Na última segunda-feira, 30 de março, jornalistas que trabalham nas empresas de jornais e revistas da capital aprovaram a pauta de reivindicações que dá início à Campanha Salarial de 2026. O documento foi encaminhado às empresas na terça-feira, 31, com a solicitação para que já se estabeleça um calendário de negociações para discussão da nova Convenção Coletiva de Trabalho, que tem data-base em 1º de junho.
A pauta aprovada tem como eixo central a valorização salarial e a melhoria das condições de trabalho nas redações, em luta por valorização. Entre os principais pontos aprovados estão:
- Ganho real de salários, além da reposição da inflação do período (que é medida pelo INPC e será conhecida no mês de junho), como forma de recuperar o poder de compra da categoria, com a garantia de reajuste para todos os salários.
- Fim do “pisinho”, com a consolidação do piso salarial correspondente à jornada de 7 horas na Convenção Coletiva, atualmente em R$ 7.498,86.
- Extensão do auxílio-creche para todas e todos os jornalistas
- Vale-refeição diário no valor de R$ 42, com a garantia do benefício para profissionais de todas as empresas
- Cláusula de Vale-Transporte que seja de fato benéfica, sem descontos no holerite.
A pauta também inclui a discussão sobre o uso da chamada Inteligência Artificial nas empresas de comunicação, com a criação de um grupo de trabalho entre Sindicato e patrões com o objetivo de proteger empregos, garantir direitos e preservar a qualidade da informação jornalística.
Pela revogação da Lei dos Multimídias
Ao final da assembleia, a categoria aprovou por unanimidade um manifesto que denuncia os riscos da Lei 15.325/2026 para a precarização de diferentes profissões ligadas à comunicação, causando prejuízos não apenas à nossa categoria, mas a toda a sociedade. Leia abaixo a íntegra do texto aprovado:
Reunidas e reunidos em assembleia, jornalistas que trabalham nas empresas de jornais e revistas manifestam sua firme posição pela revogação da Lei nº 15.325/2026, que cria a chamada profissão de “multimídia” e representa uma ameaça concreta às condições de trabalho e à própria identidade do nosso ofício. Ampla e genérica, essa nova função sobrepõe atribuições já exercidas por jornalistas e por outras categorias da comunicação, desvalorizando de modo inaceitável o jornalismo e abrindo espaço para a precarização.
Nossa profissão é de interesse público, essencial para a democracia e para a livre circulação de informações. Trata-se de uma atividade regulamentada, com direitos, funções específicas e responsabilidades estabelecidas por lei e pela Constituição Federal, além de um Código de Ética próprio. A criação de uma nova categoria profissional com atribuições que invadem o campo do jornalismo representa, na prática, uma tentativa de desregulamentar a profissão e enfraquecer conquistas históricas da categoria.
Essa nova lei abre caminho para a substituição de jornalistas por profissionais com menor proteção trabalhista e sem o reconhecimento das especificidades do fazer jornalístico, o que tende a aprofundar a precarização das relações de trabalho, reduzir salários e enfraquecer a qualidade da informação produzida no país. Ao longo das últimas décadas, jornalistas já exercem seu ofício em diferentes plataformas e linguagens digitais, mas exercendo a profissão com técnica, responsabilidade e ética.
Diante desse cenário, esta assembleia reafirma a necessidade de mobilização nacional pela revogação da lei, reafirmando o papel dos sindicatos de jornalistas e da Federação Nacional dos Jornalistas, em defesa de uma atualização da nossa regulamentação profissional, do retorno à necessidade do diploma como critério de acesso à profissão, da valorização do trabalho jornalístico e dos direitos da categoria.


