Durante vigência do “cessar-fogo” em Gaza, Israel já matou cerca de 950 palestinos(as); no Líbano, Hezbollah rejeita cessar-fogo “ilusório” enquanto a ofensiva israelense continua

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Pelo menos nove palestinos foram mortos e outros 15 ficaram feridos em uma onda de ataques aéreos israelenses que atingiu a Cidade de Gaza pouco depois da meia-noite de quinta-feira, 5 de maio. Os ataques atingiram casas no campo de refugiados de Al-Shati, no bairro de Karama, em Tel al-Hawa e em Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza. Testemunhas descreveram destruição generalizada e corpos queimados a ponto de ficarem irreconhecíveis após as casas serem atingidas enquanto as famílias dormiam.

Um ataque a um apartamento matou cinco pessoas, deixando uma menina de nove anos como a única sobrevivente entre seus familiares. Em Khan Younis, o jovem Bushra Hani Hassan Al-Barahma, de 18 anos, foi assassinado e outras 15 pessoas ficaram feridas num ataque de drone israelense, informou a agência de notícias WAFA.

Até a manhã de quinta, 4 de maio, o número total de palestinos e palestinas assassinados(as) em Gaza desde 7 de outubro de 2023 subiu para 72.956, com 173.043 feridos. Desde 11 de outubro de 2025, o primeiro dia completo do chamado “cessar-fogo”, Israel matou pelo menos 947 palestinos em Gaza e feriu 2.935, enquanto 781 corpos foram recuperados dos escombros, segundo o Ministério da Saúde palestino.

A guerra israelense em Gaza gerou uma estimativa de 33,2 milhões de toneladas de emissões equivalentes de dióxido de carbono (comparáveis ​​às emissões anuais de alguns países), de acordo com o Escritório Central de Estatísticas da Palestina e a Autoridade de Qualidade Ambiental, segundo reportou a WAFA. Cerca de 1,9 milhão de toneladas foram diretamente ligadas às operações militares israelenses e o restante associado à remoção de entulhos e à futura reconstrução.

Em uma declaração conjunta por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, as agências afirmaram que Gaza enfrenta um grave colapso ambiental, citando a destruição de mais de 90% da infraestrutura de esgoto, o acúmulo de cerca de 710 mil toneladas de lixo doméstico e mais de 60 milhões de toneladas de entulho provenientes da destruição de mais de 330 mil unidades habitacionais.

A declaração citou um relatório recente da UNOSAT mostrando que cerca de 86% das terras agrícolas de Gaza foram danificadas ou destruídas até o final de junho de 2025, chegando a 94% no norte de Gaza. As agências também relataram um aumento nas violações ambientais israelenses na Cisjordânia ocupada, com 685 incidentes registrados em 2025, em comparação com 535 em 2024.

Exército de Israel e colonos “tocam o terror” na Cisjordânia

Cinco palestinos ficaram feridos durante uma incursão na quinta-feira a uma casa em Doha, a oeste de Belém. Em Nablus, dezenas de veículos militares israelenses e uma escavadeira invadiram o Túmulo de José durante a noite, e em Beita, colonos israelenses agrediram um palestino, segundo a Al Jazeera.

As tropas israelenses detiveram dezenas de trabalhadores palestinos perto de Tarqumiyah e Beit Ula, a noroeste de Hebron. Oito palestinos também foram detidos em Ramallah e al-Bireh, incluindo uma mulher com deficiência.

Soldados israelenses invadiram a casa de Sama Safi, uma cidadã americana de 20 anos e estudante do segundo ano da Universidade de Birzeit, em Ramallah, por volta das 3h da manhã de segunda-feira.

Ela foi detida juntamente com outras três estudantes — Natalie Abu Diya, Jolan Abu Awwad e Laila Khalil — como parte de uma operação mais ampla realizada durante a madrugada, que resultou na detenção de pelo menos 31 palestinos na Cisjordânia. Safi está detida sem acusação formal, e o governo israelense não notificou sua família nem a Embaixada dos EUA sobre seu paradeiro ou o motivo de sua detenção.

O senador Chris Van Hollen (democrata por Maryland) condenou a prisão na quinta-feira, pedindo ao Departamento de Estado que “garanta sua libertação AGORA”. Uma das mulheres detidas, Natalie Abu Diya, é ex-jogadora da seleção palestina de futebol; outra jogadora da seleção, Rand Halawani, também foi detida após ser intimada a comparecer a uma delegacia de polícia israelense.

