Os repórteres-fotográficos palestinos Saber Nuraldin, da European Pressphoto Agency (EPA), e Saher Alghorra, do jornal New York Times, foram incluídos entre os 42 profissionais vencedores da edição de 2026 do principal prêmio mundial de fotojornalismo, o World Press Photo. O trabalho de Nuraldin recebeu o título de “Ajuda humanitária de emergência em Gaza” (Aid Emergency in Gaza), e o de Alghorra, “Testemunhando Gaza” (Witnessing Gaza).
Nuraldin e Alghorra captaram imagens impressionantes de episódios decorrentes das atrocidades cometidas por Israel contra a população palestina e que vêm chocando o mundo.
De acordo com os organizadores, o concurso anual World Press Photo “reconhece e celebra o melhor do fotojornalismo e da fotografia documental produzida ao longo do último ano”. Os números são eloquentes: “Selecionados entre 57.376 fotografias enviadas por 3.747 fotógrafos de 141 países, temos o prazer de apresentar os vencedores da 69ª edição do concurso!”, diz a apresentação.

No entender dos organizadores, os vencedores do World Press Photo de 2026 revelam o abuso de poder global, a crescente crise climática e o custo humano dos conflitos, “ao mesmo tempo que trazem à tona histórias de resistência, reconstrução, recuperação e a dignidade silenciosa e duradoura daqueles que perseveram”.
Os(as) 42 profissionais vencedores(as) “foram selecionados por um júri independente com base na excelência visual, na abordagem narrativa e no compromisso com a diversidade, celebrando vozes locais, dedicação e uma variedade de estilos”. Uma observação crucial é que não há hierarquia de vencedores em cada categoria: “Todos têm o mesmo peso”.
Dois fotojornalistas do Brasil foram igualmente contemplados com a premiação deste ano: Priscila Ribeiro, com a foto “Um Território de Esperança”, e Eduardo Anizelli, da Folha de S. Paulo, autor de um registro do massacre de 122 jovens pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, em outubro de 2025. Duas brasileiras, Denise Camargo e Alice Martins, integraram o júri do World Press Photo 2026.

Quem são Saber Nuraldin e Saher Alghorra
Nuraldin, de 46 anos, iniciou sua carreira aos 17, trabalhando para a Agência France Press (AFP). Em 2003 passou a trabalhar na EPA, cobrindo a Faixa de Gaza e os Territórios Palestinos. Documentou a Segunda Intifada, a retirada de Israel de Gaza em 2005, a tomada de Gaza pelo Hamas e diversas guerras entre Israel e Gaza. Ele também cobriu a rebelião popular no Egito em 2013.

Seu trabalho foi premiado com o Hamdan International Photography Award (HIPA) 2016 na categoria Pai e Filho; o Days Japan International Photojournalism Awards 2017; e o prêmio de Melhor Fotografia de Imprensa no Arab Journalism Award 2020. Nuraldin continua a fazer reportagens em Gaza, documentando o cotidiano e o impacto humano do conflito em curso.
Saher Alghorra, por sua vez, vem documentando o genocídio em Gaza. Ele estudou mídia e fotografia na Universidade da Palestina e começou a fotografar em 2017, depois que foi presenteado com uma câmera por seu pai.

Inicialmente, Alghorra registrava o cotidiano da vida na Cidade de Gaza. Porém, quando tiveram início os ataques de Israel à Faixa de Gaza, ele passou a focar tanto na destruição promovida pelos bombardeios israelenses quanto na resistência e sobrevivência da população, usando sua fotografia para transmitir aquela terrível realidade para uma audiência global.
Desde 2021, suas imagens vêm sendo publicadas por diferentes mídias, incluindo a agência Associated Press (AP), bem como os jornais Die Zeit, The Guardian e Time. Em 2025, ele passou a contribuir regularmente com o The New York Times.


