Depois de passar oito dias ilegalmente encarcerado na prisão militar de Shikma, em Ascalom, Israel, e outros dois numa embarcação militar israelense, o ativista da causa palestina Thiago Ávila desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, na noite desta terça-feira 11 de maio, e foi recebido por calorosa recepção de apoiadores e amigos. Thiago era um dos sete brasileiros a bordo da Global Sumud Flotilla (GSF), que foi atacada pela Marinha de Israel em águas internacionais, nas proximidades da ilha grega de Creta, no dia 29 de abril.
A ação ilegal da Marinha israelense, comandada pela fragata “Naschon”, capturou e sequestrou 175 tripulantes da GSF, muitas das quais foram agredidas e submetidas a maus tratos. Após dois dias do sequestro, 173 pessoas foram libertadas pelos militares israelenses na Grécia. Porém, Thiago Ávila e Saif Abukechek, ambos membros do Comitê Diretor da GSF, foram mantidos presos e conduzidos à prisão de Shikma. Depois, em audiências judiciais nos tribunais de Israel, foram acusados de terrorismo e atividades ilegais, baseadas em “provas secretas” jamais apresentadas a suas advogadas.
Ao desembarcar em Guarulhos, surpreendentemente, a Polícia Federal reteve Thiago a pretexto de submetê-lo a um interrogatório.
Falando a jornalistas depois que foi liberado pela PF, Ávila lembrou que esta não foi sua primeira detenção a mando de Israel e informou que 50 embarcações devem partir da Turquia em breve. “A flotilha é o exemplo mais pedagógico de que estamos tratando com um Estado genocida”, declarou, citando os assassinatos que vitimam, inclusive, crianças e mulheres, em grande número, e lembrando que crianças pequenas também têm sido encarceradas, “outra prova das transgressões praticadas por Israel”.
Terror psicológico
“Durante boa parte do confinamento, Ávila ficou vendado, sem saber se era noite ou dia, acorrentado por meio de quatro algemas e com movimentos bastante limitados pelo espaço da cela solitária”, reportou a Agência Brasil. “Ele confirmou os relatos que chegaram pelo movimento pró-Palestina, de que foi agredido fisicamente e chegou a desmaiar duas vezes. Diariamente, testemunhava torturas contra palestinos e escutava dos militares israelenses que eles o poupavam ‘por uma decisão deles, porque eles tinham direito judicial de fazer isso’”.
“Diziam que era música, perguntavam se eu estava ouvindo a cantoria”, relatou, salientando que as torturas a que o sujeitaram, juntamente com Abukeshek, “não têm nem comparação” com as experiências dolorosas dos palestinos.
“Eles diziam diretamente que queriam me matar, me deixar 100 anos preso e que iriam se livrar de mim o quanto antes. Só que eles não conseguem pagar o custo político disso”.
Thiago defende que é preciso expor os crimes de guerra cometidos pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e por Donald Trump. Netanyahu, conforme lembrou o militante brasileiro, já teve mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em novembro de 2024.
“É muito importante que a gente diga sem medo o que essas pessoas são. São os grandes inimigos da paz, da perpetuação da vida neste planeta. E tantas pessoas ao redor do mundo atenderam ao chamado pela Palestina. Não [podemos] deixar que Gaza seja esquecida. Hoje se completaram sete meses e um dia de um falso cessar-fogo”, declarou Ávila.
*Com informações da Agência Brasil e Esquerda Diário.


