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Colonos e soldados israelenses mataram 40 palestinos na Cisjordânia em 2026

Redação SJSP, com Drop Site News e Zeteo

Pelo menos dezesseis palestinos foram mortos por disparos de colonos na Cisjordânia ocupada desde o início do ano, segundo o Ministério da Saúde palestino — número superior ao total de mortos por colonos em 2025. Além disso, pelo menos 24 palestinos foram mortos por soldados israelenses no território ocupado desde o início de 2026, segundo informou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Dados da Comissão de Resistência ao Muro e aos Assentamentos mostram que as forças israelenses e os colonos realizaram 1.819 ataques somente em março deste ano, sendo 1.322 pelas forças israelenses e 497 pelos colonos.

Os crimes cometidos pela ocupação israelense produziram nova tragédia no dia 21 de abril, quando colonos atacaram a tiros uma escola em Al-Mughayyir, a leste de Ramallah, e mataram um menino palestino de 14 anos e um homem de 32 anos. O episódio foi relatado pela jornalista Aseel Mafarjeh, radicada em Ramalah.

A manhã na Escola Secundária Masculina de Al-Mughayyir começou como todas as manhãs escolares. Duzentos alunos, com idades entre 6 e 17 anos, estavam em suas salas de aula, os professores diante dos quadros, com os cadernos abertos. Por volta do meio-dia, o som que encerrou a aula não foi o do sino.

O primeiro tiro veio sem aviso. Em segundos, os alunos se jogaram atrás das carteiras, se encostaram nas paredes ou ficaram imóveis onde estavam. Os professores agiram rapidamente, trancando as portas, afastando as crianças das janelas, transformando as salas de aula em salas de espera onde a única lição era ficar quieto e parado.

O diretor Bassam Abu Assaf já havia lidado com incursões de colonos antes. Grupos chegavam com porretes, ameaças e intimidação.

“Esta foi a primeira vez que houve troca de tiros direta”, ele me conta. “Eles pretendiam ferir os estudantes. Os tiros foram diretos e intenso”. Seu primeiro instinto não foi pedir ajuda, mas sim avisar os pais. Uma mensagem de voz foi enviada por aplicativos de mensagens: “Venham agora. Levem seus filhos”.

Abu Assaf disse que temia que pedir ajuda primeiro demorasse muito, um tempo que poderia colocar os alunos em ainda mais perigo. Infelizmente, ele não tinha como saber o que os aguardava do lado de fora da escola quando tentassem entrar em contato com seus pais.

A escola fica na periferia da vila de Al-Mughayyir, a leste de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, cercada por terreno aberto e exposta por todos os lados. Três colonos, acompanhados por três soldados israelenses, segundo relatos de testemunhas, posicionaram-se perto do muro ocidental – uma barreira de concreto de dois metros de altura, encimada por mais dois metros de tela metálica – e atiravam em direção ao prédio e ao pátio.

Quando os pais começaram a chegar e os alunos saíram correndo para procurá-los, os tiros se intensificaram. O pátio, que deveria ser a rota de fuga, tornou-se o campo de batalha.

Aws Hamdi Al-Naasan tinha 14 anos e cursava o nono ano. Ele não conseguiu atravessar o pátio. Ele não chegou ao portão.

O tio de seu pai, Faraj Naasan, observava da janela de sua casa com vista para a escola. Ele ouviu os tiros, viu o caos e entendeu o que estava acontecendo antes mesmo de conseguir processar completamente. Ele já tinha visto algo parecido antes, não como um evento distante noticiado pela imprensa, mas em sua própria família.

O pai de Aws, Hamdi, foi morto por colonos israelenses em 2019. Ele havia saído durante um ataque de colonos para ajudar a carregar os feridos, conseguiu evacuar duas pessoas feridas e foi baleado enquanto tentava alcançar uma terceira. Agora, seu filho havia sido morto na mesma aldeia, no mesmo tipo de ataque, mais de sete anos depois.

“Esta é a personificação viva da história se repetindo”, diz Faraj.

Jihad Marzouq Abu Naiz, de 32 anos, morador da vila, também foi morto no ataque à escola na terça-feira. Ele correu para a escola ao saber do ocorrido, tentando ajudar a retirar os alunos. Saiu do trabalho assim que a notícia se espalhou e não retornou.


Cinco estudantes ficaram feridos, alguns em estado grave, segundo o Ministério da Saúde palestino. As ambulâncias não conseguiam chegar com rapidez suficiente em meio ao caos, e os pais colocaram as crianças feridas em seus próprios carros. No hospital, Aws foi declarado morto. Minutos depois, Jihad também faleceu.

Confira aqui a matéria completa, publicada na edição de 22 de abril de Zeteo, em inglês.

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