O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) repudia as atitudes de grupos de extrema-direita que vêm divulgando, nas redes sociais, listas de estabelecimentos comerciais com o objetivo de promover boicotes contra comerciantes e perseguição de trabalhadores identificados como apoiadores do presidente Lula.
Publicações que circulam nas redes sociais convocam consumidores a deixar de frequentar determinados estabelecimentos em razão do posicionamento político de seus proprietários. As listas incluem empresas jornalísticas, bares, cafeterias, lojas, espaços culturais, empreendimentos de moda, profissionais autônomos e outros negócios locais.
A Regional Santos do SJSP relata que, na Baixada Santista, houve o caso do ex-secretário adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, o advogado Airton Sinto, que defendeu a não-contratação de trabalhadores que votaram contra o candidato Flávio Bolsonaro e não consumir de estabelecimentos “petistas”. Diante da repercussão negativa, ele pediu exoneração do cargo em Guarujá. Chegam no SJSP informações de que há perseguição a clientes e demissão de trabalhadores nas regionais Piracicaba, Ribeirão Preto, Alto Tietê/Vale do Paraíba e também da Capital.
O que está em jogo vai muito além de uma disputa eleitoral. Trata-se de posturas de natureza fascista, através da tentativa de constranger cidadãos por suas convicções políticas, mobilizando o poder de consumo para intimidar, isolar e potencialmente prejudicar economicamente pessoas que exercem sua liberdade de opinião.
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A democracia pressupõe o direito à divergência, não a imposição do silêncio pelo medo de perder o sustento. Ninguém deve ser perseguido, ameaçado ou submetido a campanhas de intimidação por apoiar um candidato, defender um partido ou expressar suas convicções políticas.
O Sindicato ressalta que a liberdade de expressão e a livre manifestação do pensamento são garantias fundamentais. Elas protegem tanto quem critica governos quanto quem os apoia. Não é possível defender a liberdade como um valor universal e, ao mesmo tempo, tentar restringi-la quando a opinião manifestada contraria as próprias convicções.
Há aqui uma aproximação histórica muito perigosa com o nazismo, baseada em três semelhanças: criação de listas de estabelecimentos para estimular a exclusão econômica; transformação de diferenças políticas ou identitárias em critérios de exclusão; mobilização coletiva para constranger e isolar.
O SJSP reafirma seu compromisso com a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e a defesa da democracia. Repudia toda forma de perseguição política e considera inaceitável que o direito de empreender e trabalhar seja colocado sob ameaça em razão das convicções de cada cidadão.
A economia, a cultura e a vida democrática são construídas por pessoas com diferentes histórias, opiniões e posições políticas. Nenhuma delas deve ser obrigada a esconder o que pensa para preservar seu trabalho ou seu negócio.


