A Justiça do Trabalho da 2ª Região atendeu a um pedido de tutela de urgência feito pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e determinou a reserva preventiva de créditos para garantir o pagamento de 11 jornalistas demitidos da IstoÉ Publicações (revistas IstoÉ, IstoÉ Dinheiro, IstoÉ Saúde, IstoÉ Mulher, IstoÉ Dinheiro Rural, Revista Menu, Revista Planeta, MotorsShow). A decisão do juiz Frederico Monacci Cerutti, da 6ª Vara do Trabalho de São Paulo, ordena que o liquidante extrajudicial do Banco Master reserve os valores devidos aos trabalhadores no Quadro Geral de Credores.
A ação civil coletiva ajuizada pelo sindicato cobra o pagamento de salários atrasados dos meses de abril e maio de 2026, verbas rescisórias, depósitos e multa do FGTS, vale-refeição e multas previstas na CLT. Além disso, a entidade requer indenizações por dano moral individual e por dano moral coletivo.
A ordem judicial recai sobre o Banco Master devido ao reconhecimento, em cognição sumária, da existência de um grupo econômico por coordenação e conluio fraudulento entre a IstoÉ Publicações Ltda., a controladora Entre Investimentos e Participações Ltda. e a própria instituição financeira.
Segundo o processo, investigações da Polícia Federal e procedimentos da CVM revelaram uma intrincada engenharia financeira com repasses milionários e circulação cruzada de capitais entre os empresários Antônio Carlos Freixo Júnior (grupo Entre/IstoÉ) e Daniel Vorcaro (Banco Master).
Para o advogado e assessor jurídico do SJSP, Dr. Raphael Maia: “Apesar de a decisão ter sido em caráter de cognição sumária, o juízo já reconheceu haver provas e indícios suficientes de que o grupo Entre — que controla a IstoÉ Publicações — e o Banco Master agiram em conluio de interesses, atraindo a responsabilidade solidária pelos pagamentos dos trabalhadores.”
Defender as(os) jornalistas!
O colapso da redação ocorreu em maio, após o bloqueio de bens do grupo e a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central. Os profissionais chegaram a fazer greve, tiveram o acesso biométrico à sede da redação da IstoÉ bloqueado e foram demitidos sem receber suas verbas rescisórias.
Segundo Alexandre Linares, diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, “as trabalhadoras e trabalhadores jornalistas fizeram mais de um mês de greve diante da recusa da empresa em pagar salários. Essa luta se transformou na luta pela rescisão dos contratos de trabalho e pelo pagamento. A empresa enrolou e enrolou. Todos os dias novas denúncias envolvendo o grupo Entre e o Banco Master ocupam os noticiários. Aviões eram pagos para a campanha de deputados bolsonaristas e financiavam a podridão do sistema político brasileiro. Milhões foram enviados para a produtora no escândalo da Dark Horse. A imprensa agora divulga que milhões foram enviados para candidaturas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas como propina, enquanto jornalistas e demais trabalhadores da IstoÉ ficavam sem salário, vale-refeição e outros direitos. A decisão é um passo no caminho da justiça. O Sindicato dos Jornalistas vai lutar até o fim por cada centavo de cada um dos trabalhadores e trabalhadoras da IstoÉ.”
O coordenador da Regional de São Paulo do SJSP, Rafael Benaque, completou: “essa conquista mostra como é fundamental a união dos trabalhadores. Os jornalistas, com o apoio do Sindicato, se mobilizaram, pararam os trabalhos e demonstraram para os patrões que não aceitariam a situação de desrespeito a que estavam sendo submetidos. Agora, continuaremos acompanhando o caso até que todos os jornalistas recebam tudo a que têm direito.”
A luta pelo pagamento das(os) jornalistas da IstoÉ continua!
Na decisão, o magistrado destacou o periculum in mora (“perigo na demora”) e o caráter alimentar dos salários, ressaltando que o encerramento abrupto das atividades da revista deixou os trabalhadores sem meios de subsistência. A decisão judicial assinala que a reserva de crédito tem caráter cautelar e evita que os ativos do banco sejam consumidos antes da conclusão do processo trabalhista. A audiência entre as partes foi designada para fevereiro de 2027.
Um dos trabalhadores que estão na ação coletiva do SJSP expressou seu agradecimento “Obrigado especialmente a todo mundo do Sindicato, que desde o início, muito antes de haver greve, demissão, processo, se colocou do nosso lado para entender a situação dos trabalhadores e ajudar no que fosse possível. Não tá nada ganho ainda, mas tá cada vez menos perdido. Nós por nós sempre!”


