girrad Sammour, da Associação Nacional de Juristas Islâmicos, e de Rawa Alsagheer, da Rede de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos Samidoun.

Às 11h ocorrerá a mesa “Antissemitismo: definição e instrumentalização”, que terá como debatedores o professor Brian Klug, membro emérito da Faculdade de Filosofia da Universidade de Oxford, Jamie Stern-Weiner, doutor pela Universidade de Oxford, e Paulo Yasha, doutorando em filosofia na USP.

Às 13h será realizada a terceira e última mesa, intitulada “Nunca mais sem exceção” e que contará com a participação de Regina Santos, do Movimento Negro Unificado (MNU); de Mariana Conti, vereadora em Campinas (PSOL) e participante da Global Sumud Flotilha em 2025; de Soraya Misleh, da Frente Palestina de São Paulo; e de Debora Abramant, da Articulação Judaica de Esquerda.

A organização do evento coube a diversos coletivos, entre os quais Articulação Judaica de Esquerda, Vozes Judaicas por Libertação, Árabes e Judeus pela Paz, CePal, Gracias-USP e a editora Autonomia Literária.

Na quinta, dia 4, Finkelstein esteve na Feira do Livro, como convidado principal do painel “Holocausto e Palestina”, realizado no Auditório Museu do Futebol, e foi entrevistado pela jornalista Patrícia Campos Mello. Nesta sexta, 5, ele concede entrevista ao jornalista Breno Altman, no programa 20 minutos.

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