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Israel já matou 447 palestinos desde início do cessar-fogo em Gaza; número oficial de vítimas fatais palestinas desde 2023 supera 71 mil; frio e bloqueio agravam crise humanitária

Drop Site News*

Desde 11 de outubro, o primeiro dia completo do cessar-fogo, Israel matou pelo menos 447 palestinos em Gaza e feriu 1.246, enquanto 697 corpos foram recuperados dos escombros, de acordo com o Ministério da Saúde. Nas últimas 24 horas, os corpos de cinco palestinos chegaram a hospitais em Gaza, enquanto seis ficaram feridos. O número total de mortos desde 7 de outubro de 2023 é agora de 71.424, com 171.324 feridos.

Uma criança de um ano morreu devido ao frio extremo, elevando para sete o número total de mortes infantis causadas pelo frio desde o início deste inverno. Quatro palestinos morreram e vários outros ficaram feridos quando uma tempestade polar provocou o desabamento de muros sobre tendas e abrigos improvisados que abrigavam famílias deslocadas a oeste da Cidade de Gaza.

Tempestades de inverno podem causar vítimas em massa devido ao colapso de abrigos: 94% das tendas em Gaza destinadas a deslocados internos ou 127 mil das 135 mil — estão inabitáveis, deixando centenas de milhares de pessoas expostas ao frio intenso do inverno, sem cobertores, colchões ou aquecimento, segundo o Governo de Gaza. Autoridades atribuem a crise à destruição, por Israel, de aproximadamente 90% das estruturas de Gaza, ao deslocamento de mais de dois milhões de pessoas e ao fechamento das passagens de fronteira por mais de 500 dias, período em que o Exército israelense bloqueou 250 mil caminhões de ajuda humanitária e combustível.

Ataques israelenses atingiram 303 abrigos e 61 centros de distribuição de alimentos, enquanto a destruição de 38 hospitais e o consequente fechamento de 96 centros de saúde no enclave contribuíram para dezenas de milhares de casos de doenças respiratórias e infecciosas, com pelo menos 21 mortes por exposição ao frio.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) afirmou que as condições em Gaza permanecem críticas, com as tempestades de inverno desfazendo os recentes esforços de ajuda. Os parceiros do OCHA alcançaram 28 mil famílias na semana passada, mas pelo menos 1,1 milhão de pessoas ainda precisam urgentemente de abrigo, já que as tendas continuam sendo destruídas pelo vento e pela chuva. A ONU ressaltou que as tendas são apenas uma solução paliativa e afirmaram que a recuperação total requer ferramentas, cimento, maquinário pesado e financiamento contínuo, essenciais para a reconstrução, mas cuja entrada em Gaza é proibida por Israel.

A ONU informou ainda que cerca de 4.900 das aproximadamente 76 mil crianças examinadas em Gaza em dezembro foram identificadas com desnutrição aguda — cerca de 6,4% —, incluindo mais de 820 casos graves. Parceiros afirmaram que o total de casos de desnutrição aguda identificados em 2025 se aproxima de 95 mil.

O cerco israelense destruiu a capacidade de diagnóstico, incluindo as unidades de raio-X e de imagem do Hospital Al-Shifa, deixando os médicos incapazes de diagnosticar doenças como pneumonia, insuficiência cardíaca, hemorragia interna ou fraturas, disse Mimi Syed, médica radicada nos EUA que já trabalhou como voluntária duas vezes em Gaza. Syed destacou que o Ministério da Saúde de Gaza afirmou anteriormente que 90% dos suprimentos para testes de sangue e transfusões estão esgotados e 75% dos materiais essenciais de laboratório estão indisponíveis, enquanto grupos de ajuda humanitária alertam que cerca de 350 mil pacientes com doenças crônicas correm risco de vida devido à extrema escassez de medicamentos e diagnósticos.

Israel demoliu mais de 2.500 edifícios em Gaza desde cessar-fogo

O jornal The New York Times revelou que Israel demoliu mais de 2.500 edifícios na Faixa de Gaza desde o cessar-fogo de outubro último. Imagens de satélite da Planet Labs mostram extensa destruição em áreas sob controle israelense e além da chamada Linha Amarela. Autoridades israelenses disseram ao Times que as demolições visam túneis e estruturas armadilhadas, mas o jornal observa que a escala da destruição excede em muito as necessidades claras de segurança e viola o cessar-fogo.

A Unidade de Investigações Internas da Polícia de Israel descobriu imagens de vídeo de agosto a setembro de 2025 que mostram policiais da Polícia de Fronteira do Batalhão Avnet, composto por membros da casta Haredi, cometendo espancamentos e abusos contra trabalhadores palestinos em Beit Hanina e arredores de Jerusalém, informou a Autoridade de Radiodifusão de Israel.

*Este texto é um resumo das informações publicadas em inglês na edição de 13 de janeiro da Drop Site News.

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