Na próxima quinta-feira (27), o Cineclube Vladimir Herzog, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), exibirá o documentário “Os Melhores Trabalhadores do Mundo”, dirigido pelo jornalista e professor Antônio Assiz.
A sessão será realizada às 19h, na sede do SJSP, e contará com a presença de Carmen Sylvia Vidigal Moraes, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Centro de Memória da Educação (FEUSP); Altemir Almeida, da Rede Interação; e Thiago Tanji, presidente do SJSP. Após a exibição, haverá um debate sobre o filme e os temas abordados pela produção.
A luta dos trabalhadores por direitos
“Os Melhores Trabalhadores do Mundo” integra uma série de cinco documentários dirigidos por Antônio Assiz e lançados em julho de 2026. As produções recuperam a história de movimentos populares que contribuíram para o desenvolvimento de São Paulo, destacando o protagonismo de trabalhadores migrantes que chegaram ao planalto paulista entre as décadas de 1950 e 1970 e se organizaram na luta por direitos.
O documentário parte das greves operárias que marcaram São Paulo a partir de 1978 e acompanha a trajetória de uma vanguarda de trabalhadores que acumulava experiências de organização e resistência nas Comissões de Fábrica e na Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo (OSM-SP).
Parte desses militantes havia atuado na clandestinidade durante os anos mais duros da ditadura militar, especialmente após o AI-5, em 1968. Em 1974, mais de 40 militantes da OSM-SP foram presos pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). No ano seguinte, a organização não conseguiu sequer concorrer às eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.
As greves de 1978 e 1979 representaram um momento importante dessa trajetória. Centenas de trabalhadores foram demitidos por sua participação nos movimentos grevistas e nos piquetes. Em 1979, durante a greve geral dos metalúrgicos de São Paulo, o operário Santo Dias da Silva foi assassinado pela Polícia Militar. Santo era candidato a vice-presidente na chapa da OSM-SP nas eleições de 1978, encabeçada por Anizio Batista.
O período também é retratado no filme Braços Cruzados, Máquinas Paradas, de Roberto Gervitz, que aborda a organização dos trabalhadores metalúrgicos e as disputas sindicais daquele período.
Diante das demissões e da necessidade de qualificação profissional para a recolocação dos trabalhadores, a OSM-SP criou a Escola Nova Piratininga, que oferecia cursos intensivos de formação profissional e política. A escola também contribuiu para a formação de militantes que atuariam em sindicatos, oposições sindicais, partidos e organizações populares, além de iniciativas ligadas à Juventude Operária Católica (JOC) e à Pastoral Operária.
Ao recuperar essa história, o documentário contribui para preservar a memória das lutas sociais e sindicais que ajudaram a transformar a cidade de São Paulo e a ampliar direitos dos trabalhadores.
Serviço
Cineclube Vladimir Herzog – “Os Melhores Trabalhadores do Mundo”
📅 27 de agosto de 2026 (quinta-feira)
🕖 19h
📍 Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP)
Rua Rêego Freitas, 530, sobreloja, República – São Paulo (SP)
🎟️ Entrada gratuita
Estacionamento próximo: Rua Rego Freitas, 527 (sem convênio).
Ficha técnica
Os Melhores Trabalhadores do Mundo – Brasil, 2026
Direção: Antônio Assiz
Documentário | 45 minutos


