Ato em São Caetano reúne apoio à Palestina e critica projeto de Tabata

Evento reuniu cerca de 100 pessoas, lançou abaixo-assinado e debateu a situação palestina em atividade no Armazém do Campo
Cadu Bazilevski*

Cerca de 100 pessoas participaram neste sábado (20) do ato “Palestina Livre”, realizado no Armazém do Campo, em São Caetano do Sul.

Organizada pela Regional ABC do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, em parceria com entidades sindicais, movimentos sociais e organizações de solidariedade internacional, a atividade reuniu representantes de diferentes correntes políticas em defesa dos direitos do povo palestino e contra propostas que, segundo os organizadores, podem restringir a liberdade de expressão.

Entre as entidades envolvidas estiveram o Comitê ABC pela Palestina, o Comitê pela Palestina de Rio Grande da Serra, a ACAT Brasil, a APEOESP de São Bernardo do Campo, a Federação Árabe Palestina do Brasil, a Frente em Defesa da Palestina, o Núcleo Palestina do Partido dos Trabalhadores e outras organizações.

A programação incluiu almoço palestino, roda de conversa, exposição de charges e apresentação musical. O cartunista Guto Camargo levou trabalhos sobre a Palestina, enquanto o músico Chico Gretter participou das atividades culturais promovidas durante o encontro.

O principal tema discutido foi o projeto de lei apresentado pela deputada federal Tabata Amaral. Durante o evento, foi lançado um abaixo-assinado pedindo o arquivamento da proposta. Os participantes defenderam que a legislação brasileira já possui instrumentos para combater o antissemitismo, o racismo e a discriminação religiosa, tornando desnecessária a criação de novas tipificações relacionadas às críticas ao Estado de Israel.

Coordenadora da Regional ABC do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e uma das organizadoras do ato, a jornalista Vilma Amaro afirmou que o projeto não encontra respaldo jurídico nem social.

“O projeto é extemporâneo e não tem justificativa, porque a questão do ódio contra o povo judeu já está prevista nas leis que tratam do racismo e da injúria racial. Não tem cabimento criar uma legislação específica para quem critica o Estado Sionista de Israel”, declarou.

Vilma ressaltou que a defesa da causa palestina não representa qualquer forma de hostilidade ao povo judeu.

“Nós respeitamos profundamente o sofrimento do povo judeu, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial. Mas não podemos admitir que a memória daquele período seja utilizada para justificar a violência e as violações de direitos que atingem o povo palestino. Uma coisa é combater o antissemitismo. Outra é impedir o debate político sobre as ações do Estado de Israel”, afirmou.

Solidariedade internacional

Outro destaque do encontro foi a presença do ativista Thiago Ávila, reconhecido internacionalmente por sua participação em missões humanitárias voltadas à Faixa de Gaza. De acordo com Vilma, sua participação contribuiu para ampliar o debate sobre a situação humanitária enfrentada pela população palestina e sobre as iniciativas de solidariedade desenvolvidas por movimentos sociais em diferentes países.

O evento também contou com momentos simbólicos. Duas crianças autistas confeccionaram uma grande pipa com as cores da bandeira palestina, que foi exposta durante toda a atividade. A iniciativa emocionou os participantes e se transformou em um dos registros mais marcantes do encontro, reforçando a mensagem de paz, esperança e solidariedade defendida pelos organizadores.

Participaram dos debates Teresinha Pinto, do Núcleo Palestina do PT, Melina Manasseh, representante da Federação Árabe Palestina do Brasil, Fabio Bosco, da Frente em Defesa da Palestina, e a socióloga Clenilza Panato, do PCO.

Ao final da atividade, os organizadores anunciaram que pretendem ampliar a coleta de assinaturas contra o projeto de lei e fortalecer as mobilizações em defesa da Palestina na região do ABC Paulista.

*Com informações de Vilma Amaro

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