“Gaza está em chamas”, disse o ministro da Defesa de Israel, enquanto os militares lançavam a parte principal de sua operação terrestre para tomar e assumir o controle da Cidade de Gaza. A operação em larga escala compreende três divisões de forças regulares e de reserva, disse um porta-voz do Exército. Israel atacou mais de 850 alvos na Cidade de Gaza na última semana, acrescentou o porta-voz, “preparando as condições do campo de batalha para a entrada de forças”. O jornalista Hani Mahmoud, da Al Jazeera, afirmou que “estamos testemunhando um terror sistemático e crescente infligido a essa população”.
No dia 15 de setembro, a Cidade de Gaza sofreu uma série de ataques em vários bairros, incluindo Al-Rimal, Sheikh Radwan, Karama, Tel Al-Hawa, Al-Yarmouk e Al-Daraj, resultando em inúmeras vítimas civis e na destruição de casas, escolas, mesquitas e prédios de apartamentos. Artilharia pesada, ataques aéreos e um ataque suicida com drones foram utilizados ao longo do dia, com grandes danos relatados na Torre Al-Ghafri, no Hotel Al-Mushtal e em várias residências familiares.
Na semana passada, sete crianças morreram no Complexo Médico Nasser, no sul de Gaza, relata o jornalista Abdallah Alattar. As mortes, incluindo bebês prematuros mantidos em incubadoras, decorreram de cortes de energia, desnutrição materna e outros impactos contínuos da guerra. Uma criança morreu depois que um parto atrasou, em razão da morte do médico responsável.
Eman Mohammed Fouad Al-Hasri, uma estudante de enfermagem de 22 anos, que cursava o último ano da Universidade Islâmica de Gaza, ficou presa sob os escombros quando sua casa no campo de refugiados de Al-Shati foi bombardeada em 9 de setembro. Ela sobreviveu sob os escombros por quase 11 horas antes que os socorristas pudessem alcançá-la e, posteriormente, morreu em decorrência dos ferimentos. O ataque também matou seus três irmãos e quase 30 parentes e vizinhos. Amigos se lembram de Eman por seu sonho de se formar e atender os pacientes de Gaza, deixando uma marca duradoura em todos que a conheceram.
A ONU condenou a escalada israelense na Cidade de Gaza, alertando para seu “impacto terrível” sobre os civis que já enfrentam a fome. A UNRWA afirmou que 10 de seus prédios, incluindo escolas e clínicas, foram atingidos em quatro dias, deslocando quase 70.000 pessoas para o sul. O OCHA afirmou que os serviços de saúde estão entrando em colapso e que Israel bloqueou a maioria das missões de ajuda planejadas, reiterando os apelos por acesso seguro e desimpedido.
O número total de óbitos registrados pelo Ministério da Saúde de Gaza desde 7 de outubro de 2023 é de 64.964, com 165.312 feridos. O número total de pessoas mortas devido à fome e à desnutrição desde o início da guerra subiu para 428 (incluindo 146 crianças).
Resumo baseado no Drop Site News de 16 de setembro
ONU deixa negacionistas do genocídio sem ter para onde ir

Acabou para os negadores do genocídio.
Hoje, uma comissão de inquérito independente das Nações Unidas emitiu um relatório concluindo que Israel está cometendo genocídio em Gaza. (Leia aqui a versão integral do relatório em português.)
Ela se juntou ao que agora é um consenso esmagador, incluindo estudiosos do genocídio — com uma moção da Associação Internacional de Estudiosos do Genocídio concluindo que Israel está cometendo genocídio aprovada, no início do mês, por 86%; bem como ongs como a Anistia Internacional e Médicos Sem Fronteiras, e as organizações israelenses de direitos humanos B’Tselem e Médicos pelos Direitos Humanos.
Até mesmo a BBC — que encobriu e legitimou o genocídio de Israel do começo ao fim — destacou o relatório da comissão da ONU como sua principal história em seu site.
Isso ocorreu poucos dias depois de o governo britânico, por meio de uma carta assinada pelo ministro de Relações Exteriores, David Lammy, declarar que havia concluído que Israel não está cometendo genocídio.
No momento em que o relatório é publicado, Israel busca completar os estágios finais do genocídio destruindo o que resta da Cidade de Gaza para que a população sobrevivente possa ser levada a um campo de concentração, e então todos os palestinos vivos possam ser removidos, acabando com a existência da população palestina de Gaza.
Isto não é exagero: é a posição oficial do governo israelense.
O relatório analisa vários crimes cometidos pelo Estado israelense, como a eliminação de famílias inteiras e a queda na expectativa de vida de 75,5 anos para 40,5 anos nos primeiros 12 meses do genocídio — o que eles observam ser uma subestimação, porque exclui impactos indiretos na moralidade, como a incapacidade de acessar cuidados de saúde e alimentos.
O relatório observa que pelo menos 46% das mortes registradas são de mulheres e crianças. O relatório descreve uma avalanche de ataques a prédios residenciais e tendas para pessoas deslocadas após a retomada da ofensiva genocida de Israel em março, e um relatório interno da inteligência israelense que indica que 83% dos mortos em Gaza são civis.
