Desde 11 de outubro de 2025, o primeiro dia completo do chamado “cessar-fogo” supostamente em vigor, Israel assassinou pelo menos 1.005 palestinos em Gaza e feriu 3.157, enquanto 784 corpos foram recuperados dos escombros, segundo o Ministério. O número total de mortes contabilizadas desde 7 de outubro de 2023 subiu para 73.016, com 173.265 feridos.
O Ministério da Saúde palestino em Gaza alertou que poderá ser forçado a suspender seu programa de encaminhamento médico caso as autoridades israelenses não aumentem o número de pacientes autorizados a deixar Gaza para tratamento e facilitem os procedimentos de viagem. Em comunicado, o ministério informou que começará a publicar as listas de pacientes submetidas à Organização Mundial da Saúde (OMS) para aprovação de segurança, que ainda não receberam resposta.
Cerca de 3.000 casos foram submetidos desde fevereiro de 2026 e aguardam as aprovações necessárias. As aprovações não são emitidas de acordo com a ordem de apresentação dos pedidos, o que resulta em longos períodos de espera e agravamento do sofrimento dos pacientes.
Colonos israelenses incendiaram duas mesquitas nas aldeias de Jaljilya e Mazra’a al-Nubani, ao norte de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, na madrugada de quarta-feira, causando danos materiais e deixando pichações racistas e incitadoras nas paredes de um dos locais, segundo a WAFA. Relatos indicam que os colonos se infiltraram em Jaljilya e atearam fogo na Grande Mesquita da aldeia, onde os moradores os confrontaram no início do incêndio.
Posteriormente, as forças israelenses entraram na aldeia e dispararam gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral. Em um incidente separado, colonos invadiram a Mesquita Al-Farouq em Mazra’a al-Nubani e a incendiaram, danificando partes do edifício e seu conteúdo.
Israel aprova 576 novas habitações em assentamentos ilegais
As autoridades israelenses aprovaram na quarta-feira 576 novas unidades habitacionais em assentamentos na Cisjordânia ocupada, segundo o Ynet, bem como o primeiro projeto de construção em Hebron, em décadas, a prosseguir sem a aprovação da prefeitura palestina — um edifício de 1.000 metros quadrados perto de Beit Romano. Isso ocorre após declarações do ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, na terça-feira, de que havia aprovado a transferência da autoridade de planejamento e construção ao redor da Mesquita de Ibrahimi, em Hebron, também conhecida como Túmulo dos Patriarcas, da prefeitura palestina para as autoridades israelenses.
A medida fere uma parte crucial dos Acordos de Oslo de 1997 — que dava aos palestinos o controle dos assuntos daquela cidade. O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou posteriormente que o Protocolo de Hebron “não foi cancelado em sua totalidade” e que a decisão se aplica “apenas” ao planejamento e à construção relacionados a áreas de assentamentos e locais sagrados judaicos.
O governo Trump está buscando um compromisso da Autoridade Palestina (AP) para retirar ou suspender os processos judiciais contra Israel em fóruns internacionais, como parte de negociações destinadas a melhorar as relações EUA-AP e a avançar com um plano mais amplo de normalização das relações em Gaza, informou o The Times of Israel. Autoridades americanas e palestinas discutiram um possível memorando de entendimento relacionado ao plano de Trump para Gaza no pós-guerra, que prevê que a AP assuma o governo da Faixa após a implementação de reformas.
As discussões incluem um possível apoio dos EUA à reabertura da missão diplomática da OLP em Washington e ao levantamento das sanções contra a Autoridade Palestina, caso as reformas desejadas sejam concluídas. A AP, por sua vez, buscou uma linguagem que exigisse a interrupção da expansão dos assentamentos israelenses e ações mais enérgicas contra a violência dos colonos.
Os EUA também buscam a liberação de mais de US$ 5 bilhões em receitas fiscais palestinas retidas, embora o ministro Smotrich tenha bloqueado as propostas de transferência, e Washington esteja, em vez disso, tentando direcionar uma parcela significativa desses fundos para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, órgão tecnocrático “palestino” supervisionado pelo “Conselho da Paz”, em vez de diretamente pela AP.
O prisioneiro palestino Ayman al-Fakhouri foi libertado de uma prisão israelense na terça-feira, após 26 meses detido sem acusação formal ou julgamento, informou a Quds News, compartilhando imagens de antes e depois que mostram sua grave deterioração física durante a detenção. Ele estava detido sob o sistema de detenção administrativa de Israel, que permite que palestinos sejam mantidos presos indefinidamente com base em provas secretas, sem serem informados das acusações contra eles ou terem direito a um julgamento. Cerca de 49% dos palestinos detidos em prisões israelenses estão presos sem acusação formal, de acordo com a Sociedade de Prisioneiros Palestinos.
O presidente Donald Trump afirmou na terça-feira que “sem os Estados Unidos, não haveria Israel”, acrescentando: “sem mim, não haveria Israel, porque nenhum outro presidente esteve disposto a fazer o que eu fiz” ao confrontar o Irã. Porém, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, contestou as declarações de seu próprio chefe de Estado, dizendo, em uma conferência na Cisjordânia ocupada, que “sem Israel, sem a base judaica, não haveria uma América” e que os Estados Unidos “devem sua própria existência ao que aconteceu nesta terra”.
Ao construir bases militares na Síria, Israel busca presença permanente
Uma nova análise da organização Armed Conflict Location & Event Data (ACLED) afirma que a construção militar israelense e a expansão da rede de bases no sul da Síria representam um esforço para estabelecer uma presença permanente e remodelar o controle no sul do país.
De acordo com Muaz Al Abdullah, gerente de pesquisa da ACLED para o Oriente Médio, a construção de uma estrada militar estratégica por Israel através da zona tampão de Quneitra faz parte de um esforço mais amplo para estabelecer uma presença militar permanente após o colapso do governo Assad em dezembro de 2024. As forças israelenses estabeleceram nove bases e postos avançados militares no sudoeste da Síria, incluindo quatro fora da antiga zona tampão, além de construir estradas militares, infraestrutura elétrica e helipontos.
A ACLED registrou incursões terrestres israelenses no sul da Síria em maio de 2026, concentradas em Daraa e Quneitra. Al Abdullah disse que o desenvolvimento da estrada “é uma tentativa calculada de redesenhar fundamentalmente as linhas de autoridade e controle espacial dentro da zona de fronteira”, com partes da área sendo absorvidas pela “esfera tática e administrativa direta” de Israel. Leia mais sobre as operações de Israel em Quneitra aqui.
*Resumo de matéria publicada na edição de 17 de junho de Drop Site News (disponível aqui).


