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Morreu esta manhã, no Rio de Janeiro, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira

Tânia Caliari

Editor dos jornais Opinião (1972-1975) e Movimento (1975-1981) durante da ditadura civil militar, Raimundo manteve por toda vida um jornalismo combativo com o qual buscava “a elevação do padrão material e cultural do povo”, como dizia. 

Em 1975, rompido com Opinião, do empresário progressista Fernando Gasparian, Raimundo fundou o jornal Movimento que se tornou um dos principais jornais alternativos à grande mídia e de enfrentamento à ditadura. Em 1985 lançou em fascículos a coleção Retrato do Brasil fazendo um balanço dos 20 anos de Ditadura, sempre buscando entender e apresentar a condição de subordinação e dependência do País, por meio de temas cruciais como desigualdade social, urbanização, industrialização, dívida externa, que vendeu 60 mil exemplares de sua versão em livro, e chegou a todas as escolas públicas de São Paulo. Anos depois da redemocratização, Raimundo fundou a Editora Manifesto, lançando em 1998 a revista Reportagem, com linha editorial de combate à política neoliberal do governo FHC. “Não fique perdido no processo de globalização”, dizia a propaganda de página inteira no primeiro número de Reportagem, apresentando os serviços da editora, “uma empresa a serviço dos trabalhadores e pequenos e médios empresários, de oposição ao desenvolvimento cada vez mais dependente e cada vez menos democrático comandado pelos monopólios”. O anúncio explicitava ainda seu ‘objetivo social’: “a elevação do padrão material e cultural de centena de milhão de brasileiros que estão sendo postos à margem da vida do país”. Em 2005 lançou nova edição de Retrato do Brasil, desta vez cobrindo as mudanças ocorridas no país entre 1984 e 2004, “da ditadura militar à ditadura financeira”. O título Retrato do Brasil se perpetuou até 2015 como revista mensal de reportagens, artigos e pontos de vista com cobertura dos fatos mais relevantes do Brasil e do Mundo. 

Pernambucano da cidade de Exu, Raimundo Rodrigues Pereira nasceu no dia 08 de setembro de 1940. Aos três anos de idade, mudou-se com a família para o interior de São Paulo. Em 1960 deu início à faculdade de Engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos/SP. Ainda estudante, foi alvo de perseguição ideológica pelo conteúdo publicado no jornal produzido pelos estudantes. Foi expulso do ITA em 1964, no contexto do golpe militar, chegando a ser preso. Após a soltura, estudou e formou-se em Física na USP, mas passou a trabalhar como jornalista, atuando como redator de revistas técnicas até alcançar os veículos da grande imprensa. Foi da equipe que lançou a revista Veja, tendo sido editor de política que, em dezembro de 1969, organizou um histórico dossiê denunciando a tortura no governo Médici. Foi idealizador, editor e repórter das edições Amazônia e Nossas Cidades da revista Realidade, e ainda repórter de Ciência Ilustrada, Isto é, do jornal Folha da Tarde. Fez parcerias e colaborações com as revistas Caros Amigos e Carta Capital. 

Vivia no Rio de Janeiro, ontem ainda colaborou com os sites Brasil 247 e revista Piauí.

Deixa quatro filhas e quatro netos, muitos amigos e admiradores do grande homem e jornalista que foi.

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