Mais de 9.500 palestinos desapareceram desde o início da guerra de Israel contra Gaza, entre eles aproximadamente 4.700 mulheres e crianças, informou na quinta-feira a organização de direitos humanos Al-Damir, sediada em Gaza. Acredita-se que mais de 8.100 tenham morrido e estejam presos sob os escombros de edifícios destruídos, enquanto mais de 800 foram detidos pelas forças israelenses em postos de controle militar durante o deslocamento entre o norte e o sul de Gaza.

A Al-Damir classificou os desaparecimentos como uma violação da Quarta Convenção de Genebra e afirmou que Israel, como potência ocupante, tem total responsabilidade pela divulgação do paradeiro dos desaparecidos.

Israel transfere médico Abu Safiya para cela solitária

No último dia 3 de junho, as autoridades prisionais israelenses transferiram o médico palestino Hussam Abu Safiya, capturado em Gaza em dezembro de 2024 e desde então encarcerado em Israel, para confinamento solitário na prisão de Nafha, após sua equipe jurídica contestar a prorrogação de sua detenção.

Seu advogado descreveu a medida como punitiva e afirmou que Abu Safiya continua sem receber o tratamento médico necessário. A organização Healthcare Workers Watch relata que pelo menos 83 profissionais de saúde palestinos estão atualmente detidos por Israel, incluindo 75 da Faixa de Gaza.

O Supremo Tribunal de Justiça de Israel decidiu por unanimidade que a proibição geral do governo às visitas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha a prisioneiros palestinos é ilegal e deve ser revogada, segundo o Times of Israel. A proibição, imposta após 7 de outubro de 2023, foi contestada por diversos grupos de direitos humanos.

Em resposta à decisão, o chefe da Sociedade de Prisioneiros Palestinos, Abdullah Al-Zaghari, afirmou que a decisão permanecerá “sem efeito prático” a menos que resulte na retomada imediata das visitas da Cruz Vermelha e em proteção significativa para os detidos. Ele também disse que a decisão não deve servir de pretexto para ignorar o papel histórico do Supremo Tribunal em fornecer “legitimidade legal” às políticas de ocupação e a um sistema de impunidade.

Al-Zaghari afirmou que os tribunais israelenses têm desempenhado um papel cada vez mais perigoso desde o início da guerra em Gaza, fornecendo “cobertura legal” para os abusos contínuos contra os palestinos, incluindo prisioneiros, que têm sido submetidos à fome, à negação de tratamento médico e à tortura.

Hezbollah exige retirada israelense e fim da agressão ao Líbano

O novo plano de “cessar-fogo” anunciado no dia 4 de maio pelos EUA, Israel e o governo libanês, negociado sem a participação do Hezbollah, foi enfaticamente rejeitado pela organização. EUA, Israel e Líbano divulgaram uma declaração conjunta anunciando a assinatura de um acordo de cessar-fogo condicionado à retirada do Hezbollah da região ao sul do rio Litani, à cessação completa dos ataques do Hezbollah e à criação de “zonas piloto” sob controle exclusivo das Forças Armadas Libanesas. O acordo não inclui nenhuma cláusula que exija a retirada do Exército de Israel do país, nem prevê a cessação completa dos ataques israelenses.


Na declaração, as três partes condenaram o Irã, citando suas supostas “atividades contínuas que minam a estabilidade em todo o Oriente Médio”. A declaração também observa que os EUA se comprometeram a apoiar os militares libaneses em sua tentativa de assumir o controle do país. As negociações entre as partes devem ser retomadas na semana de 22 de junho, quando um “acordo abrangente” será discutido.


O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou a proposta de cessar-fogo em um pronunciamento televisionado, definindo-a como “ilusória” e um “roteiro para o extermínio de uma parte do povo libanês e a escravização do restante”.

Qassem declarou que qualquer acordo efetivo deveria incluir o sul do Líbano, atualmente ocupado por tropas de Israel, e “pôr fim à agressão generalizada, alcançar um cessar-fogo e garantir a retirada de Israel”. Arrematou: “Enquanto houver ocupação, não assumiremos nenhum compromisso com nenhuma das partes para cessar a resistência”.

