FENAJ exige medidas contra constrangimentos e restrições ao trabalho jornalístico na Copa do Mundo

Manifestamos nossa solidariedade à jornalista Karine Alves, da TV Globo, que relatou ter sido submetida a uma situação constrangedora ao ingressar nos Estados Unidos
Redação - FENAJ

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), por meio de sua Comissão de Mulheres Jornalistas e da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Social (Conajira), vem a público manifestar preocupação diante dos relatos de profissionais de imprensa que atuam na cobertura da Copa do Mundo de 2026 e têm enfrentado episódios de constrangimento, restrições à circulação e dificuldades para o pleno exercício da atividade jornalística.

Em um dos casos mais graves, a jornalista Karine Alves, da TV Globo, compartilhou publicamente um episódio ocorrido durante seu processo de ingresso nos Estados Unidos. Segundo seu relato, ela foi retirada da fila regular da imigração, tratada de forma ríspida por agentes estadunidenses e submetida a procedimentos como a revista de seu cabelo. A profissional observou que a medida teria sido aplicada apenas a pessoas negras que ingressavam no país.

O tratamento racista e xenófobo vivido por Karine soma-se a outras situações relatadas nas últimas semanas envolvendo dificuldades impostas a profissionais e torcedores que chegam às cidades-sede para acompanhar a Copa do Mundo. Entre os casos que causaram indignação internacionalmente está a do do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, impedido de ingressar em território estadunidense para participar da competição.

Jornalistas também relatam diferentes obstáculos impostos ao trabalho da imprensa, incluindo restrições de circulação em espaços utilizados pelas seleções durante os treinamentos, dificultando o acesso de jornalistas às atividades relacionadas ao torneio.

Diante desse cenário, a FENAJ defenderá, no âmbito da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), o encaminhamento de documento à FIFA propondo garantias às e aos profissionais de imprensa credenciados para competições organizadas pela entidade.

Entre as medidas consideradas essenciais estão a garantia de condições de trabalho seguras e livres de discriminação para jornalistas de todas as nacionalidades; a criação de mecanismos acessíveis e independentes para o recebimento e a apuração de denúncias de assédio, violência e discriminação; a adoção de protocolos específicos de proteção para mulheres jornalistas; e o compromisso dos países anfitriões com a liberdade de imprensa, a liberdade de circulação e a independência profissional dos trabalhadores da comunicação.

Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da categoria, com o combate a todas as formas de discriminação e com a promoção de um ambiente seguro para o exercício do jornalismo em todas as partes do mundo. O livre exercício jornalístico e o respeito aos profissionais de imprensa devem ser plenamente respeitados por organizadores, autoridades e países anfitriões.

Brasília, 11 de junho de 2026

Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)

Comissão de Mulheres da FENAJ

Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira)

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