No último dia 8 de junho, o Centro Árabe para o Avanço das Mídias Sociais (“7amleh”) divulgou os resultados de uma nova pesquisa, intitulada “O Plataformicídio da Palestina (2021-2025): uma análise baseada em dados da aplicação de Políticas, Moderação e Comunicação da Meta”, que documenta padrões de censura e supressão que afetaram o conteúdo palestino nas plataformas da Meta ao longo de um período de cinco anos.
Desenvolvida pela 7amleh em colaboração com o pesquisador Fabio Cristiano, professor da Universidade de Utrecht, a pesquisa baseia-se na análise de 3.520 casos submetidos ao Observatório Palestino de Violações dos Direitos Digitais (7or) entre 2021 e 2025. Os resultados indicam que a moderação de conteúdo palestino pela Meta não é resultado de erros isolados, mas reflete padrões recorrentes na aplicação de políticas, práticas de fiscalização e comunicação com os usuários afetados.
A pesquisa constatou que a Meta modera frequentemente conteúdo palestino por meio de sua política de Organizações e Indivíduos Perigosos (DOI), originalmente criada para combater o terrorismo e a violência organizada. A política foi aplicada repetidamente a conteúdo publicado por jornalistas, organizações de mídia, atores da sociedade civil, ativistas e usuários comuns, o que levanta preocupações de que a expressão palestina seja rotineiramente abordada por meio de uma estrutura de segurança, em vez de ser tratada como um discurso político, jornalístico ou cívico legítimo.
Os resultados também revelam deficiências significativas em termos de transparência. Em quase 70% dos casos documentados, os usuários não foram claramente informados sobre qual política supostamente violaram, enquanto muitas apelações receberam respostas genéricas ou nenhuma resposta. Entre 2021 e 2025, quase metade das 2.800 apelações enviadas pela 7amleh não recebeu resposta da Meta.
A pesquisa documenta ainda uma crescente dependência de formas menos visíveis de fiscalização, incluindo distribuição reduzida, filtragem de recomendações, shadowban, restrições à funcionalidade da conta e limitações à transmissão ao vivo. Essas medidas frequentemente afetam o alcance e a visibilidade do conteúdo palestino sem que os usuários sejam claramente informados de que restrições foram impostas.
“O estudo ‘Plataformicídio da Palestina 2021–2025’ fornece as evidências mais abrangentes até o momento sobre o apagamento sistemático de usuários e conteúdo palestinos pelas plataformas da Meta. Ao se referir a esse processo como ‘plataformicídio’, a pesquisa demonstra que a Meta faz mais do que aplicar moderação excepcional a palestinos e conteúdo relacionado à Palestina”, destaca Cristiano, que é professor assistente de Estudos de Conflito da Universidade de Utrecht e principal pesquisador do estudo realizado.
“Sua abordagem envolve uma arquitetura sociotécnica mais ampla, caracterizada por aplicação excessiva de políticas, aplicação desproporcional contra jornalistas e veículos de comunicação, mudanças de políticas ad hoc, supressão algorítmica, restaurações tardias e comunicação deficiente ou inexistente com usuários e partes interessadas afetados, incluindo a 7amleh”. Uma das principais conclusões do relatório é que “o plataformicídio se intensificou após 7 de outubro de 2023 e durante todo o genocídio em Gaza, precisamente no momento em que os palestinos mais precisavam das plataformas”, frisa Cristiano.
“Os palestinos dependem cada vez mais de plataformas digitais para documentar violações, compartilhar informações, preservar a memória coletiva e defender seus direitos”, disse Nadim Nashif, fundador e diretor executivo da 7amleh. “Esta pesquisa demonstra que os desafios enfrentados pelo conteúdo palestino não se limitam a incidentes isolados de censura. Eles refletem preconceitos estruturais e racismo mais profundos dentro dos sistemas de moderação da Meta, que continuam a minar os direitos digitais dos palestinos, restringir o acesso à informação e enfraquecer o espaço cívico online.”
A pesquisa solicita que a Meta realize uma auditoria independente de direitos humanos em seus sistemas de moderação relacionados à Palestina, reforme a aplicação da política de Organizações e Indivíduos Perigosos, fortaleça as proteções ao jornalismo e ao conteúdo de interesse público, aprimore a moderação em língua árabe, aumente a transparência em relação às decisões de moderação e estabeleça mecanismos de escalonamento e apelação mais eficazes para jornalistas, defensores dos direitos humanos e organizações da sociedade civil.
Os resultados foram apresentados durante um evento público de lançamento realizado em 8 de junho de 2026, em parceria com a Plataforma de Governança Contestável da Universidade de Utrecht. A pesquisa completa baseia-se em dados coletados por meio do 7or, Observatório Palestino para Violações de Direitos Digitais da 7amleh, e examina as práticas de moderação da Meta no Facebook e no Instagram entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025.
*Publicado em 9 de junho (confira aqui).


