Na última terça-feira, 3 de fevereiro, o Ministério Público Federal (MPF) conduziu uma sessão de escuta ativa para aprofundar a apuração sobre a participação do Grupo Folha no aparato de repressão da ditadura militar brasileira. Foram convidados jornalistas diretamente vitimados pelas ações da empresa no período e outras pessoas diretas e indiretamente atingidas pela atuação da empresa. A atividade, coordenada pela procuradora da República Ana Letícia Absy, teve como objetivo discutir possíveis medidas de reparação diante da gravidade dos fatos apurados e relatados.
Em formato híbrido, a sessão contou ainda com a presença de pesquisadores, advogados e representantes de entidades que atuam pela investigação dos crimes da ditadura, pela reparação às vítimas e pela ampla divulgação das violações de direitos ocorridas entre 1964 e 1985. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo esteve representado por seu presidente, Thiago Tanji, e pelo coordenador jurídico, dr. Raphael Maia.
Em conjunto com Regina Pimenta, vice-presidenta da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Tanji fez a fala inaugural, destacando a importância de ouvir jornalistas vítimas da ditadura e de registrar como o Grupo Folha atuou de maneira ativa a serviço da repressão. As entidades apresentaram ao Ministério Público uma série de reivindicações de reparação, elaboradas a partir de uma reunião preparatória com jornalistas vitimados, realizada no dia 30 de janeiro, no Auditório Vladimir Herzog.
Durante a sessão, profissionais de imprensa relataram que o Grupo Folha não apenas apoiou explicitamente a ditadura do ponto de vista editorial, como também contribuiu materialmente para a repressão a militantes que combatiam o regime. Atuais diretores do Sindicato, Vilma Amaro e Edmundo Moraes compartilharam memórias sobre como o jornal Folha da Tarde mantinha, entre seus quadros, agentes policiais envolvidos em operações de perseguição, sequestro e tortura, além de reproduzir versões fraudulentas sobre mortes de militantes, muitas delas provocadas em sessões de tortura no DOI-CODI.
“Após nossa prisão, fomos chamados de terroristas, éramos estigmatizados e perdíamos oportunidades de emprego. Felizmente, sou uma sobrevivente”, relatou Vilma Amaro. Ela defendeu que o Grupo Folha seja responsabilizado por sua atuação durante a ditadura e obrigado a financiar centros de memória, para que estudantes e a sociedade conheçam o que de fato ocorreu no período.
Outro depoimento marcante foi o de Rose Nogueira, ex-diretora do Sindicato e que trabalhou como jornalista da Folha da Tarde, presa 34 dias após dar à luz. Rose foi separada de seu filho recém-nascido e submetida a torturas, incluindo aplicações de progesterona para interromper a lactação, o que resultou em esterilidade. Ela foi demitida enquanto estava presa, sob a alegação de “abandono de emprego”, apesar de as chefias terem pleno conhecimento de sua prisão pela repressão.
Além dos relatos das vítimas, as arbitrariedades cometidas pelo Grupo Folha estão documentadas em pesquisas acadêmicas. Flora Daemon, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), integrante da equipe da série documental Folha Corrida (2025), participou da audiência e ressaltou a necessidade de reconhecimento público, por parte das empresas, de sua atuação em episódios de violação de direitos humanos.
A série é baseada no projeto de pesquisa “A responsabilidade de empresas por violações de direitos durante a Ditadura: o caso Folha de S.Paulo”, que reuniu amplo material comprovando a contratação de agentes da repressão pelo Grupo Folha, demissões irregulares de funcionários e o uso de veículos da empresa em ações clandestinas do Estado, que resultaram em sequestros e assassinatos.
O coordenador jurídico do SJSP, dr. Raphael Maia, destacou a urgência de reparação às vítimas. “É preciso de uma vez por todas repassar a nossa história e responsabilizar as empresas que de alguma forma colaboraram com a ditadura.”, afirmou.
Além da procuradora Ana Letícia Absy, participaram da audiência Sandra Lia e João Francisco, do MPF, e Renan Kalil, procurador do Ministério Público do Trabalho. O inquérito, construído a partir dos depoimentos e da pesquisa documental, tem como objetivo a adoção de medidas concretas de reparação pelas violações de direitos cometidas durante a ditadura militar. Em 2020, a Volkswagen firmou um Termo de Ajustamento de Conduta para reconhecer sua cumplicidade com a repressão política e destinar R$ 36,3 milhões em reparações.
“Nosso Sindicato tem o dever de representar a categoria em todos os momentos. Aliado a isso, mantemos uma luta intransigente pela democracia e por Justiça diante dos crimes da ditadura militar, que perseguiu e assassinou jornalistas. O Grupo Folha não pode esconder sua história e deve prestar contas à sociedade e a seus trabalhadores”, afirma Thiago Tanji.
Na última terça-feira, 3 de fevereiro, o Ministério Público Federal (MPF) conduziu uma sessão de escuta ativa para aprofundar a apuração sobre a participação do Grupo Folha no aparato de repressão da ditadura militar brasileira. Foram convidados jornalistas diretamente vitimados pelas ações da empresa no período e outras pessoas diretas e indiretamente atingidas pela atuação da empresa. A atividade, coordenada pela procuradora da República Ana Letícia Absy, teve como objetivo discutir possíveis medidas de reparação diante da gravidade dos fatos apurados e relatados.
Em formato híbrido, a sessão contou ainda com a presença de pesquisadores, advogados e representantes de entidades que atuam pela investigação dos crimes da ditadura, pela reparação às vítimas e pela ampla divulgação das violações de direitos ocorridas entre 1964 e 1985. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo esteve representado por seu presidente, Thiago Tanji, e pelo coordenador jurídico, dr. Raphael Maia.
