O jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira, dia 9 de agosto, publicou um editorial intitulado “Vício Corporativo”, onde critica a decisão dos senadores da República, por esmagadora maioria, em aprovar a PEC 033, que reinstitui a obrigatoriedade do diploma em Jornalismo para o exercício da profissão.
O editorial classifica a decisão soberana do parlamento brasileiro como um mero “lobby de faculdades e sindicatos” que “providenciaram proposta de emenda à Constituição destinada a assegurar sua reserva de mercado à custa daquelas liberdades fundamentais” – de informação e expressão.
Além de ofensivo, pois considera que os senadores eleitos democraticamente pelos brasileiros são joguetes suscetíveis à vontade dos sindicatos e das faculdades de jornalismo, o editorial explicita os verdadeiros interesses envolvidos na queda do diploma, bandeira entusiasticamente empunhada pelo jornal Folha de S. Paulo e pelas redes de televisão, através de entidades empresariais como a ABERT e a ANJ.
Não foi segredo para os senadores, como também para a maioria dos jornalistas brasileiros, que o fim do diploma tinha como interesse exclusivo desregulamentar uma profissão composta por profissionais saídos dos bancos das mais importantes faculdades de jornalismo, com o intuito de achatar salários.
O cozinheiro, como o jornalista, “não necessitaria de um diploma de curso superior para preparar uma refeição” disse pejorativamente o ex-presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, arauto do lobby empresarial, no seu arrazoado para extinguir a exigência do diploma. Alías, até mesmo os cozinheiros procuram se qualificar cada vez mais através de faculdades de gastronomia.
O fim do diploma em jornalismo, decorrência de decisão equivocada do STF em audiência realizada em junho de 2009, só trouxe danos para a categoria e para os leitores, ouvintes e telespectadores em geral. Eliminou-se assim qualquer critério para conseguir o registro profissional no Ministério do Trabalho e Emprego, facilitando a obtenção de um documento com valor de carteira de identidade que permite que qualquer portador se passe por jornalista, sem exercer de fato a profissão ou sem nunca ter pisado em uma redação, independentemente de escolaridade. Em geral, só a desejam em busca de vantagens pessoais
A derrota de Gilmar Mendes e dos empresários de comunicação na votação do Senado é fundamental não apenas para os jornalistas do país, mas para todos os cidadãos brasileiros que prezam a informação de qualidade e o respeito com aquilo que recebem diariamente através dos noticiários, sejam eles de jornais, TVs, revistas, sites e rádio. A luta agora será na Câmara Federal, onde a matéria será analisada.