O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifestam seu profundo pesar pelo falecimento, aos 78 anos de idade, do jornalista e professor José Salvador Faro, intelectual combativo, generoso e incansável defensor dos direitos dos trabalhadores da educação.
Graduado em História pela Universidade de São Paulo em 1973, Faro logo se interessou pelo jornalismo, campo ao qual dedicou seus estudos e sua carreira. Em 1975, então militante do Partido Comunista Brasileiro, foi preso e levado ao DOI-CODI, episódio que marcou sua trajetória de resistência intelectual e política contra a Ditadura Militar (1964-1985).
Atuou na imprensa alternativa, colaborando com os jornais Opinião e O São Paulo, além de ter trabalhado na Agência de Notícias Italiana (ANSA). Posteriormente colaborou com o Observatório da Imprensa e outros veículos, nos quais publicou análises críticas sobre comunicação e sociedade — experiências que levava para a sala de aula. Sua tese de doutorado na USP deu origem ao livro Realidade, 1966-1968. Tempo da reportagem na imprensa brasileira — uma referência fundamental nos estudos sobre a imprensa brasileira dos anos 1960 e 1970.
Como professor universitário, atuou por anos na Universidade Metodista de São Paulo (Unimep) e também na PUC-SP, contribuindo com a formação de centenas de jornalistas ao longo de quatro décadas, entre os quais alguns que hoje integram a própria Diretoria do SJSP. Orientou iniciações científicas, trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses, consolidando uma referência na formação de gerações de profissionais.
Foi um dos fundadores da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação em 1977, presidindo a entidade entre 1997 e 1999, período em que ajudou a consolidar o campo dos estudos de comunicação no Brasil. Também integrou comissões de especialistas do MEC e participou do programa de capacitação de avaliadores do INEP. Atuou ainda na diretoria da SBPJor e como consultor da Capes, CNPq e Fapesp.
No Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), onde chegou à vice-presidência, José Salvador Faro esteve na linha de frente das greves das escolas privadas em 2017 e 2018, batalhando pela valorização da categoria. Também colaborou como coordenador editorial da revista Giz, na qual publicou reflexões sobre o trabalho docente e os rumos da educação no Brasil. Em 2017, foi demitido pela Unimep em represália direta à sua atuação sindical em defesa dos direitos dos professores, episódio que expôs a perseguição política aos professores daquela universidade confessional.
Nos últimos anos, manteve firme intervenção no debate público, escrevendo sobre qualidade do ensino superior, reforma trabalhista, autonomia universitária e políticas de educação, sempre em defesa da escola pública, da liberdade acadêmica e do direito à educação de qualidade.
José Salvador Faro deixa um legado de luta, pensamento crítico e compromisso ético com a docência e com o jornalismo, sendo lembrado sempre como um professor generoso, preocupado com a formação de seus alunos e defensor intransigente da qualidade do ensino superior. Sua ausência será sentida, mas sua trajetória continuará inspirando a resistência de todos que acreditam na educação e no jornalismo como pilares de uma sociedade democrática.
São Paulo, 29 de setembro de 2025
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Federação Nacional dos Jornalistas