Em conjunto com Regina Pimenta, vice-presidenta da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Tanji fez a fala inaugural, destacando a importância de ouvir jornalistas vítimas da ditadura e de registrar como o Grupo Folha atuou de maneira ativa a serviço da repressão. As entidades apresentaram ao Ministério Público uma série de reivindicações de reparação, elaboradas a partir de uma reunião preparatória com jornalistas vitimados, realizada no dia 30 de janeiro, no Auditório Vladimir Herzog.
Durante a sessão, profissionais de imprensa relataram que o Grupo Folha não apenas apoiou explicitamente a ditadura do ponto de vista editorial, como também contribuiu materialmente para a repressão a militantes que combatiam o regime. Atuais diretores do Sindicato, Vilma Amaro e Edmundo Moraes compartilharam memórias sobre como o jornal Folha da Tarde mantinha, entre seus quadros, agentes policiais envolvidos em operações de perseguição, sequestro e tortura, além de reproduzir versões fraudulentas sobre mortes de militantes, muitas delas provocadas em sessões de tortura no DOI-CODI.
“Após nossa prisão, fomos chamados de terroristas, éramos estigmatizados e perdíamos oportunidades de emprego. Felizmente, sou uma sobrevivente”, relatou Vilma Amaro. Ela defendeu que o Grupo Folha seja responsabilizado por sua atuação durante a ditadura e obrigado a financiar centros de memória, para que estudantes e a sociedade conheçam o que de fato ocorreu no período.
Outro depoimento marcante foi o de Rose Nogueira, ex-diretora do Sindicato e que trabalhou como jornalista da Folha da Tarde, presa 34 dias após dar à luz. Rose foi separada de seu filho recém-nascido e submetida a torturas, incluindo aplicações de progesterona para interromper a lactação, o que resultou em esterilidade. Ela foi demitida enquanto estava presa, sob a alegação de “abandono de emprego”, apesar de as chefias terem pleno conhecimento de sua prisão pela repressão.
Além dos relatos das vítimas, as arbitrariedades cometidas pelo Grupo Folha estão documentadas em pesquisas acadêmicas. Flora Daemon, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), integrante da equipe da série documental Folha Corrida (2025), participou da audiência e ressaltou a necessidade de reconhecimento público, por parte das empresas, de sua atuação em episódios de violação de direitos humanos.
A série é baseada no projeto de pesquisa “A responsabilidade de empresas por violações de direitos durante a Ditadura: o caso Folha de S.Paulo”, que reuniu amplo material comprovando a contratação de agentes da repressão pelo Grupo Folha, demissões irregulares de funcionários e o uso de veículos da empresa em ações clandestinas do Estado, que resultaram em sequestros e assassinatos.
O coordenador jurídico do SJSP, dr. Raphael Maia, destacou a urgência de reparação às vítimas. “É necessário, de uma vez por todas, revisitar nossa história e responsabilizar as empresas que colaboraram com a ditadura. Hoje, o Grupo Folha não é apenas um jornal, mas um grande banco, que tem responsabilidade direta pelo que ocorreu naquele período”, afirmou.
Além da procuradora Ana Letícia Absy, participaram da audiência Sandra Lia e João Francisco, do MPF, e Renan Kalil, procurador do Ministério Público do Trabalho. O inquérito, construído a partir dos depoimentos e da pesquisa documental, tem como objetivo a adoção de medidas concretas de reparação pelas violações de direitos cometidas durante a ditadura militar. Em 2020, a Volkswagen firmou um Termo de Ajustamento de Conduta para reconhecer sua cumplicidade com a repressão política e destinar R$ 36,3 milhões em reparações.
“Nosso Sindicato tem o dever de representar a categoria em todos os momentos. Aliado a isso, mantemos uma luta intransigente pela democracia e por Justiça diante dos crimes da ditadura militar, que perseguiu e assassinou jornalistas. O Grupo Folha não pode esconder sua história e deve prestar contas à sociedade e a seus trabalhadores”, afirma Thiago Tanji.
Dentre os pontos discutidos na reunião do dia 29 de janeiro, para reparação, estão:
- Reconhecimento e pedido de desculpas à sociedade na Capa de todos os jornais do Grupo por ter atuado para legitimar e apoiar a violência do regime (primeira página do jornal e site por três meses), com destaque para:
I-) A posição editorial de legitimação das graves violações de direitos humanos perpetradas pelo regime ditatorial;
II-) A atuação em benefício das “ações psicológicas” disseminando narrativas falsas como se verdade fossem, cumprindo um papel central e consciente de espraiamento massivo de informações equivocadas, parciais ou falsas;
III-) A presença e contratação de policiais e agentes da repressão dentro da redação e na estrutura empresarial do Grupo Folha;
IV-) O papel cumprido pelo Grupo Folha, com destaque para o jornal Folha da Tarde, como porta-voz das posições dos órgãos estatais, policiais e militares da repressão política à maioria do povo;
V-) Demissão política de jornalistas, com destaque para as demissões após a greve de 1979;
VI-) Cessão de veículos do Grupo Folha para a repressão;
VII-) Danos individuais diretos e indiretos decorrentes de tortura, prisão, morte e do desaparecimento forçado dos militantes que foram alvo dessas graves violações de direitos humanos; - Financiamento de um Centro de Memória sobre Imprensa e Ditadura – vinculado ao Sindicato dos Jornalistas
- Concessão de espaço no jornal Folha de S. Paulo sobre a ditadura, com destaque para matérias e histórias dos jornalistas perseguidos.


