“Nossos irmãos que foram sequestrados e feitos reféns pelas forças de ocupação israelenses finalmente chegaram à Turquia. Os ativistas da flotilha permanecerão no país por mais dois dias para a realização de exames médicos e para prestar depoimento às equipes jurídicas antes de retornarem aos seus países de origem”, comunicou, nesta quinta-feira, 21 de maio, a Global Sumud Flotilha (GSF).
“A Turquia providenciou voos para que ativistas turcos viajassem de Israel”, informou o jornal israelense Haaretz. “Dados de voos disponíveis publicamente mostram que pelo menos dois voos da Turkish Airlines partiram do Aeroporto Internacional Ben-Gurion com destino a Istambul. O governo francês informou que 37 cidadãos franceses estavam sendo deportados para a Turquia”.
Entre as 428 pessoas que a Marinha de Israel capturou e sequestrou em águas internacionais do Mar Mediterrâneo na última segunda-feira e foram libertadas após fortes protestos estão Ariadne Teles, organizadora e coordenadora da GSF Brasil; Beatriz Moreira de Oliveira, militante do Movimento Atingidos por Barragens (MAB); Thainara Rogério, brasileira com cidadania espanhola; e o médico pediatra Cassio Guedes.
A libertação ocorreu um dia depois que o ministro israelense da Segurança Nacional, o neofascista Itamar Ben-Gvir, publicou nas redes sociais um vídeo gravado no interior de um navio-prisão, no qual ele próprio aparece zombando e provocando centenas de ativistas da GSF ajoelhados e com as mãos amarradas nas costas. Aparentemente as cenas degradantes ocorreram imediatamente após a chegada dos prisioneiros e prisioneiras ao porto de Ashdod, em Israel. O fato é que elas provocaram enorme indignação no mundo todo.
Diversos governos de países europeus, bem como os do Canadá, Austrália e Coreia do Sul, se pronunciaram em termos duros, condenando a demonstração de escárnio de Ben-Gvir. Polônia, Itália, França, Canadá, Bélgica, Austrália, Holanda e Reino Unido “convocaram os embaixadores israelenses para esclarecimentos e exigiram explicações ou pedidos de desculpas pelo tratamento dado a seus cidadãos a bordo da flotilha”, informou o Haaretz. Anteriormente, o sequestro das tripulações da GSF já havia sido objeto de uma nota de condenação assinada por dez países, entre os quais Brasil, Turquia, Indonésia, Paquistão e Espanha.
Na mesma quarta-feira em que Ben-Gvir “tocou o terror” em Ashdod e nas redes sociais, um grupo de 37 deputados do Parlamento Europeu divulgou uma nota em que exigem a suspensão imediata do acordo comercial entre a União Europeia e Israel, bem como a responsabilização das autoridades israelenses envolvidas na ação ilegal contra a GSF e suas tripulações, após uma investigação internacional independente.
“Em 18 de maio de 2026, as forças navais israelenses sequestraram violentamente os trabalhadores humanitários da Global Sumud Flotilha em águas internacionais do Mar Mediterrâneo. Seu sequestro constitui mais uma violação flagrante dos direitos e princípios consagrados na legislação da UE”, principia a nota.
“Uma interceptação anterior dessa mesma flotilha, em 29 de abril, produziu testemunhos documentados de tortura sistemática, abuso físico grave e violência sexual contra os participantes detidos. O Acordo de Associação UE-Israel contém obrigações vinculativas em matéria de direitos humanos. Essas obrigações estão sendo violadas de forma aberta e repetida. A contínua inação das instituições europeias torna a UE cúmplice desse padrão de impunidade”, adverte.
“Exigimos, portanto: suspensão imediata do Acordo de Associação UE-Israel até que sejam cumpridas as suas disposições em matéria de direitos humanos; a libertação imediata e incondicional de todos os participantes da flotilha detidos; uma investigação internacional independente sobre a extensão total da cumplicidade dos Estados-Membros da UE no rapto, detenção e violência física e sexual documentada infligida aos participantes da flotilha pelas forças israelenses”.
A Europa, finalizam, não pode continuar a ignorar a situação. “Cada omissão é um sinal para Israel de que não há consequências para a ilegalidade. Esse sinal tem de acabar agora”.


