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Ao lado de Dilma Rousseff, diretora Vilma Amaro recebe medalha Mulheres pela Democracia

Ao lado de Dilma Rousseff, diretora Vilma Amaro recebe medalha Mulheres pela Democracia

Na última sexta-feira (8), a diretora do Sindicato dos Jornalistas, Vilma Amaro, recebeu a medalha Mulheres pela Democracia durante sessão solene na Câmara Municipal de Diadema. Juntamente com a ex-presidenta Dilma Rousseff, a jornalista foi homenageada por iniciativa do mandato do vereador e presidente da Casa, Josa Queiroz (PT), que homenageou mulheres que lutaram bravamente pela democracia, pelos direitos humanos e contra a ditadura.

Também foram agraciadas na ocasião as senhoras: Clara Charf, Crimeia Alice Schmidt, Maria Amélia de Almeida Teles, Maria Julia de Oliveira Lobo, Rose Nogueira e Aparecida Pedra Kopcak (in memorian).

A diretora de base da Regional ABCD, Ana Valim, exibiu a coleção de exemplares da Folha de São Bernardo, jornal no qual trabalhou com Vilma Amaro e foram vítimas de atentados durante a ditadura militar.

Dilma Rousseff iniciou as falas relembrando as lutas das mulheres do passado e os desafios do presente. Para a ex-presidenta, governos populares tem por obrigação combater a feminização da pobreza, reduzindo desigualdades e, por isso, destacou as iniciativas do governo do PT que focaram prioritariamente nas mulheres, como a distribuição de renda pelo Bolsa Família; a garantia de direitos às trabalhadoras domésticas por meio da PEC das Domésticas; o acesso ao ProUNI, Pronatec e Ciência sem Fronteiras; a garantia de saúde com o Mais Médicos e o combate à violência com a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, o Disque 180 e as Casas da Mulher Brasileira.

Para Dilma, tais avanços desafiaram o neoliberalismo e o patriarcalismo, resultando no golpe de 2016. “O objetivo do golpe de 2016 foi sobretudo enquadrar o Brasil política, econômica, social e geopoliticamente ao modelo neoliberal. O objetivo era barrar um projeto de desenvolvimento, de inclusão social e de afirmação da nossa soberania e um projeto que tinha uma concepção geopolítica, diferente da tradicional submissão aos interesses norte-americanos, mas o preconceito e a misoginia constituíram uma espécie de pano de fundo e de meio ambiente que estruturavam a linguagem da desqualificação da primeira presidenta, propiciando o ambiente misógino para o golpe”, lembrou Dilma.

Diante do golpe, a ex-presidenta mencionou os retrocessos que se seguiram, atingindo conquistas como a perda de direitos, a prisão do presidente Lula e a interrupção do ciclo de desenvolvimento e redução das desigualdades no país. “O país, sob o meu governo, teve o menor índice de desemprego de sua história: 4,8%, em 2014. E alcançou a façanha de sair pela primeira vez do Mapa da Fome da ONU. Hoje, tem a maior queda de renda da sua história com 15 milhões de desempregados, 39 milhões de subempregados, 116 milhões de habitantes tem carência alimentar e 19 milhões, literalmente, passam fome. A maioria e as maiores vítimas da pandemia, do desemprego e da fome são mulheres. As mulheres foram abandonadas à sua própria sorte e aí temos uma situação extremamente grave com a qual temos que romper”, disse a ex-presidenta.

Por fim, Dilma reiterou que, embora cuidar, proteger e alimentar sejam verbos que marcam a vida das mulheres, o verdadeiro verbo que representa as mulheres brasileira é lutar. “A luta das mulheres é uma luta pela vida, pela renda, pelo emprego digno, contra a inflação, uma luta contra o fascismo. E, vale dizer, uma luta pela derrota de Bolsonaro e a vitória de um presidente que devolva o Brasil aos brasileiros”, discursou.

Para Dilma, 2022 é o ano da virada no qual as mulheres irão canalizar suas forças para promover a ruptura com a ordem patriarcal, neofascista e neoliberal.

A diretora regional do SJSP, Vilma Amaro ressaltou a importância em preservar a memória do país para que as novas gerações conheçam o que se passou durante os 21 anos após a deposição do presidente João Goulart. “É uma honra receber essa homenagem ao lado dessas companheiras e da presidente Dilma Rousseff, que se manteve todo o tempo com dignidade apesar das ofensas, perseguições, humilhações, mentiras e impeachment fabricado no exterior com adesão do Congresso ajoelhado a interesses forâneos”, disse.

Vilma relembrou momentos nos quais enfrentou a ditadura militar, como a estranheza causada pelo apoio ao golpe por parte dos alunos do colégio onde estudava em Santo André, a participação no Congresso estudantil em Ibiúna no qual foi presa, a Batalha da Maria Antônia, os atentados às coberturas realizadas por ela na qual feriram a colega e jornalista Ana Valim, as greves dos metalúrgicos no ABC, bem como as ações de paramilitares que queimavam as edições do jornal Em Tempo, no qual Vilma era diretora.

A diretora e jornalista lembrou não apenas de suas vivências durante a ditadura, mas ressaltou a importância da participação das mulheres em momentos importantes, como as greves dos metalúrgicos no ABC. “Quero lembrar que as mulheres tiveram ampla participação nessas greves não só em suas reivindicações específicas como também no apoio a todos os trabalhadores. Foi das mulheres a iniciativa de realizar uma passeata gigantesca pelas ruas de São Bernardo pedindo a volta das negociações depois de 41 dias de paralisação. A então esposa de Lula, Marisa Letícia, saiu à frente e conseguiu driblar os policiais que queriam mudar o trajeto para as ruas sem movimento, mas a coragem de Marisa Letícia impediu e fez com que a passeata seguisse pelas ruas mais movimentadas de São Bernardo do Campo”, contou.

Para finalizar a cerimônia, o vereador Josa Queiroz, autor da propositura que homenageou as mulheres presentes na sessão, saudou os presentes e ressaltou a importância em se fazer presente em eventos e atos por ser a ferramenta de enfrentamento à toda forma de repressão.

“O fato de estarmos aqui em um espaço como esse, devemos a cada uma de vocês e várias outras companheiras que, infelizmente, não estão mais entre nós. Se hoje temos um espaço no qual podemos exercer o nosso pensamento, defender as nossas ideias e a democracia é porque mulheres como vocês não vacilaram um só segundo quando foi preciso fazer o enfrentamento contra o regime militar. E queria mais uma vez, em nome da Câmara Municipal, vereadores e militantes que estão presentes, agradecer do fundo dos nossos corações a cada uma de vocês que dão a real dimensão do quão é importante permanecer na luta, duro, firme e não perder a ternura”, destacou o vereador.

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