1.000 dias de genocídio em Gaza deixaram quase 59 mil crianças órfãs; em pleno “cessar-fogo”, Israel já matou 1.059 palestinos(as)

Drop Site News*

De acordo com o Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza, os seguintes números marcam os 1.000 dias desde o início da guerra de Israel contra Gaza, em 7 de outubro de 2023:

• 73.066 palestinos assassinados(as) — 55% desse total eram crianças, mulheres ou idosos — e 173.514 feridos.

• Ficaram órfãs 58.800 crianças, com apenas um dos pais ou nenhum; mais de 2.700 famílias foram apagadas do registro civil.

• Entre as pessoas mortas, 556 eram trabalhadores humanitários e 1.700 eram profissionais de saúde. Israel danificou, destruiu ou interditou 38 hospitais, e alvejou 197 ambulâncias.

• Mais de 2,1 milhões de casos de doenças infecciosas foram registrados.

• Mais de 22 mil pacientes precisam de tratamento no exterior, mas não conseguem sair de Gaza devido às restrições israelenses.

• 262 jornalistas foram assassinados(as) por Israel (há estimativas que chegam a 300 mortes).

• A Faixa de Gaza sofreu destruição de 90%, com o lançamento de 223 mil toneladas de explosivos, sendo que 410 mil casas e edifícios foram destruídos ou tornados inabitáveis.

• Cerca de 2 milhões de pessoas foram deslocadas à força, e 350 mil famílias precisaram de abrigo.

• Estima-se que as perdas econômicas diretas em 15 setores cheguem a 80 bilhões de dólares.

A despeito do “cessar-fogo”, ataques israelenses continuam

Ataques israelenses mataram três palestinos e feriram outros em Gaza nesta quarta-feira, enquanto as forças de Israel continuaram suas violações do cessar-fogo com demolições de casas, ataques a tendas de deslocados e bombardeios indiscriminados, informou o Palestine Online.

Aviões israelenses atingiram um grupo de pessoas no bairro de Sheikh Radhwan, na Cidade de Gaza, matando duas e ferindo várias outras. O Crescente Vermelho Palestino informou que suas equipes evacuaram duas pessoas feridas, uma em estado crítico, após um ataque israelense atingir um grupo de civis na Rua Omar al-Mukhtar, no centro da Cidade de Gaza.
No sul, veículos israelenses dispararam diretamente contra tendas e casas de deslocados na área de Qizan Rashwan, ao sul de Khan Younis. Um morador de Rafah também morreu em decorrência de ferimentos sofridos um ano antes.

Desde 11 de outubro de 2025, o primeiro dia completo do chamado “cessar-fogo”, Israel matou pelo menos 1.059 palestinos(as) em Gaza e feriu 3.429, enquanto 788 corpos foram recuperados dos escombros.

Autoridades de Gaza afirmam que a fome retornou

Apenas 25% das necessidades alimentares da população de Gaza estão entrando na Faixa pelas passagens de fronteira, informou o Ministério do Desenvolvimento Social de Gaza nesta quarta-feira.

O vice-ministro Riyad al-Bitar atribuiu a crise às severas restrições à ajuda humanitária, ao colapso econômico e ao controle israelense sobre os caminhões comerciais; ele afirmou que Israel permite a passagem de apenas 120 a 150 caminhões de ajuda e comerciais por dia, em comparação com os 600 acordados no cessar-fogo de outubro.

As forças israelenses mataram a tiros Saleem Al-Ashqar, de 32 anos, goleiro do Khadamat Khan Younis e que também jogou pelos clubes Al-Aqsa e Al-Musaddar, na segunda-feira, em Al-Qarara, nordeste de Khan Younis, segundo a Federação Palestina de Futebol, que informou que ele havia se casado recentemente e estava esperando seu primeiro filho.

A associação afirmou que o número total de figuras do esporte palestino mortas desde o início do genocídio é de 1.009, incluindo 567 do futebol, e disse ter apresentado uma queixa à FIFA solicitando a expulsão de Israel.

Onze palestinos mortos e 866 detidos em Jerusalém

Pelo menos 11 palestinos foram mortos em Jerusalém Oriental ocupada durante o primeiro semestre de 2026, incluindo oito baleados por forças israelenses e três mortos por colonos israelenses, informou o governo de Jerusalém na quinta-feira.

As autoridades israelenses impuseram um fechamento quase total da Mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos, de 28 de fevereiro até o final do período em análise, impedindo a entrada de fiéis em meio a uma escalada de incursões de colonos.

O governo também registrou 269 ataques de colonos israelenses, 866 prisões de palestinos, 288 demolições e operações de nivelamento de terrenos — incluindo 66 autodemolições forçadas — e 89 planos e projetos relacionados a assentamentos, que, segundo o governo, fazem parte de uma política sistemática destinada a expandir os assentamentos e deslocar à força os palestinos de Jerusalém.

Os Estados Unidos e Israel assinaram um acordo para construir um complexo permanente da embaixada americana no terreno de 5,2 hectares do Quartel Allenby, no sul de Jerusalém, sob um contrato de arrendamento de 99 anos por US$ 1 por ano, apesar das reivindicações de propriedade por famílias palestinas que detêm títulos de propriedade anteriores a 1948, informou o Ahram Online.

Ao discursar na cerimônia de assinatura, o embaixador americano Mike Huckabee afirmou que Washington “hastearia nossa bandeira” em Jerusalém, que ele chamou de “capital eterna, nativa e para sempre do povo judeu”.

A medida consolida a transferência da embaixada ordenada pelo presidente Donald Trump em 2017, que contraria o Acordo de Oslo, bem como as resoluções da ONU que rejeitam mudanças unilaterais no status da cidade, incluindo a Resolução 478 do Conselho de Segurança, que declarou “nula e sem efeito” a reivindicação de Israel de uma Jerusalém “completa e unificada” e instou os Estados a retirarem suas missões diplomáticas da cidade.

*Resumo da edição de Drop Site News de 2 de julho de 2026 (confira aqui a publicação original em inglês).

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