Nesta segunda-feira, 26 de outubro, uma comissão internacional de investigação da ONU criada em 2021 acusou Israel de cometer crimes contra a humanidade contra a população palestina da Cisjordânia. A comissão também manteve suas acusações de genocídio na Faixa de Gaza.
No seu novo relatório, divulgado na véspera das eleições legislativas israelenses previstas para terça-feira (27), a comissão conclui que “as autoridades e as forças israelenses cometeram na Cisjordânia crimes contra a humanidade de extermínio, tortura, estupro e outras formas de violência sexual, além de perseguição baseada em fatores discriminatórios como nacionalidade, raça e origem étnica”.
“Os assassinatos e ferimentos contra civis palestinos, assim como a destruição de moradias na Cisjordânia, somados à recusa persistente de Israel em assumir responsabilidade por esses atos, fazem parte de uma estratégia mais ampla destinada a exterminar e a deslocar os palestinos e a lhes impor condições de vida insustentáveis”, afirmou o jurista indiano Srinivasan Muralidhar, novo presidente da comissão.
Ele também denunciou a ampliação do controle territorial israelense em Gaza e afirmou que a medida continua causando mortes e ferimentos entre civis palestinos que se aproximam ou atravessam a chamada “linha amarela”, que delimita a área controlada pelas tropas israelenses.
Limpeza étnica
Em 4 de setembro, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos já havia acusado Israel de deslocar à força mais de 33 mil palestinos de três campos de refugiados na Cisjordânia no início de 2025, levantando a possibilidade de crime contra a humanidade e limpeza étnica.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967. Mais de 3 milhões de palestinos vivem no território, assim como cerca de 500 mil israelenses instalados em assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional. O clima de violência se agravou com a proximidade das eleições israelenses.
Desde os ataques do grupo Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023, que desencadearam o genocídio cometido pelos israelenses em Gaza, a expansão dos assentamentos na Cisjordânia tem se acelerado, com o aumento da criação de postos avançados de colonos.

A comissão da ONU destaca uma deterioração significativa da situação na Cisjordânia desde o início do conflito. No relatório, a comissão afirma que as autoridades israelenses procuraram impor uma “punição coletiva” à população civil da Cisjordânia em resposta aos ataques do Hamas. Segundo o órgão, desde então Israel conduz “um ataque generalizado e sistemático contra civis, por meio de operações militares acompanhadas de atos persistentes de violência cometidos por colonos”.
“Medidas israelenses em Hebron visam incitar o medo”
“A agressiva operação israelense iniciada na sexta-feira na cidade de Hebron, na Cisjordânia, já resultou no deslocamento forçado de mais de 2.000 palestinos, na demolição de casas e propriedades comerciais e na privação da liberdade de movimento dos moradores”, denunciou nesta segunda-feira, 26 de outubro, em comunicado oficial, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, Volker Türk.
“As medidas drásticas tomadas levantam sérias preocupações quanto ao uso desnecessário e desproporcional da força, que deve cessar. O bloqueio israelense está confinando muitos às suas casas e vizinhanças. Declarações de altos funcionários do governo israelense indicam que as medidas implementadas são punitivas e visam incitar o medo. Isso é inaceitável”.
“Aqueles que foram deslocados devem ter permissão para retornar às suas casas. Israel deve garantir compensação e reparação pelos despejos e demolições ilegais e pelos deslocamentos resultantes”, enfatizou o alto comissário da ONU. “A punição coletiva é uma grave violação do direito internacional. As ameaças de esvaziar e apagar bairros inteiros também levantam sérias preocupações de limpeza étnica”.
Apesar das declarações de Türk, não há nenhum esforço diplomático convincente sendo desempenhado pela ONU ou por estados-membros para barrar a limpeza étnica em curso na Cisjordânia e particularmente em Hebron.
*Resumo e adaptação de matérias publicadas em 26 de outubro pela Rádio França Internacional-RFI (confira aqui) e pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU (aqui).


