O presidente Donald Trump deixou de lado, ao menos temporariamente, sua retórica genocida e anunciou nesta terça-feira, 7 de abril, que os Estados Unidos suspenderiam os bombardeios e ataques contra o Irã por duas semanas, em um cessar-fogo que ele chamou de “bilateral”, condicionando a pausa à “abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz”.
Trump afirmou que os EUA “cumpriram e superaram todos os objetivos militares” e descreveu uma proposta iraniana de dez pontos como uma “base viável” para um acordo mais amplo, acrescentando que os dois lados estavam “muito próximos de um acordo definitivo” sobre a paz a longo prazo e que o período de duas semanas tinha como objetivo “finalizar e consumar” esse acordo mais abrangente. Ele chamou a terça-feira de um “grande dia para a paz mundial”.
O anúncio inicial do cessar-fogo ocorreu após negociações com a liderança do Paquistão. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, havia solicitado na terça-feira uma prorrogação de duas semanas do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump, e pedido ao Irã que abrisse o Estreito de Ormuz por duas semanas, como um “gesto de boa vontade”. O cessar-fogo entrou em vigor às 20h22 de terça-feira (horário do leste dos EUA), segundo o Axios.
A proposta de dez pontos do Irã — que Trump disse aceitar como base para as negociações — exige a cessação completa das hostilidades contra o Irã e os grupos de resistência aliados; a retirada das forças de combate americanas da região e a proibição de ataques lançados de bases regionais; a passagem diária limitada pelo Estreito de Ormuz por duas semanas sob supervisão iraniana; o cancelamento de todas as sanções primárias, secundárias e das Nações Unidas; a compensação por danos de guerra por meio de um fundo financeiro e de investimento; o compromisso do Irã de não construir armas nucleares, juntamente com a aceitação, pelos EUA, do direito do Irã ao enriquecimento de urânio; o acordo iraniano para negociar tratados de paz bilaterais e multilaterais com países da região; a extensão de quaisquer garantias de não agressão a todos os grupos de resistência; e o término de todas as resoluções do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica e do Conselho de Segurança das Nações Unidas relacionadas ao Irã, com todos os compromissos formalizados em uma resolução oficial das Nações Unidas.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, principal órgão de tomada de decisões de segurança da República Islâmica, anunciou nesta quarta-feira que as negociações começariam “com total desconfiança em relação ao lado americano” na sexta-feira, 10 de abril, em Islamabad, com duas semanas reservadas para finalizar os detalhes das dez exigências de Teerã e codificá-las em uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas — que, segundo o conselho iraniano, tornaria quaisquer acordos “de direito internacional vinculante”.
A proposta de cessar-fogo permite que o Irã e Omã cobrem taxas de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, com o Irã afirmando que pretende usar os fundos para a reconstrução, de acordo com a Associated Press. O governo omanense ainda não confirmou sua participação em um programa de cobrança de taxas sobre o tráfego marítimo no estreito.
Trump também comentou os detalhes do cessar-fogo relacionados a Ormuz, dizendo que os EUA “ajudarão no aumento do tráfego no Estreito de Ormuz”, mas não esclareceu a essência desse papel (e, vale ressaltar, a atividade americana em Ormuz não é mencionada no texto divulgado do acordo de cessar-fogo). “Haverá muitas ações positivas! Muito dinheiro será ganho. O Irã poderá iniciar o processo de reconstrução”, acrescentou Trump.
*Resumo e adaptação de matéria publicada nesta quarta 8 de abril pela Drop Site News.(confira aqui o texto original).


