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Praça Vladimir Herzog recebe Auê de Carnaval pelo terceiro ano consecutivo

Folia ocorre no domingo, 22 de fevereiro, a partir das 11h, no espaço de memória. Anaí Rosa e a Banda Chiquita Bacana comandam o bloco “Nóis Sofre Mas Nóis Goza”, em homenagem ao jornalista Lourenço Diaféria. Atividade é parte da programação mensal do "Todo Mundo Tem Que Falar, Cantar e Comer".
Thaís Manhães

A edição de fevereiro do Todo Mundo Tem Que Falar, Cantar e Comer já tem data marcada: 22 de fevereiro, no último domingo do mês, como de costume. O horário e o local seguem os mesmos, a partir das 11h, na Praça Memorial Vladimir Herzog / Espaço Cultural a Céu Aberto Elifas Andreato, com a clássica caipirinha de boas-vindas, preparada por por Paulo e Leonardo Cseh e José Carlos Iacomussi.

O que muda é o tema da edição. Se no mês passado a programação celebrou o 80º aniversário de nascimento de Elifas Andreato, patrono do espaço cultural, e os 472 anos da cidade de São Paulo, desta vez o espaço de memória entra em clima de folia. Em sintonia com o contexto jornalístico do espaço de memória e com o calendário carnavalesco, a programação ganha pelo terceiro ano consecutivo um Auê de Carnaval, com direito a bloco e tudo: o Nóis Sofre Mas Nóis Goza, criado em meados dos anos 70.

À época, o Auê era, na verdade, uma passeata travestida de bloco, um ato em solidariedade a Lourenço Diaféria, jornalista preso durante a ditadura militar após a publicação da crônica “Herói. Morto. Nós.”, na Folha de S.Paulo em 1º de setembro de 1977.

A crônica de Diaféria desagradou o regime ao afirmar preferir o sargento Sargento Sílvio, que havia pulado em um poço de ariranhas para salvar uma criança a Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro. Leia mais: HERÓI. MORTO. NÓS.

Após a prisão, cerca de 50 jornalistas saíram da Praça Princesa Isabel, onde há uma estátua em homenagem a Duque de Caxias, e seguiram pelas avenidas Rio Branco e Ipiranga, encerrando o trajeto no Bar Redondo, localizado em frente ao Teatro Arena. O percurso da folia-manifestação formava a letra L, referência tanto a Lourenço quanto à liberdade, como relata Sergio Gomes em artigo de Naief Haddad, publicado na Folha de S.Paulo.

marchinha-hino recebe o mesmo nome do bloco, e foi criada pelos jornalistas Jorge Araújo e Oswaldinho Macunaíma.

“A gente canta o sofrimento
Em verso e prosa
Nóis sofre más nóis goza
Nóis sofre mas nóis goza
‘Aí que delícia’

Tenho andado nesse
bloco passea….ta
Pra lembrar Lourenço Diaféria
nessa pra…ça

E o que me resta
É um grito bem gritado
Meio troncho de saudade

É tudo que me resta
Me agride com a cuíca
Me espanca com pandeiro

A gente canta o sofrimento
Em verso e prosa
Nóis sofre mas nóis goza
Nóis sofre mas nóis goza”

Para a edição de 2023, o jornalista e artista plástico Enio Squeff produziu uma série de dez estandartes festivos que desfilaram pelo espaço de memória durante o cortejo. Saiba mais sobre o bloco neste vídeo produzido pelo Canal da Praça, órgão laboratorial do Projeto Repórter do Futuro.

Neste ano, no último domingo de fevereiro, dia 22, o bloco será realizado pela terceira vez consecutiva na Praça Vladimir Herzog, dentro da programação do evento mensal Todo Mundo Tem Que Falar, Cantar e Comer, organizado pelo Coletivo Cultural Amigos da Praça Vladimir Herzog.

Quem anima o Auê é Anaí Rosa e a Banda Chiquita Bacana, formada por Carla Arnoni (teclado), Giba Pinto (baixo), Giba Favery (bateria) e Billy Magno (saxofone). Anaí tem 3 cds solos gravados: “Influências, Samba Comigo” e “Anaí Rosa Atraca Geraldo Pereira”, este último pelo Selo Sesc, álbum que foi indicado ao Grammy Latino, na edição 2019. O encontro entre Anaí e a Banda promete música popular de qualidade, marchinhas de carnaval e muita alegria para quem se juntar ao Auê.

Anaí integrou a banda Havana Brasil, com intensa atuação em clubes e casas dedicadas à música dançante, especialmente no Bourbon Street Music Club, em São Paulo. Paralelamente, participou de outros projetos musicais em gêneros diversos como samba, samba-canção, forró, choro, bolero e salsa, o que lhe permitiu dividir o palco com artistas consagrados da música brasileira, entre eles Alceu Valença, Elba Ramalho, Moraes Moreira, Guinga, Proveta, Bebê Kramer e Cleber Silveira, entre outros. Foto: Piu Dip/Divulgação.

Confraria dos Cozinheiros da Liberdade ainda está em definição pelo coletivo, assim como o cardápio desta edição. No âmbito gastronômico do evento, o lema é “Quem pode, paga. Quem não pode, pega”. O valor de contribuição sugerido é de R$ 25, destinado a cobrir os custos de realização do evento mensal, em defesa da democracia, da liberdade e da fraternidade. As demais manifestações culturais que integrarão a programação desta edição serão divulgadas em breve.

Serviço:

Todo Mundo Tem Que Falar, Cantar e Comer – edição de Fevereiro.

Quando: 22 de fevereiro de 2026

Horário: a partir das 11 horas

Onde: Praça Memorial Vladimir Herzog/Espaço Cultural a Céu Aberto Elifas Andreato

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