Em declarações à imprensa na quinta-feira, o presidente libanês, Joseph Aoun, descreveu as negociações de cessar-fogo como difíceis, afirmando que o chefe da delegação libanesa, Simon Karam, chegou a suspender a participação devido à intransigência israelense, o que levou o secretário de Estado, Marco Rubio, a intervir e retomar as conversas. Aoun classificou o acordo resultante como “uma última oportunidade” e disse que a implementação poderia começar em 24 horas, assim que todas as partes dessem sua aprovação.

Apesar do anúncio conjunto do novo “cessar-fogo”, importantes autoridades de Israel sinalizam cinicamente que pretendem continuar os ataques ao Líbano. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, tenente-general Eyal Zamir, declarou na quarta-feira, antes do anúncio do novo plano de cessar-fogo, que “não há cessar-fogo” para as forças israelenses no Líbano. “Estamos trabalhando para maximizar a liberdade de ação que nos foi concedida e aproveitaremos todas as oportunidades para eliminar as ameaças aos cidadãos de Israel e às nossas forças”, afirmou.

Zamir acrescentou que Israel não se retirará de sua autoproclamada “zona de segurança” no sul do Líbano até que acredite que as “ameaças às comunidades israelenses do norte tenham sido eliminadas” e ameaçou manter as posições das tropas ao longo da chamada “linha amarela” indefinidamente.


De forma semelhante, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou — no dia seguinte ao anúncio do novo “cessar-fogo” com o Líbano — que o acordo concede às forças armadas israelenses a “liberdade”  de atacar Beirute em resposta a qualquer ataque do Hezbollah contra comunidades israelenses. Katz declarou que as forças israelenses continuarão suas operações militares dentro do país, permanecerão na zona de segurança até a “linha amarela” e prosseguirão em seus esforços para “desmantelar” a infraestrutura do Hezbollah.

Cinco pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas em um ataque israelense em Sohmor, no Vale do Bekaa, no Líbano, na quinta-feira, segundo a Agência Nacional de Notícias. Um ataque israelense a uma motocicleta em Maaroub matou uma pessoa e feriu outra. Três pessoas também morreram em um ataque em Al-Abassiya, em Tiro. No dia 4 de maio, ataques aéreos israelenses mataram cinco paramédicos.

Pelo menos 3.526 pessoas foram mortas e 10.733 ficaram feridas em ataques israelenses ao Líbano desde 2 de março deste ano, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.

O Hezbollah, por sua vez, anunciou ataques contra oficiais e soldados israelenses no sul do Líbano. Um drone FPV explosivo do Hezbollah atingiu o veículo do major-general Rafi Milo, chefe do Comando Norte do Exército de Israel, na quinta-feira, logo após ele e um assessor saírem do veículo durante uma visita de campo a uma aldeia com outros oficiais. Não houve relatos de vítimas no ataque, segundo a emissora pública israelense Kan. O Hezbollah também atacou com drones um grupo de veículos e soldados israelenses na cidade de Al-Qantara.

Presos na Líbia, ativistas da GSF fazem greve de fome e sede

Dez voluntários da Flotilha Global Sumud (GSF), detidos há 11 dias em Benghazi, na Líbia, enquanto tentavam chegar a Gaza, estão em estado grave após iniciarem uma greve de fome e sede. O grupo está detido sem acesso a advogados, embaixadas ou equipes médicas independentes. Em uma ligação telefônica secreta, um dos detidos descreveu o local como “uma prisão secreta semelhante a uma prisão secreta da CIA, uma prisão sem nome”.

As organizações apelam ao governo argentino (um dos membros é argentino), à ONU, ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha e aos ministérios das Relações Exteriores de todas as nacionalidades envolvidas para que intervenham imediatamente e evitem danos irreversíveis.

A Irlanda anunciou a proibição de entrada no país dos ministros da Segurança Nacional e das Finanças de Israel, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, devido às suas declarações anti-palestinas e à conduta contra ativistas da flotilha de Gaza. O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou no mês passado que as declarações dos dois ministros extremistas “equivalem essencialmente a um desejo de ver a eliminação dos palestinos da Palestina”. Ben-Gvir e Smotrich já haviam sido sancionados por diversos países da União Europeia por incitar a violência extremista.*Resumo das edições de 4 e 5 de maio de Drop Site News (confira aqui a primeira delas).

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