Sabemos que no período eleitoral crescem os riscos de ataques a jornalistas no exercício da profissão, fenômeno agravado no governo anterior e que ainda repercute tanto no ambiente virtual como real.
A Coalização em Defesa do Jornalismo (Cdjor) articulação que congrega 11 entidades, entre elas a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) realiza desde o dia 16 de agosto o monitoramento dos ataques a jornalistas por redes sociais no período eleitoral. Nas duas primeiras semanas de monitoramento foram analisadas 1.702.977 postagens; os dados até 12 de setembro apresentam:
- 7030 ataques à imprensa;
- 3485 ataques no contexto da disputa presidencial;
- 1191 associadas às disputas estaduais;
- 67% dos ataques foram dirigidos a jornalistas mulheres
Para Samira de Castro, presidenta da FENAJ, “esses números mostram um cenário alarmante de crescimento dos ataques, que subiram mais de cem por cento de uma semana para a outra, e exigem das entidades, empresas, Ministério Público e órgãos do governo ações efetivas para evitar a escalada desses ataques”.
Orientações à categoria
Esse quadro, bastante preocupante, exige das entidades sindicais e sociais ações constantes e alertas para orientar jornalistas contra os riscos e como se proteger e buscar ajuda, quando necessário.
Fenaj mobiliza seus sindicatos
A Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) encaminhou que seus 31 sindicatos espalhados por todo o país mantenham plantões para atender a categoria e disponibilizem números telefônicos para agilizar o contato. Orientou, também para que os sindicatos encaminhem às empresas de comunicação, ofício solicitando que adotem medidas protetivas a seus trabalhadores, como envio de equipes completas aos locais de votação e de concentração de eleitores, disponibilização de assessoria jurídica e a imediata autorização para que as/os jornalistas, em situação de perigo, se retirem da pauta, entre outras ações protetivas.
Observatório da Violência Contra Jornalistas
O Observatório da Violência Contra Jornalista e Comunicadores Socias, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi criado a partir da incidência das organizações da sociedade civil, principalmente após os eventos de 8 de janeiro de 2023.
Constituído por órgãos do governo e da sociedade civil, entre elas, a FENAJ, o Observatório criou um Grupo de Trabalho especialmente dedicado ao período eleitoral. Entre os materiais já produzidos, destacam-se:
- Guia “Como agir diante da violência contra jornalistas e comunicadores em período eleitoral”, que teve a participação ativa da FENAJ em sua elaboração e apresenta, além de orientações gerais, endereços para serem acessados em caso de denúncia de violência. O guia (em PDF) pode ser acessado aqui.
- Como denunciar caso de violência pelo FalaBR. Essa cartilha mostra o passo a passo de como registrar uma denúncia no Observatório, por meio da plataforma FalaBR. “É importante salientar, que esse canal de denúncia não funciona apenas no período eleitoral, ele é permanente para registrar e agir sobre casos de violência contra jornalistas no exercício da profissão”, explica o secretário adjunto da Secretaria de Saúde e Segurança da FENAJ, Norian Segatto, que compõe o Observatório pela Federação. A cartilha está disponível aqui.


