O genocídio perpetrado por Israel em Gaza, que acaba de completar 700 dias, chegou a uma de suas piores fases, que incluem o assassinato diário de dezenas de palestinos e palestinas, por meio de bombardeios, de disparos de armas de fogo no entorno dos locais de distribuição de comida, ou da fome imposta pelo bloqueio israelense de ajuda humanitária; a destruição, com explosivos, de bairros e até cidades inteiras; e o deslocamento forçado de centenas de milhares de pessoas.
Nesta sexta-feira, 5 de setembro, um ataque aéreo israelense destruiu a Torre Mushtaha, localizada numa área densamente povoada a oeste da Cidade de Gaza. O Exército israelense afirma que agora controla 40% da Cidade de Gaza e que intensificará a ofensiva nos próximos dias. Imediatamente antes desse ataque, o ultrassionista ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, adotando sua habitual retórica de terror, declarou que os “portões do inferno” seriam abertos em Gaza, e fez referência à Torre, sem citar seu nome, como “prédio terrorista”.
De acordo com o Drop Site News, o ataque à Torre Mushtaha, de 12 andares, ocorreu após um porta-voz militar israelense afirmar que Israel atacará vários prédios altos na Cidade de Gaza nos próximos dias, alegando, sem provas, que eles estão sendo usados por combatentes do Hamas. A administração da Torre Mushtaha negou as alegações do porta-voz, e afirmou que o prédio era acessível apenas a pessoas deslocadas. A Al Jazeera informou que o ataque ao prédio ocorreu apenas 15 minutos após a ordem de evacuação forçada.
Nesta mesma sexta, 5, o Exército de Israel matou pelo menos 44 pessoas, incluindo sete crianças, em ataques à Cidade de Gaza, de acordo com a Al Jazeera. No total, o Ministério da Saúde de Gaza relata pelo menos 69 palestinos mortos e 422 feridos nas últimas 24 horas. Seis palestinos foram mortos e 190 feridos enquanto buscavam ajuda. O número total de mortos registrados desde 7 de outubro de 2023 é de 64.300, além de mais de 162 mil feridos.
Mais três mortes foram registradas nas últimas 24 horas devido à fome e à desnutrição, elevando o total desde o início da guerra para 376, incluindo 134 crianças. “Israel matou mais de 19 mil crianças em Gaza, a uma taxa de uma criança a cada 52 minutos”, aponta o Drop Site News. Entre elas, mais de 4.800 com menos de cinco anos e mais de 1.000 bebês.
Em Santos, manifestantes protestaram contra envio de carga de aço da Villares para Israel

Nesta sexta, 5 de setembro, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo participou de um protesto realizado por movimentos sociais e coletivos pró Palestina diante da Autoridade Portuária de Santos, contra a exportação de 56 toneladas de aço brasileiro para Israel, onde essa carga será utilizada na fabricação de munições a serem empregadas pelo Exército israelense contra os palestinos e outros povos da região.
A carga, produzida pela empresa brasileira Villares Metals, seria embarcada no navio de bandeira liberiana “MSC Leila”, que deverá seguir até Roterdã, na Holanda, de onde será transportada para o “ZIM America”, com chegada prevista em Haifa, Israel, em 17 de outubro.
A compradora do aço é a empresa israelense IMI Systems, subsidiária do grupo Elbit Systems, que produz armas e equipamentos militares. As informações sobre a operação comercial foram levantadas pelo movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel, conhecido pela sigla BDS.
Os manifestantes pediram o bloqueio dessa exportação, além da ruptura de relações diplomáticas e comerciais com o regime sionista: “Sem aço brasileiro para o genocídio palestino — rompimento já de relações com Israel”.


