Nas últimas 24 horas, o Ministério da Saúde de Gaza relatou a chegada de dois mortos e 20 feridos a hospitais. Desde o cessar-fogo de 11 de outubro de 2025, houve 486 mortos, 1.341 feridos e 714 corpos recuperados, elevando o número oficial de vítimas do genocídio que Israel comete em Gaza para 71.660 mortos e 171.419 feridos, sendo que o número real de feridos provavelmente é de três a cinco vezes maior.
Pelo menos quatro palestinos foram mortos no sábado, quando as forças israelenses realizaram bombardeios de artilharia, ataques com drones e disparos em toda a Faixa de Gaza, incluindo em Jabalia e Khan Younis. Um bombardeio israelense a uma clínica médica da UNRWA no campo de refugiados de Jabalia, no domingo, deixou duas pessoas feridas, incluindo uma mulher grávida e um jovem, segundo a agência de notícias Shehab.
As forças israelenses mataram a tiros Manar Saeed Al-Madhoun, de 41 anos, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, no domingo, segundo a Rádio Al Aqsa e outros meios de comunicação palestinos. Uma segunda pessoa morta por fogo de artilharia israelense chegou ao Hospital Al-Shifa no domingo, após bombardeios e tiroteios atingirem o bairro de Al-Tuffah, a leste da Cidade de Gaza, segundo o Shehab News.
Quatro palestinos ficaram feridos no domingo após forças israelenses atingirem o transmissor de rádio no topo da Torre Shawa, na Cidade de Gaza, segundo a Al Jazeera Mubasher. O ataque ocorreu após o retorno ao ar, no domingo anterior, da Rádio Sawt al-Quds, que estava fora do ar havia dois anos.
“Outrora conhecido como um centro de escritórios de mídia, a Torre Shawa tornou-se, nos últimos meses, o último refúgio para famílias deslocadas. Com os abrigos superlotados e os espaços seguros cada vez mais escassos, seus quartos restantes foram ocupados por aqueles que fugiam da destruição em outros lugares”, relatou a SAFA News.
Um pescador palestino ficou ferido e seu barco de pesca foi danificado no sábado após um ataque israelense na costa de Nuseirat, segundo a agência de notícias Ma’an. O Comitê de Pescadores de Gaza informou que embarcações da Marinha israelense dispararam metralhadoras e foguetes contra pequenos barcos de pesca a oeste de Wadi Gaza, danificando a embarcação de Youssef Ahmad Salah e ferindo-o com estilhaços quando um projétil explodiu nas proximidades.
Israel confirmou que os restos mortais de Ron Gvili, membro de uma unidade especial da polícia israelense que foi feito prisioneiro durante o ataque do Hamas em 7 de outubro, foram identificados e recuperados, de acordo com um comunicado do Exército de Israel publicado no X. As Brigadas Al-Qassam informaram os mediadores do cessar-fogo sobre a localização dos restos mortais de Gvili. Milhares de corpos palestinos permanecem sob os escombros.
Passagem de Rafah deverá ser reaberta nos próximos dias
O governo de Israel anunciou nesta segunda-feira que reabrirá a passagem de fronteira de Rafah entre Gaza e o Egito nos próximos dias. “Israel concordou com uma reabertura limitada da passagem de Rafah apenas para pedestres, sujeita a um mecanismo completo de inspeção israelense”, afirmou o gabinete do primeiro-ministro israelense em um comunicado divulgado nesta segunda-feira, 26 de janeiro. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia dito que a passagem seria reaberta após a conclusão da busca pelos restos mortais de Gvili, encontrados na manhã de segunda-feira.
Autoridades humanitárias disseram esperar que a reabertura da passagem de fronteira permita a evacuação de pessoas em Gaza que precisam de tratamento médico no exterior, segundo o New York Times. Israel continua se recusando a permitir a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza, argumentando em uma audiência na Suprema Corte nesta segunda-feira que os soldados israelenses seriam colocados em risco, mesmo com o cessar-fogo em vigor há mais de três meses e mesmo tendo permitido a entrada de trabalhadores humanitários internacionais no enclave.
O Hamas afirmou que sua liderança reuniu-se em Istambul no sábado com İbrahim Kalin, chefe da inteligência turca, para discutir a segunda fase do cessar-fogo “para pôr fim à guerra” e o cumprimento dos compromissos da primeira fase, segundo um comunicado divulgado pelo movimento. A delegação, liderada por Khalil al-Hayya, disse que ambos os lados concordaram em continuar a coordenação em relação a “medidas concretas”, incluindo a abertura da passagem de Rafah, a criação de um Comitê Nacional para administrar Gaza e a ampliação do acesso a ajuda humanitária e abrigos.
Um reservista israelense disse ao The Wall Street Journal que, durante a fome que assolou Gaza no verão passado, comboios “humanitários” escoltados por militares israelenses entregaram alimentos, água, cigarros e caixas lacradas com conteúdo desconhecido a milícias apoiadas por Israel. A reportagem afirma que Israel continua a apoiar essas milícias com informações, drones, armas e ajuda. Esse acordo supostamente permite que Israel enfraqueça o Hamas em áreas onde as forças israelenses estão proibidas de entrar diretamente devido ao cessar-fogo. Yaron Buskila, ex-oficial da Divisão de Gaza, reconheceu o envolvimento direto de Israel.
Quatro palestinos ficaram feridos quando colonos israelenses atacaram uma casa na cidade cristã de Birzeit, perto de Ramallah. Segundo a agência Wafa, os colonos apedrejaram uma mulher e seu filho dentro da residência. A agência informou que a mulher sofreu um grave ferimento na cabeça e foi hospitalizada em Ramallah. Posteriormente, as forças israelenses dispararam gás lacrimogêneo contra civis na cidade, prenderam três jovens palestinos e permitiram que os colonos deixassem o local.
O Exército israelense declarou ao The Times of Israel que respondeu a relatos de palestinos atirando pedras, que um colono sofreu ferimentos leves e que um suspeito palestino foi detido. Porém, imagens que circulam em canais do Telegram de colonos corroboram o relato dos palestinos da cidade. O vídeo mostra um morador de Birzeit cercado por colonos israelenses atirando uma pedra que feriu um dos agressores enquanto ele defendia sua casa.
*Resumo baseado na edição de 26 de janeiro, publicada em inglês.


