Neste 2° turno, jornalistas votam pela liberdade de imprensa, direitos e democracia!

Em assembleia, categoria aprova manifesto dirigido a todas e todos os colegas do estado de São Paulo
Redação - SJSP

Neste segundo turno, está em jogo mais do que a escolha entre duas candidaturas. Está em disputa o projeto de país que deixaremos para as próximas gerações. Para as e os jornalistas, essa escolha tem uma dimensão particular: não existe jornalismo livre, independente e comprometido com o interesse público sem democracia. E não existe democracia sem direito à informação.

A categoria conhece os efeitos de um governo que tratou a imprensa como inimiga. Entre 2018 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, jornalistas e, em particular, as mulheres jornalistas foram alvo de agressões físicas e virtuais, ameaças e tentativas de descredibilização. Em 2020, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas contabilizaram 175 ataques de Jair Bolsonaro contra jornalistas e veículos de comunicação. O Sindicato também ingressou na Justiça com ação por dano moral coletivo em razão dos ataques dirigidos à categoria. Em 2023, Bolsonaro foi condenado definitivamente como assediador de jornalistas.

Esses episódios fizeram parte de um ambiente de hostilidade sistemática à imprensa, à ciência e às instituições. Durante a pandemia, nossa categoria teve um papel decisivo na busca por dados, na denúncia de omissões e na circulação de informações essenciais à população. Ao mesmo tempo, o Sistema Único de Saúde, apesar dos ataques que sofreu, foi fundamental para enfrentar a crise sanitária. A experiência mostrou o custo que a desinformação e o enfraquecimento das instituições podem produzir.

Para quem luta pela valorização do jornalismo, pela retomada da exigência do diploma, por vínculos de trabalho dignos e pelo combate à pejotização e à precarização, a democracia é a condição básica para o exercício de nossa profissão.

Não está em jogo apenas quem ocupará o governo. Está em disputa o papel dos serviços públicos – braço fundamental dos mais vulneráveis -, os direitos do conjunto da classe trabalhadora, a soberania sobre nossos recursos e a capacidade das instituições de proteger a sociedade.

Por isso, a possibilidade de uma mudança profunda na Constituição Federal de 1988 não pode ser tratada como uma fanfarronice qualquer ou um significante vazio. Flávio Bolsonaro declara abertamente que vai atacar a soberania e os direitos sociais, trabalhistas, políticos e individuais costurados a partir da luta dos que resistiram durante a Ditadura Militar e inscritos na atual Constituição.

Ao contrário, o que é urgente é uma reforma política radical, como o próprio presidente Lula afirmou em diversas entrevistas, que dê fim ao modelo de emendas parlamentares, fundo partidário e eleitoral entre muitas outras medidas a necessárias para enfrentar as enormes deformações do atual sistema político e cujo próximo Congresso Nacional será ainda pior.

O segundo turno, portanto, é uma escolha sobre o país que queremos. É uma decisão entre entreguismo e neocolonialismo. Mais direitos ou menos direitos. Mais espaço para a participação social ou maior concentração de poder. Mais liberdade para o jornalismo ou mais intimidação e violência. Mais proteção ao trabalho ou mais precarização. São questões concretas, que terão efeitos sobre a vida de milhões de pessoas para os próximos anos ou décadas.

Para o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, defender a democracia é parte fundamental da defesa do próprio jornalismo. É defender a liberdade de imprensa, o direito à informação, a organização dos trabalhadores e as instituições construídas pela sociedade brasileira. Por isso, conclamamos a categoria a participar desse debate, informar, conversar e ajudar a enfrentar a desinformação neste momento crucial da História de nosso país.

Não podemos nos furtar a denunciar a lamentável postura do patronato da mídia diante de uma eleição que envolve diretamente o futuro da democracia e os rumos de nosso país. É especialmente revoltante o silenciamento de informações de evidente interesse público e a falsa equivalência entre projetos políticos profundamente distintos, em nome dos interesses econômicos dos proprietários das grandes empresas de comunicação.

Ao privilegiar seus interesses empresariais em detrimento do direito da população à informação, esses grupos de mídia comprometem a própria função social do jornalismo e contribuem para ocultar quais serão as consequências concretas de um eventual governo da extrema-direita em relação ao direito dos trabalhadores, à soberania nacional e às liberdades democráticas.

Milhões de brasileiros já estão mobilizados em defesa da democracia, da soberania e dos direitos. Trabalhadores, movimentos sociais, estudantes, jornalistas, artistas, juristas e organizações da sociedade civil estão ocupando seu espaço nesse debate. A categoria pode e deve se somar a esse movimento, levando para sua experiência e sua responsabilidade com a informação de interesse público, em respeito à nossa prática profissional e ao nosso Código de Ética.

Como jornalistas e como cidadãos, temos responsabilidade na escolha do país que elegeremos. A disputa eleitoral está aberta, e a vitória da democracia está em nossas mãos. Como brasileiras e brasileiros, em defesa de nosso futuro, estaremos nas urnas no próximo dia 25 de outubro para reeleger Luís Inácio Lula da Silva.

MANIFESTO APROVADO NA ASSEMBLEIA DAS(OS) JORNALISTAS DO ESTADO DE SÃO PAULO EM 8 DE OUTUBRO DE 2026

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