Ele detalha o uso de munições pesadas não guiadas “com uma ampla margem de erro em áreas residenciais densamente povoadas”. Cita um especialista militar que diz: “Israel está lançando em menos de uma semana o que os Estados Unidos lançavam no Afeganistão em um ano, em uma área muito menor e muito mais densamente povoada”. Eles observam: “Em muitas ocasiões, o bombardeio israelense destruiu prédios de apartamentos, matando quase todos os civis que ali viviam”.
Eles observam quase 500 ataques a instalações de saúde entre 7 de outubro de 2023 e 30 de julho de 2024, ataques deliberados a profissionais médicos e trabalhadores humanitários, e as consequências fatais do bloqueio de medicamentos e equipamentos médicos, levando à morte de bebês e mulheres grávidas.
Eles observam como a criação da Fundação Humanitária de Gaza, de nome orwelliano, foi acompanhada por massacres em massa de pessoas em busca de ajuda. Vale acrescentar que há um novo relatório do The New Humanitarian que constatou que Israel matou quase 3.000 palestinos enquanto tentavam obter ajuda, desde o início do genocídio. O relatório da ONU observa que 1.373 desses solicitantes de ajuda foram mortos entre maio e julho de 2025, com a chegada da Fundação Humanitária de Gaza.
Quanto ao massacre de civis, a comissão da ONU conclui o seguinte:
“Tendo concluído em seus relatórios anteriores que o crime contra a humanidade de assassinato e o crime de guerra de homicídio doloso foram cometidos, a Comissão analisou a escala dos assassinatos e concluiu que os assassinatos de civis palestinos foram realizados em larga escala, durante um período significativo e em uma área geográfica ampla. As vítimas do bombardeio não foram identificadas ou visadas como civis individuais. Pelo contrário, as vítimas foram visadas coletivamente devido à sua identidade como palestinas. A Comissão concluiu, portanto, que as autoridades israelenses cometeram o crime contra a humanidade de extermínio na Faixa de Gaza, matando civis palestinos”.
Este é um ponto realmente importante. A Comissão conclui que o Estado israelense está conscientemente matando um grande número de civis sem nenhuma outra razão além de serem palestinos.
A íntegra deste texto do jornalista britânico Owen Jones, publicado em 16 de setembro no site Owen Jones Battlelines, está disponível aqui
No ataque à capital do Iêmen na semana passada, Israel teria assassinado 31 jornalistas; funerais foram nesta terça, 16
A emissora Euronews noticiou que centenas de pessoas assistiram, nesta terça-feira 16 de setembro, aos funerais de 31 jornalistas iemenitas que teriam sido mortos nos devastadores ataques aéreos de Israel à capital iemenita, Sanaa, controlada pelos Houthi, no dia 10 de setembro.
A Al Masirah TV transmitiu os funerais na terça-feira, mostrando dezenas de pessoas rezando dentro de uma mesquita. Os caixões foram também objeto de uma cerimônia de despedida ao serem transportados para os locais de enterro, ladeados por guardas de honra. No entanto, a afluência às urnas foi inferior ao esperado. Testemunhas oculares atribuíram a menor afluência às fortes chuvas que atingiram Sanaa na ocasião.
Os ataques de Israel tiveram como alvo declarado os Houthi, em resposta às ações militares desfechadas por esse grupo em solidariedade aos palestinos, mas mataram dezenas de civis, incluindo jornalistas que trabalhavam em dois jornais, 26 de Setembro e Al-Yaman, e feriram 165 pessoas.Segundo as autoridades iemenitas, a maioria dos mortos por Israel eram civis. Os ataques visaram zonas residenciais e apenas um local militar, segundo o Ministério da Saúde.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), sediado em Nova Iorque, declarou que ainda está investigando as mortes de jornalistas iemenitas, “devido à rigorosa censura Houthi em vigor e às dificuldades em verificar os fatos no terreno em Sanaa”, segundo a Euronews.
Porém, a Human Rights Watch (HRW) confirmou que Israel atacou um centro de comunicação social que abrigava a sede de dois jornais, descrevendo os ataques como mais um exemplo dos perigos que os jornalistas enfrentam no Iêmen. “Ataque das forças israelenses em Sanna mata jornalistas”, publicou a HRW no seu site. No entanto, a ong também faz acusações aos Houthis: “Autoridades de Israel e do Iêmen atacam profissionais da mídia”, diz o subtítulo da nota, redigida pela pesquisadora Niku Jafarnia.
De acordo com a autora, o prédio bombardeado por Israel abrigava a sede da imprensa houthi e os escritórios de dois jornais. “Mohammed al-Basha, analista do Iêmen, disse que os ataques foram realizados enquanto funcionários do jornal 26 de Setembro, controlado pelos Houthis, estavam imprimindo o jornal. ‘Como se trata de uma publicação semanal, e não diária, os funcionários se reuniram na editora para se preparar para a distribuição, aumentando significativamente o número de pessoas presentes no complexo’, disse ele no X”.
Os militares israelenses, por sua vez, alegaram simplesmente haver atacado o “Departamento de Relações Públicas Houthi”.


