No mesmo dia em que um tribunal israelense decidiu, abusivamente, prorrogar por seis dias a prisão ilegal do comunicador brasileiro Thiago Ávila e do cidadão espanhol, sueco e palestino Saif Abukeshek, lideranças da Global Sumud Flotilha (GSF), o presidente Luis Inácio Lula da Silva emitiu um protesto público contra o comportamento de Israel e pediu a imediata soltura de ambos.
“Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha Global Sumud, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”, declarou Lula, nesta terça-feira, 5 de maio, na rede social X. “A detenção dos ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado uma séria afronta ao direito internacional. Por isso, nosso governo, juntamente com o da Espanha, que também teve um cidadão detido, exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos”, completou o presidente do Brasil.
Na mesma data, em novo pronunciamento sobre o caso, o juiz Yaniv Ben-Harush, do tribunal israelense de Ascalom, atendeu a um pedido do governo Netanyahu e ordenou a prorrogação do encarceramento de Thiago e Saif por mais seis dias, até domingo, 10 de maio de 2026, às 9h. Diante desta decisão, as advogadas que os representam, Hadil Abu Saleh e Lubna Touma, vinculadas ao Centro de Direitos Humanos Adalah, pretendem impetrar um recurso no Tribunal Distrital, exigindo a libertação imediata e incondicional dos ativistas da GSF.
Durante a audiência em Ascalom, as advogadas argumentaram que não há base legal para a detenção de Thiago e Saif e que não há ligação entre fornecimento de ajuda à população civil por meio de uma flotilha humanitária e qualquer “organização terrorista”. Acrescentaram que, como os ativistas da GSF foram sequestrados a mais de 900 quilômetros de Gaza e não são cidadãos israelenses, a lei israelense não se aplica a eles.
Em relação às condições de detenção e interrogatório dos dois ativistas, a dupla de defensoras informou ao tribunal que os interrogadores de Thiago o ameaçaram de morte na prisão ou de prisão preventiva por 100 anos, e que ele e Saif “estão sendo mantidos em completo isolamento, sob luzes fortes 24 horas por dia, sete dias por semana, em suas celas, e seus olhos são vendados sempre que são transferidos de um lugar para outro, inclusive durante exames médicos, o que configura uma flagrante violação da ética médica”.
Os dois estão em greve de fome, consumindo apenas água desde as primeiras horas da manhã de quinta-feira, 30 de abril, em protesto contra o sequestro e o tratamento cruel a que têm sido submetidos.
O Tribunal de Ascalom aprovou o pedido do Estado para prorrogar a prisão preventiva com base, entre outros fatores, em provas confidenciais, às quais as advogadas do Adalah não tiveram acesso; e não impôs quaisquer restrições ao governo ou supervisão judicial no período de investigação. “A decisão do tribunal de estender a detenção de ativistas humanitários sequestrados em águas internacionais constitui uma aprovação judicial da conduta ilegal do Estado”, declarou o Adalah.


