Força especial israelense tentou matar detento palestino no Negev, diz grupo de direitos humanos; Israel mantém presos 9.400 palestinos, inclusive 99 mulheres e 350 crianças

Middle East Monitor*

As forças prisionais israelenses tentaram matar o detento palestino Ghassan Ibrahim Zawahreh, disparando três balas de borracha contra ele dentro da prisão de Negev, informou neste dia 8 de julho a organização não governamental Sociedade de Prisioneiros Palestinos (PPS), que responsabilizou integralmente as autoridades israelenses pela vida de Zawahreh.

Oriundo do campo de refugiados de Dheisheh, em Belém, no sul da Cisjordânia ocupada, Zawahreh tem sido submetido a revistas íntimas degradantes e espancamentos severos desde que foi transferido da prisão de Ganot-Rimon para a prisão de Negev em 8 de junho, segundo a PPS.

A organização afirmou que uma unidade especial israelense conhecida como Metzada realizou uma operação dentro da prisão em 17 de junho, durante a qual agentes dispararam balas de borracha contra os detentos. Zawahreh foi atingido primeiro na coxa, antes de ser alvejado deliberadamente mais duas vezes pelas forças prisionais israelenses, o que lhe causou ferimentos graves e sangramento intenso.

Em depoimento citado pelo grupo, Zawahreh relatou que tentou andar apesar do ferimento, mas desmaiou no pátio da prisão devido ao sangramento intenso e, posteriormente, perdeu a consciência. Um guarda prisional cortou suas calças ao redor do ferimento antes de arrastá-lo para a clínica da prisão, onde os guardas continuaram a insultá-lo e humilhá-lo. Ele ouviu um guarda perguntar a um médico: “Onde vamos colocar esse cachorro?”, referindo-se a ele.

Zawahreh foi posteriormente transferido para o Hospital Soroka, onde foi submetido a uma cirurgia. As autoridades prisionais israelenses o devolveram à prisão no mesmo dia em um veículo usado para transportar detentos, onde ele foi novamente espancado com cassetetes.

Na avaliação da PPS, as forças prisionais israelenses tentaram deliberadamente matar Zawahreh, ao disparar três balas de borracha contra ele antes de transferi-lo para a prisão de Ganot.

Zawahreh passou um total de 17 anos em prisões israelenses, incluindo sete anos cumprindo penas de prisão e o restante em detenção administrativa (quando não há acusação formal). Em fevereiro de 2025 ele foi preso novamente pelas forças israelenses e colocado em detenção administrativa mais uma vez.

De acordo com dados oficiais palestinos, cerca de 9.400 palestinos estavam detidos em prisões israelenses no início de julho, incluindo mais de 350 crianças e 99 mulheres.

Desde 8 de outubro de 2023, Israel intensificou as campanhas de prisão na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, em paralelo à sua guerra genocida na Faixa de Gaza, e instituições palestinas afirmam que milhares de palestinos foram detidos nesse período.

Comissão da ONU pede a Israel imediata libertação de Safiya

Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel pediu na quarta-feira a Israel a libertação imediata do Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan em Gaza, e de todos os profissionais de saúde palestinos detidos arbitrariamente, expressando preocupação com relatos de que ele tem sido submetido a “graves abusos” enquanto sob custódia, segundo a agência Anadolu. 

A Comissão Internacional Independente emitiu uma declaração expressando profunda preocupação com relatos críveis de que Abu Safiya tem sido submetido a abusos contínuos desde sua detenção pelas autoridades israelenses em dezembro de 2024.

A comissão pediu sua “libertação imediata, incondicional e segura”, instou as autoridades israelenses a fornecerem-lhe cuidados médicos independentes imediatos e afirmou que a contínua detenção arbitrária de profissionais de saúde palestinos e os maus-tratos sofridos por eles constituem “violações deploráveis ​​e flagrantes do direito internacional”.

*Matéria publicada em 8 de julho (confira aqui).

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